O hacker Patrick César da Silva Brito, de Araçatuba (SP), considerado de alta periculosidade pela Polícia Civil, encaminhou mensagem de voz a este repórter com ameaças, após a invasão das redes sociais do site Hojemais Araçatuba, que teve várias postagens de notícias falsas publicadas por ele entre a noite de quinta-feira (8) e a manhã de sexta-feira (9). Em uma delas, ele faz ameaça contra a vida deste jornalista.
As publicações nas redes sociais do jornal foram feitas por meio de uma conta pessoal do jornalista na rede social Facebook, a qual ele tomou, assim como ele invadiu e tomou um e-mail particular do outlook e está expondo as informações a que teve acesso. A reportagem já recebeu três vídeos produzidos e divulgados por ele, expondo essas informações.
Patrick é considerado foragido da Justiça, em processo no qual é réu por invasão de dispositivo e extorsão contra o ex-prefeito Dilador Borges e a primeira-dama Deomerce Damasceno. No final de 2020 ele tomou e-mails e redes sociais dos dois e passou a cobrar R$ 70 mil, ameaçando expor as informações obtidas caso não recebesse o dinheiro.
Durante o andamento do inquérito, sendo investigado, ele fugiu para a Sérvia e foi preso em Belgrado em dezembro de 2022. Após passar um ano na cadeia, ele ganhou a liberdade, pois o mandado de prisão não é referente a crime cometido naquele país. Ele teve o passaporte recolhido, o pedido de asilo feito pela defesa foi negado, mas permanece aguardando julgamento de recurso.
Nesse período, apesar de a decisão judicial de Araçatuba proibi-lo de ter acesso a redes sociais, o hacker permanece gravando vídeos, inclusive teve participação ativa na campanha eleitoral do ano passado, difamando o então prefeito que havia sido alvo de invasão de dispositivo e extorsão, na tentativa de prejudicar o candidato indicado por ele.
Apagou o Facebook
Em abril de 2024, Patrick enviou um vídeo para este repórter, com ameaças caso fosse publicada qualquer matéria referente a uma tentativa de extorsão feita por ele, ao então vereador Dunga. A matéria foi publicada e, desde então, o hacker passou a perseguir este repórter por meio de mensagens e ameaças.
Além disso, no dia seguinte, uma das mensagens enviadas por ele foi um vídeo de reprodução única, deletando a página pessoal deste repórter no Facebook. Na mesma época, este repórter teve o acesso ao e-mail particular dele restrito, informações que constam em boletim de ocorrência registrado na ocasião.
Matérias
No último dia 30, o Hojemais Araçatuba publicou matéria informando que a Justiça acatou denúncia do Ministério Público local. Patrick passou a ser réu em outro processo, pelos crimes de coação no curso do processo, ameaça, calúnia e injúria cometidos contra dois delegados de polícia e cinco policiais civis de Araçatuba.
Assim como faz com este repórter, após ter o mandado de prisão expedido com relação aos crimes cometidos contra o ex-prefeito Dilador, ele passou a disparar mensagens para os próprios policiais e também para outras pessoas.
Além disso, ele produziu e divulgou um dossiê, no qual afirma que o delegado Carlos Henrique Cotait, que é o responsável pelo inquérito que resultou no mandado de prisão dele, o teria “contratado” para hackear criminosos.
Afastamento de policial civil
Já no último dia 7 de maio, o Hojemais Araçatuba publicou outra matéria informando que um policial civil foi afastado preventivamente do cargo por 180 dias. Desde que passou a ser investigado por suspeita de envolvimento com o hacker, esse policial havia sido transferido para função não relacionada a investigações.
A investigação da Corregedoria da Polícia Civil apontou que ele teria passado informações sigilosas de investigados para Patrick, as quais teriam sido utilizadas para cometer crimes de invasão de dispositivo e extorsão contra essas pessoas.
Uma das vítimas é um médico investigado na Operação Raio-X, do qual o hacker teve acesso à senha do celular, que havia sido apreendido, e chegou a emitir um cartão bancário na conta da vítima, o qual teria utilizado para pagar R$ 6 mil em compras.
Novas ameaças e invasão
Foi depois dessas matérias, que contestam a versão apresentada por Patrick sobre ele ter sido “contratado” pelo delegado, que ele voltou a perseguir esse repórter. Com relação ao novo processo a que ele responde por crimes cometidos contra os policiais civis, quando a reportagem entrou em contato com a defesa dele, ele mandou a defesa encaminhar um áudio, no qual ameaça processar este repórter pela divulgação dessas informações em matéria jornalística.
Já na noite de quinta-feira, um detetive particular de Araçatuba, que também foi investigado pelo mesmo delegado, mandou mensagem no inbox do Instagram do Hojemais Araçatuba, com print da matéria sobre o afastamento do policial e mensagem de injúria contra este repórter.
Na sequência, este repórter recebeu alerta pelo celular, do Facebook, sobre possível invasão, assim como o Google informou o bloqueio de uma tentativa de acesso à conta deste jornalista no Gmail. Logo após esses alertas, a reportagem tomou conhecimento de uma publicação feita nas redes sociais do Hojemais Araçatuba, de notícia falsa contra o delegado.
