A última pesquisa Sobrevivência de Empresas realizada em 2020 pelo Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae), revelou que a taxa de mortalidade dos pequenos negócios nos primeiros 5 anos de atividade é de 29%.
Embora a pesquisa tenha sido realizada já durante a pandemia, as pesquisas anteriores também demonstraram um elevado índice de empresas que não ultrapassam os primeiros 5 anos de atividade. Ainda de acordo com o Sebrae, a má gestão financeira é responsável por 36% do encerramento das atividades.
Bons produtos, excelência atendimento e visibilidade comercial não se sustentam sem o pilar da gestão financeira. Há situações ainda em que empreendedor, ao se deparar com a complexidade da gestão financeira, acaba deixando de lado a análise de algumas informações importantes para que as suas decisões tenham maior chance de êxito.
O segredo para iniciar uma boa gestão financeira é apenas começar, mesmo que de maneira simples, com indicadores básicos, é ir aprimorando as informações conforme a empresa for crescendo.
Um indicador fundamental para uma boa interpretação financeira, é a margem de contribuição dos produtos ou serviços. Esse indicador demonstra o quanto de fato ficou de dinheiro na empresa após uma venda realizada, já deduzidos os impostos, os custos variáveis, e outras despesas ocorridas por ocasião da venda, como a tarifa do cartão de crédito, por exemplo.
O termo “margem de contribuição” consiste em saber o quanto um produto ou serviço ajuda a empresa a pagar a estrutura de gastos fixos, como salários, energia elétrica, aluguel, e a partir disso, gerar lucros. É um indicador fundamental para definir metas de vendas, e estabelecer política de descontos.
Outro indicador essencial, nesse caso mais voltado ao comércio varejista, é análise do giro do estoques. Dessa forma, saber a média de dias que um produto permanece em estoque evitará compras em volumes excessivos, desperdícios, e até mesmos prejuízos em caso de produtos perecíveis, ou cuja venda é concentrada em determinadas épocas do ano.
Não são raros os casos de empresas que passam por dificuldades financeiras pelo fato de terem estoque elevados e com baixa rotatividade dos produtos. Aproveitar um desconto ofertado pelo fornecedor para estocar a loja precisa ser analisado com cautela para evitar problemas no fluxo de caixa da empresa.
O terceiro indicador essencial é a necessidade de capital de giro. Suponha que uma empresa, após estocar um produto, demore em média 15 dias para vendê-lo, e conceda 30 dias de prazo para o cliente pagar, totalizando 45 dias entre a aquisição do produto e o retorno do dinheiro. Porém, caso o fornecedor que vendeu a mercadoria para a empresa tenha concedido 30 dias de prazo, haverá necessidade de capital de giro para esse desencaixe de 15 dias entre o prazo de pagamento e prazo de recebimento. A empresa que não mede essa necessidade acaba tendo que contratar capital de giro em bancos, pagando juros elevados, e comprometendo os resultados futuros.
Certamente a gestão financeira não se restringe aos 3 indicadores mencionados, porém, ao analisá-los, o empresário terá condições de gerir melhor a empresa. E quanto maior for o conhecimento, mais fácil será aprimorar melhorias na gestão. Há vários cursos que ensinam empresários a analisarem os indicadores mencionados. Além disso, é possível contar com o apoio do contador para elaboração e interpretação dos indicadores.
