Polícia

Após invadir redes sociais do Hojemais Araçatuba, hacker ameaça jornalista

“eu já combinei pra te pegarem na saída do New York Tower, pra te arrebentarem; eu quero você quebrado no chão, entendeu vagabundo; se fosse em qualquer outro lugar, nego já tinha apagado você”

Lázaro Jr.
12/05/25 às 07h04
Alerta do Google informa que tentativa de invasão ocorreu de dispositivo na Sérvia (Foto: Reprodução)

O hacker Patrick César da Silva Brito, de Araçatuba (SP), considerado de alta periculosidade pela Polícia Civil, encaminhou mensagem de voz a este repórter com ameaças, após a invasão das redes sociais do site Hojemais Araçatuba, que teve várias postagens de notícias falsas publicadas por ele entre a noite de quinta-feira (8) e a manhã de sexta-feira (9). Em uma delas, ele faz ameaça contra a vida deste jornalista. 

As publicações nas redes sociais do jornal foram feitas por meio de uma conta pessoal do jornalista na rede social Facebook, a qual ele tomou, assim como ele invadiu e tomou um e-mail particular do outlook e está expondo as informações a que teve acesso. A reportagem já recebeu três vídeos produzidos e divulgados por ele, expondo essas informações.

Patrick é considerado foragido da Justiça, em processo no qual é réu por invasão de dispositivo e extorsão contra o ex-prefeito Dilador Borges e a primeira-dama Deomerce Damasceno. No final de 2020 ele tomou e-mails e redes sociais dos dois e passou a cobrar R$ 70 mil, ameaçando expor as informações obtidas caso não recebesse o dinheiro.

Durante o andamento do inquérito, sendo investigado, ele fugiu para a Sérvia e foi preso em Belgrado em dezembro de 2022. Após passar um ano na cadeia, ele ganhou a liberdade, pois o mandado de prisão não é referente a crime cometido naquele país. Ele teve o passaporte recolhido, o pedido de asilo feito pela defesa foi negado, mas permanece aguardando julgamento de recurso.

Nesse período, apesar de a decisão judicial de Araçatuba proibi-lo de ter acesso a redes sociais, o hacker permanece gravando vídeos, inclusive teve participação ativa na campanha eleitoral do ano passado, difamando o então prefeito que havia sido alvo de invasão de dispositivo e extorsão, na tentativa de prejudicar o candidato indicado por ele.

Apagou o Facebook

Em abril de 2024, Patrick enviou um vídeo para este repórter, com ameaças caso fosse publicada qualquer matéria referente a uma tentativa de extorsão feita por ele, ao então vereador Dunga. A matéria foi publicada e, desde então, o hacker passou a perseguir este repórter por meio de mensagens e ameaças.

Além disso, no dia seguinte, uma das mensagens enviadas por ele foi um vídeo de reprodução única, deletando a página pessoal deste repórter no Facebook. Na mesma época, este repórter teve o acesso ao e-mail particular dele restrito, informações que constam em boletim de ocorrência registrado na ocasião.

Matérias

No último dia 30, o Hojemais Araçatuba publicou matéria informando que a Justiça acatou denúncia do Ministério Público local. Patrick passou a ser réu em outro processo, pelos crimes de coação no curso do processo, ameaça, calúnia e injúria cometidos contra dois delegados de polícia e cinco policiais civis de Araçatuba.

Assim como faz com este repórter, após ter o mandado de prisão expedido com relação aos crimes cometidos contra o ex-prefeito Dilador, ele passou a disparar mensagens para os próprios policiais e também para outras pessoas.

Além disso, ele produziu e divulgou um dossiê, no qual afirma que o delegado Carlos Henrique Cotait, que é o responsável pelo inquérito que resultou no mandado de prisão dele, o teria “contratado” para hackear criminosos.

Afastamento de policial civil

Já no último dia 7 de maio, o Hojemais Araçatuba publicou outra matéria informando que um policial civil foi afastado preventivamente do cargo por 180 dias. Desde que passou a ser investigado por suspeita de envolvimento com o hacker, esse policial havia sido transferido para função não relacionada a investigações.

A investigação da Corregedoria da Polícia Civil apontou que ele teria passado informações sigilosas de investigados para Patrick, as quais teriam sido utilizadas para cometer crimes de invasão de dispositivo e extorsão contra essas pessoas.

