O empresário autor da denúncia de suposta fraude no chamamento público que resultou no contrato emergencial da Prefeitura de Birigui (SP) com a OSS (Organização Social de Saúde) Beneficência Hospitalar de Cesário Lange declarou que o advogado da entidade, Tiago Zingareli, pediu a ele US$ 3 mil dólares para pagar um “secretário de Birigui”.
As declarações dele foram registradas em cartório na quarta-feira (6) e nesta quinta-feira (7) também foram protocoladas na Polícia Federal. Conforme publicado ontem pelo Hojemais Araçatuba , o ex-vereador José Fermino Grosso protocolou pedido de investigação na Câmara de Birigui (SP), para apurar suposta fraude na contratação da OSS, que é a atual gerenciadora do pronto-socorro municipal.
A denúncia foi feita com base nas declarações desse empresário, que era prestador de serviços para a Beneficência Hospitalar de Cesário Lange. A reportagem falou com ele pelo telefone, que disse que resolveu fazer a denúncia por "cansar de ver pessoas morrendo" .
Reunião
Na declaração registrada em cartório, ele cita que participou da reunião na UPA (Unidade de Pronto Atendimento) de Tatuí, em 8 de julho, quando o secretário municipal de Governo de Birigui, Paulo Henrique Marques de Oliveira, teria entregue a Zingareli, advogado da Beneficência Hospitalar de Cesário Lange, cópia do edital do chamamento público, antes mesmo de ele ser publicado.
O advogado também seria sócio-proprietário do Isma (Instituto São Miguel Arcanjo), empresa que foi contratada também emergencialmente pela Prefeitura de Birigui em fevereiro, para ser responsável pela contratação dos médicos que prestavam plantão no pronto-socorro municipal.
Essa empresa manteve o contrato com a Prefeitura até 4 de agosto, quando a BHCL assumiu.
Dinheiro
Ainda de acordo com ele, em 14 de julho, Zingareli enviou para ele um áudio dizendo que estava com o prefeito e com secretários de Birigui em São Paulo e pediu que fizesse uma reserva no restaurante Cór Gastronomia, no bairro Pinheiros.
Na manhã do dia seguinte o advogado teria enviado novo áudio a ele, dizendo que saindo desse restaurante, todos teriam ido a uma casa noturna, onde ele teria “pago uma farra” para o prefeito e secretários.
No mesmo dia, ele teria mandado outro áudio ao denunciante, desta vez pedindo US$ 3 mil dólares. As cópias desses áudios também foram protocoladas na Câmara, junto com o pedido de abertura de investigação.
Já em uma ligação de áudio, Zingareli teria dito ao empresário que esse dinheiro seria para pagar um secretário de Birigui, sem informar o nome desse secretário.
Por fim, o empresário declarou no documento registrado em cartório que duas testemunhas que viram o secretário de Governo de Birigui na UPA de Tatuí em 8 de julho foram mandados embora do trabalho posteriormente, sem motivo.
Viagens
A reportagem apurou que em 13 de setembro a Câmara de Birigui aprovou requerimento do vereador André Fermino (PSDB), solicitando cópias das notas fiscais e dos relatórios de prestação de contas das viagens oficiais do prefeito e dos secretários municipais nos meses de junho, julho e agosto.
No mesmo requerimento foi solicitada a cópia do extrato do gerenciador do pedágio “Sem Parar” , dos mesmos meses, dos veículos utilizados nas viagens de secretários e do prefeito.
A resposta ao requerimento foi enviada ao Legislativo em 30 de setembro, assinada pelo prefeito Leandro Maffeis (PSL), pedindo mais 15 dias de prazo. A justificativa seria pedido da Secretaria Municipal de Saúde, fundamentado na necessidade de levantamento de informações junto ao setor responsável pelo assunto.
Prefeitura
A reportagem enviou novo e-mail à Prefeitura de Birigui na manhã desta quinta-feira solicitando a resposta do e-mail enviado na tarde anterior, questionando sobre a denúncia de suposta fraude no contrato emergencial.
Nesse e-mail também foi informado sobre a nova denúncia constante da declaração registrada em cartório e se a Prefeitura confirma alguma viagem de comitiva da administração municipal a São Paulo nas datas citadas pelo empresário.
Até o final da tarde não houve nenhuma manifestação por parte da administração municipal sobre os assuntos.
Respostas
O provedor da BHCL, Roberto Gonella, informou ao Hojemais Araçatuba que não houve qualquer irregularidade no contrato emergencial entre a entidade e a Prefeitura de Birigui para gestão do pronto-municipal.
