Opinião

Se você ainda não recebeu essa ligação, calma

"Não havia se passado cinco minutos do término da ligação, e eu cronometrei porque foi antes de carregar meu extrato pelo aplicativo do banco, recebi uma segunda ligação, agora, do suposto gerente do banco (...)"

Gabriela Reis*
05/08/21 às 18h30

Se você ainda não recebeu uma ligação informando que houve uma compra no seu cartão, provavelmente de valor exorbitante, informando seu nome e número de cartão, questionando se foi você mesmo o autor da compra, não se sinta excluído, é só questão de tempo.

Dias atrás aconteceu comigo, de novo. Recebi uma ligação de uma suposta loja em que tenho cadastro, informando que houve uma compra, de valor nada irrisório, no meu cartão de crédito. A ligação estava acontecendo por motivos de segurança, já que na hora de efetuar o pagamento, a suposta pessoa compradora errou duas vezes a senha, porém, na terceira tentativa a compra tinha sido efetuada.

E, como há muito tempo eu não comprava na loja, a ligação tinha por objetivo preservar a minha integridade financeira, confirmando minha identidade.

Ouvi tudo com muita atenção, emitindo vez ou outra uma onomatopeia de surpresa e indignação. Agradeci o contato, parabenizei pelo (des)serviço e avisei que, assim que possível, entraria em contato com a agência do meu banco. 

Não havia se passado cinco minutos do término da ligação, e eu cronometrei porque foi antes de carregar meu extrato pelo aplicativo do banco, recebi uma segunda ligação, agora, do suposto gerente do banco informando uma compra indevida. Eu disse “ah sim, claro, me dá um segundinho” e fui almoçar. Sim, deixei o suposto gerente esperando na linha. Eu sei, eu sei, um jeito nada convencional de conversar com golpistas. 

Como eu disse, essa foi a segunda tentativa de me aplicarem o golpe do cartão clonado. Achei interessante que, na primeira vez, quem me ligou direto foi o próprio “gerente do banco”, já informando a clonagem de um cartão de débito, passando meu nome, número do cartão e, acreditem, minha senha. E eu confesso que, provavelmente teria acreditado se no meio do diálogo ele não tivesse soltado um “mano”.

Apesar disso, é evidente que os golpes virtuais estão se profissionalizando. Eu mesma seria capaz de apostar que, em algum lugar do Google, ou até mesmo em alguma rede social, tem alguém vendendo um curso sobre o golpe do cartão clonado. 
Os sábios já diziam: todo cuidado é pouco, hoje, todo cuidado é necessário. Confiar nas pessoas é ótimo (principalmente se for o gerente do seu banco), mas desconfiar de algumas pode te poupar tempo e dinheiro.

(Foto: Arquivo pessoal)

*Gabriela Reis é advogada em Araçatuba (SP) e pós-graduanda pela Escola Brasileira de Direito, ativista pelos direitos das mulheres.

** Este texto é de responsabilidade do autor e não reflete, necessariamente, a opinião deste veículo de comunicação.

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