A retomada gradual da atividade econômica apresenta desafios importantes na esteira da crise da pandemia da Covid-19. Para a maioria das empresas, o período foi de extrema destruição de valor, com redução brutal de suas atividades e, consequentemente, de suas receitas, seus times, o que consumiu seus resultados.
Esta situação leva as empresas a viver o que parece uma dicotomia: acelerar as vendas ou projetar o futuro? Na prática, as duas coisas terão que acontecer concomitantemente. É uma questão de sobrevivência pôr energia e foco na recuperação das vendas, na defesa do seu market share, na recuperação de clientes que se afastaram e na busca de resultados financeiros.
Porém, as principais lideranças das empresas não podem se iludir por uma melhora momentânea de vendas. Uma crise profunda e extensa como a que estamos vivendo provoca mudanças marcantes nos mercados e na forma de se fazer negócios.
Em uma pesquisa da consultoria McKinsey, que englobou diversos setores da economia, cerca de 90% dos executivos-chefe reconhecem que haverá fortes transformações na maneira de sua empresa fazer negócio nos próximos 5 anos.
Este dado liga-se a outro ponto da mesma pesquisa, onde 85% dos entrevistados apontam para mudanças nas demandas e expectativas dos seus clientes. O ponto crítico do levantamento é que apenas 21% reconhecem ter expertises e recursos necessários para terem sucesso neste novo cenário.
Os dados apresentados podem ser muito preocupantes para o mundo empresarial, mas é a partir da consciência das nossas limitações que podemos criar forças para evoluirmos.
A capacidade de usar a resiliência dos colaboradores, alinhados e focados em recuperar a companhia no curto prazo, precisa simultaneamente alimentar a visão de futuro. Levar o time a abrir a mente, a fim de perceber alterações no comportamento e nas demandas dos clientes, será de grande valor para a reconstrução das empresas.
As crises trazem ameaças e oportunidades para todos os negócios, mas a diferença entre estes dois pontos reside na forma como nos defendemos das nossas fraquezas, com aprendizado e compartilhamento do conhecimento dos nossos times, bem como em nossa competência para alocarmos nossas forças, principalmente em um momento que requer a inovação como atributo permanente. O percentual mais baixo citado na pesquisa acima mostra a dificuldade que este conceito traz na prática.
Cabe às lideranças mudar, com senso de urgência, qualquer traço de conformismo no jeito de atuar dos times sob seu comando. Perde-se tempo nas discussões sobre se devemos, ou não, transformar nossos negócios. A mudança de paradigmas empresariais foi acelerada por transformações que não tiveram origem no mundo empresarial, mas sim no comportamento social afetado pela pandemia.
Assim como com a nossa saúde, se não tivermos atenção aos seus efeitos, nossa empresa poderá padecer de uma doença que nos fará desaparecer. A resiliência passou a ser uma das mais importantes competências empresariais do momento.
