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Dita por uma cantora em um reality televisivo, recentemente, a palavra sororidade teve um aumento no número de buscas no Google de 250%. Mais do que um significado único e específico, o termo é importante para o feminismo por ser um conceito que representa a união e o apoio entre as mulheres. É uma ética feminista que deve combater a rivalidade feminina que, por anos, nos foi colocada como natural e até instintiva, como uma construção social nociva.
Como escreveu Joice Berth, essa ideia de rivalidade é uma prática do sistema de dominação e opressão de gênero que deseja, por razões óbvias, separar para dominar. Funciona, pois o oprimido internaliza o modus operandi do opressor, como nos alerta Paulo Freire.
Não julgar outras mulheres, elogiar com sinceridade, incentivar as conquistas. Essas são ações de sororidade e todas podemos e devemos praticar em nosso dia a dia. Sororidade é sobre empatia, solidariedade, companheirismo e respeito entre as mulheres. Defende a ideia de que juntas somos mais fortes e de que precisamos umas das outras para buscarmos a liberdade e os direitos que reivindicamos.
A sororidade também amplia o nosso olhar para o coletivo. A ideia é deixar de perceber o mundo a partir da nossa própria e única realidade e considerarmos as diferentes realidades de mulheres, brancas, negras, indígenas, gordas, deficientes, sem que nenhuma experiência ou forma de viver seja preterida.
Sororidade vem do latim soror , que significa irmã. É o correspondente feminino de fraternidade e representa a união entre as mulheres para que juntas, lutem contra discriminações e a favor da igualdade de gênero.
Apesar do aumento no número de buscas, ela não está presente em alguns dicionários de língua portuguesa e o próprio Word não a reconhece, ficando, portanto, sublinhada em vermelho, como um aviso de erro.
Praticar a sororidade nos instiga a deixar de sustentar ideias que incitam a rivalidade do gênero feminino, como julgar comportamentos, roupas, relacionamentos, afinal, o machismo não é prerrogativa masculina.
Sororidade não significa que a relação entre mulheres deve ser passional, essa é uma ideia equivocada e perigosa, mas “significa que devemos respeitar e entender que há uma fragilidade em nossa existência que é dada pela condição de gênero e que nos expõe a violências diversas e contínuas, é entender que as mesmas correntes que me prendem, também prendem outras.
É refletir sobre a nossa desvantagem política letal frente à opressão machista. Uma das ações que configuram a sororidade é a investigação criteriosa do quanto de nós o sistema corrompeu, internamente. Sororidade começa pela honestidade em investigar o quanto absorvemos e ‘concretamos’ no nosso inconsciente as práticas da supremacia machista” (Joice Berth).
Sororidade é um processo a ser desenvolvido de maneira pragmática, é um ato político. É pelo combate à violência contra mulher. É sobre nos querermos vivas.
*O texto reflete a opinião do autor.
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