Polícia

Nome de hacker de Araçatuba é incluído na Difusão Vermelha da Interpol

“Este extrato do Aviso foi aprovado para divulgação pública. Se você tiver alguma informação, entre em contato com a polícia nacional ou local”

Agência Trio Notícias
11/06/26 às 17h06
Nome de Patrick foi incluído na lista vermelha da Interpol (Foto: Reprodução)

O nome do hacker Patrick Cesar da Silva Brito, de Araçatuba (SP), foi incluído nesta semana na Difusão Vermelha (ou Red Notice) da Interpol, polícia internacional. A foto com o nome e demais informações relacionadas ao hacker podem ser acessadas neste link .

Na publicação consta que ele é acusado de incitação ao crime, perseguição, lesão corporal, coação durante o curso do processo, ameaça, calúnia, insulto, coação durante processos judiciais, crime de ameaça, crime de calúnia e crime de insulto, extorsão e intrusão em dispositivos de informática.

Abaixo, consta a mensagem: “Este extrato do Aviso foi aprovado para divulgação pública. Se você tiver alguma informação, entre em contato com a polícia nacional ou local” .

Alerta

A própria Interpol explica que um Alerta Vermelho é uma solicitação às autoridades policiais de todo o mundo para localizar e prender provisoriamente uma pessoa, aguardando extradição, entrega ou ação legal semelhante. “Baseia-se em um mandado de prisão ou ordem judicial emitida pelas autoridades judiciais do país solicitante. Os países membros aplicam suas próprias leis para decidir se devem prender uma pessoa” , informa.

Patrick está na Sérvia, onde já esteve preso por um ano entre dezembro de 2022 e dezembro de 2023, após ter sido capturado pela própria Interpol, em cumprimento a mandado de prisão preventiva expedido pela Justiça de Araçatuba.

Na ocasião, ele respondia a processo por invasão de dispositivo e extorsão contra o ex-prefeito de Araçatuba, Dilador Borges (PSD), e a esposa dele, Deomerce Damasceno. Como a legislação daquele país não permite que uma pessoa fique presa por mais de um ano por um crime que não foi cometido no território nacional, ele teve o direito à liberdade, mas teve o passaporte recolhido e permanece aguardando decisão sobre pedido de extradição.

Mandados

Além de já ter sido condenado a 9 anos e 3 meses de prisão pela Justiça de Araçatuba nesse processo relacionado ao ex-prefeito e à esposa dele, com a manutenção do mandado de prisão, Patrick foi denunciado em pelo menos outros três processos que já foram aceitos pela Justiça, que decretou novas prisões preventivas.

Para a Justiça, há fortes elementos que apontam que ele continua, em tese, descumprindo a medida cautelar de não utilizar a internet e a ameaçar autoridades e pessoas atuantes nos processos criminais, mesmo foragido em outro país e com prisão preventiva decretada e com processo de extradição em andamento. Assim, ao expedir os novos mandados de prisão, a Justiça de Araçatuba mandou comunicar a Interpol, que é a polícia internacional, para inserção em Difusão Vermelha.

Policiais

Um dos mandados de prisão é referente ao processo em que ele é réu desde abril de 2025, por ameaça, perseguição, calúnia e injúria contra vários policiais civis de Araçatuba. Nesse caso, a Justiça acatou o pedido da Polícia Civil, depois que o hacker enviou e-mails ao Judiciário de Araçatuba, com ameaças a autoridades responsáveis pela Segurança Pública do Estado e contra o próprio governador Tarcísio de Freitas (Republicanos).

O réu não concordou com a decisão do comando da Polícia Civil, que reconduziu o delegado de polícia Carlos Henrique Cotait ao cargo de Delegado Divisionário da Deic (Divisão Especializada de Investigações Criminais) de Araçatuba. Ele alega que o delegado o teria cooptado para hackear ilegalmente alvos de investigação policial. Porém, apuração realizada pela Corregedoria da Polícia Civil foi arquivada por não ser comprovada a denúncia.

Coação

Outro mandado de prisão preventiva foi expedido pela Justiça de Araçatuba ao aceitar denúncia contra o hacker por coação no curso do processo e injúria, crimes cometidos contra funcionários públicos ou autoridades. Ele recusou ser citado de processos em andamento ao acessar espontaneamente o Balcão Virtual do TJ-SP (Tribunal de Justiça de São Paulo) relacionado à UPJ (Unidade de Processamento Judicial) das 1ª a 3ª Varas Criminais de Araçatuba.

Por fim, Patrick teve a prisão preventiva decretada no processo que responde por ter feito ameaças ao juiz de direito de Araçatuba que o condenou na ação penal que tem como vítimas o ex-prefeito Dilador e a esposa dele. Após a sentença ser publicada, ele divulgou vídeos contestando a condenação, no qual expôs imagens do magistrado, de familiares dele e também do local onde eles residem.

Extradição

Nesta semana a reportagem encaminhou e-mail para a assessoria de imprensa do Ministério da Justiça e Segurança Pública pedindo informações sobre o andamento do pedido de extradição de Patrick. O ministério confirmou que é a Autoridade Central para a Cooperação Jurídica Internacional, inclusive para os processos de Extradição, Transferência de Pessoa Condenada e Transferência de Execução da Pena, papel exercido por meio do Departamento de Recuperação de Ativos e Cooperação Jurídica Internacional, da Secretaria Nacional de Justiça.

Porém, explicou que informações específicas sobre pedidos de extradição, solicitações de acesso devem ser direcionadas à autoridade responsável pela investigação ou pelo processo judicial que fundamenta o pedido. “Dessa forma, informações detalhadas sobre casos concretos devem ser solicitadas diretamente ao órgão requerente competente, seja ele autoridade policial, do Ministério Público ou do Poder Judiciário” , informou.

A reportagem também procurou a Embaixada do Brasil na Sérvia, que informou que demandas de órgãos de imprensa são centralizadas na Assessoria Especial de Comunicação Social do Ministério das Relações Exteriores, que por sua vez, informou que o órgão responsável por cooperação jurídica internacional, na estrutura do Estado brasileiro, é o Ministério da Justiça e Segurança Pública.

Defesa

A reportagem encaminhou mensagem a um escritório de advocacia do Rio de Janeiro que representa Patrick em algumas ações criminais, perguntando se pode ser tomada alguma providência diante da inclusão do nome dele na Difusão Vermelha da Interpol e ainda aguarda resposta.

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