A lucratividade é condição necessária, mas não única, para que pequenas e médias empresas prosperem e se mantenham em atividade. Embora algumas empresas de tecnologia financeira, as chamadas “fintechs”, renunciam ao lucro em determinado momento, com o intuito de ganharem mercado, e consequentemente valorização da empresa, essa tática não funciona para as pequenas e médias organizações, cujo objetivo é sim ter lucro, e mais do que isso, que a lucratividade proporcione um retorno satisfatório em relação aos investimentos realizados.
Embora seja uma informação de suma importância, muitos empresários não têm a real clareza do quanto a empresa é lucrativa, ou o que é pior, muitos não sabem se a empresa é realmente lucrativa ou se está com prejuízo. Já dizia o “pai” da administração moderna, Peter Drucker: “Se você não medir, você não pode gerenciar”. Logo, um lucro insatisfatório, ou um prejuízo comprometedor, não podem ser melhorados se não forem corretamente mensurados.
A princípio, a determinação do resultado de uma empresa é relativamente simples. Há um relatório contábil, fundamental para a gestão financeira, denominado demonstração de resultados, onde basta subtrair das vendas, os custos e despesas do mesmo período. Porém, para que as informações desse relatório sejam reais e seguras, é preciso analisar alguns aspectos, pois a demonstração de resultados não pode ser confundida com o fluxo de caixa.
Para a mensuração do resultado, é preciso considerar o total das vendas, sejam elas à vista ou a prazo. Da mesma maneira, os custos e despesas também devem ser considerados, sejam eles pagos à vista ou a prazo. Suponhamos que em determinado mês uma empresa adquiriu, a prazo, R$ 10.000,00 em mercadorias para revenda. No mesmo mês, as mercadorias foram vendidas, também a prazo, por R$ 15.000,00. O resultado da empresa foi positivo em R$ 5.000,00, mesmo não havendo entrada ou saída de dinheiro no caixa da empresa.
Em contabilidade e finanças, e preciso respeitar o princípio da competência, onde as vendas, os custos, e as despesas, competem ao momento em que ocorrem, independentemente do recebimento, no caso das vendas, ou do pagamento, no caso dos custos e despesas.
Muitas empresas têm dificuldades em pagar o 13º salário, por exemplo, justamente por não observarem que se trata de um gasto que ocorre mensalmente, cujo pagamento será efetivado ao final de cada ano. Por esse motivo, o lucro de uma empresa, jamais pode ser confundido com o montante disponível em caixa. Logicamente, a análise do fluxo de caixa também é necessária, mas isso será tema para ser abordado em outro momento.
Seja qual for o porte de uma empresa, as informações reais sobre a lucratividade é o primeiro passo para uma gestão financeira segura e capaz de proporcionar informações para a tomada de decisões corretas. Vender é essencial, mas saber o quanto sobra da venda é que garantirá longevidade ao negócio.
