Opinião

Sex/Life: 'hot or not'?

Lançada recentemente pela Netflix, série Sex/Life está entre as mais assistidas do catálogo; apesar das cenas quentes serem um atrativo para uns e causarem espanto em outros, a trama propõe reflexões sobre relacionamentos e fantasias

Manu Zambon*
04/07/21 às 18h38

Todos que acompanham a Netflix nos últimos tempos já devem ter percebido que o streaming tem investido em produções mais picantes, o que tem se tornado um sucesso entre os espectadores. 

O lançamento mais recente, Sex/Life, não deixa dúvidas; em poucos dias já havia alcançado o Top 1 de séries mais assistidas na plataforma, desbancando até mesmo Elite, série espanhola que também tem um teor mais sexual. Aliás, em apenas 24h desde sua entrada no catálogo, Sex/Life já foi parar na lista entre as 10 mais assistidas. 

Após ler comentários, e principalmente receber indicações de amigos para assistir, decidi dar o braço a torcer. Claro, meio desconfiada, porque minha experiência com 365 DNI, filme lançado pela Netflix no ano passado, que segue esse tom erótico, foi um verdadeiro horror. 

Mas vamos ao que interessa. Sex/Life foi criada por Stacy Rukeyser (UnReal) e é baseada no livro 44 capítulos sobre 4 homens, da escritora B.B. Easton, que conta uma história real – o que aparentemente parece ter chocado os fãs. 

Na versão do streaming, a história recebe como protagonista a personagem Billie Connelly (Sarah Shahi), uma esposa e mãe descontente. Para suportar a frustração, ela começa a escrever em seu diário lembranças da época de sua juventude em Manhattan e fantasiar cenas quentes com o seu ex-namorado, Brad (Adam Demos). 

Sem me aprofundar muito, para não dar spoiler, vale dizer que o marido de Billie, Cooper (Mike Vogel), não gosta nada do que lê no diário e assim a trama se desenrola. 

Em certos momentos, tive a impressão de estar assistindo a algum episódio de Desperate Housewives, porque Sex/life propõe esse outro olhar além do que é aparentemente perfeito. Os entulhos escondidos por trás das cerquinhas brancas das casas perfeitas. Porém, me atentei às reflexões em torno dos relacionamentos e conflitos psicológicos, deixando de lado a crítica em relação à produção. 

(Foto: Divulgação)

Quase que integralmente, a série nos direciona a questionar sobre a monogamia, casamento, fidelidade e ainda levanta mais um ponto: não é possível ter tudo - pelo menos na relação. Nesse sentido, não seria possível ter todos os nossos desejos realizados em um único relacionamento; enquanto o casamento preenche a lacuna da parceria, amor e cumplicidade, não satisfaz as fantasias e vontades carnais.  

Para mostrar esses dilemas, o artifício utilizado é o famoso e velho triângulo amoroso, que permite beber das duas fontes: a parceria de um lado e o sexo do outro. Não é algo original, mas acaba cumprindo seu papel. 

Se me perguntassem se eu indico a série, eu diria que depende. Se o espectador estiver em busca de uma abordagem mais séria e menos ficcional, não. Mas se ele não se importar com as cenas quentes e com a pouca profundidade da história – pelo menos nessa primeira temporada -, sugiro tirar as crianças da sala e se entregar. Inclusive, essas cenas picantes são bem-feitas.  

Caso seja um programa de casal, pode ser ainda mais interessante, porque ao longo dos episódios, alguns assuntos que rondam os relacionamentos vão ganhando mais força, como orgia em casais, ciúmes, rotina, entre outros. Sempre podemos usar o entretenimento para rever algumas arestas ou repensar atitudes. 

(Foto: Arquivo pessoal)

*Manu Zambon é jornalista do Hojemais Araçatuba , cobre a área cultural e, como quase todo mundo nesta pandemia, não sai das plataformas de streaming. 

** Este texto é de responsabilidade do autor e não reflete, necessariamente, a opinião deste veículo de comunicação.

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