Uma das vítimas é um médico investigado na Operação Raio-X, do qual o hacker teve acesso à senha do celular, que havia sido apreendido, e chegou a emitir um cartão bancário na conta da vítima, o qual teria utilizado para pagar R$ 6 mil em compras.

Novas ameaças e invasão

Foi depois dessas matérias, que contestam a versão apresentada por Patrick sobre ele ter sido “contratado” pelo delegado, que ele voltou a perseguir esse repórter. Com relação ao novo processo a que ele responde por crimes cometidos contra os policiais civis, quando a reportagem entrou em contato com a defesa dele, ele mandou a defesa encaminhar um áudio, no qual ameaça processar este repórter pela divulgação dessas informações em matéria jornalística.

Já na noite de quinta-feira, um detetive particular de Araçatuba, que também foi investigado pelo mesmo delegado, mandou mensagem no inbox do Instagram do Hojemais Araçatuba, com print da matéria sobre o afastamento do policial e mensagem de injúria contra este repórter.

Na sequência, este repórter recebeu alerta pelo celular, do Facebook, sobre possível invasão, assim como o Google informou o bloqueio de uma tentativa de acesso à conta deste jornalista no Gmail. Logo após esses alertas, a reportagem tomou conhecimento de uma publicação feita nas redes sociais do Hojemais Araçatuba, de notícia falsa contra o delegado.

Mensagem trocada entre o detetive particular e o hacker, se passando pelo Hojemais Araçatuba, em postagem feita no Facebook do jornal

Apagadas

Como essas publicações foram feitas por meio do Facebook deste jornalista, foi possível apagá-las assim que houve conhecimento da invasão. Porém, durante a madrugada e até o início da manhã, várias outras postagens foram feitas e apagadas, até que esse Facebook invadido foi desvinculado e deixou de ter acesso às redes sociais do jornal.

Ao verificar o alerta de tentativa de invasão feito pelo Google, foi constatado que ela ocorreu por meio de dispositivo que se encontrava na Sérvia. Além disso, no início da manhã, Patrick enviou três áudios para este repórter, o primeiro, acusando-o de perseguição, ameaçando processo. Ele afirma ainda que o que ele fez até agora, foi só o começo: “eu não tenho perfil de caça, eu tenho perfil de caçador. Eu estou apenas começando e vou submetê-lo a um escrutínio (exame minucioso), que você jamais terá visto. O que você está experimentando é só um aperitivo”

A segunda mensagem são injúrias e difamações e a terceira, a ameaça contra a integridade física deste jornalista: “eu já combinei pra te pegarem na saída do New York Tower, pra te arrebentarem; eu quero você quebrado no chão, entendeu vagabundo; se fosse em qualquer outro lugar, nego já tinha apagado você” . O New York Tower é a sede do Hojemais Araçatuba.

Transcrição da mensagem com a ameaça contra o jornalista

Vídeos

Após essas mensagens, Patrick divulgou dois vídeos em grupos de WhatsApp, confirmando que está de posse do Facebook e do e-mail particular deste jornalista e expõe dados e senhas pessoais. Um terceiro vídeo ele encaminhou diretamente a este repórter, já na noite de sexta-feira, pelo aplicativo WhatsApp, com a mensagem:  "hacker entrega Lázaro”,  expondo os contatos profissionais que constam no e-mail hackeado.

Todas essas informações já foram comunicadas à polícia para as devidas providências. O advogado Daniel Madeira, que representa Patrick em outros processos, deixa claro que o policial civil afastado, que também é representado por ele, não tem qualquer relação com as invasões e os ataques feitos por Patrick contra o Hojemais Araçatuba e contra este repórter. 

Dever da imprensa

A reportagem deixa claro que não há nem nunca houve qualquer tipo de perseguição contra Patrick e que apenas cumpre com o seu dever, de informar. Ele é considerado foragido da Justiça de Araçatuba por um crime grave, cometido contra a autoridade maior do município.

Além disso, o hacker já confessou esse crime à polícia, assim como assumiu a autoria de outros vários crimes à polícia e publicamente, por meio de entrevistas e vídeos que divulgou, assim como confessou os crimes cometidos contra este repórter, que são gravíssimos, por fazer publicações falsas em um veículo de imprensa, tentando se passar por ele.

É dever da imprensa informar a verdade e as ameaças precisam vir a público para que providências sejam tomadas enquanto ele permanece em território internacional, livre para continuar fazendo novas vítimas.

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