Luta
Segundo o indiciado, nesse momento Cunha saiu correndo em direção à subestação de energia elétrica existente no local. Ele aproveitou, foi até o carro, pegou a pistola dele e correu atrás do gerente, que foi alcançado.
Houve nova luta corporal, e durante a briga, o indiciado disse que caiu no chão. Nesse momento, o gerente já estaria com a pistola dele, por isso, atirou duas vezes contra a vítima na região da barriga ou do peito.
Ainda de acordo com o indiciado, mesmo ferido o gerente o perseguiu com a arma. Eles novamente entraram em luta, mas conseguiu imobilizá-lo, de bruços, e atirou novamente.
Após os disparos, o guarda disse que foi até o carro, pegou o celular da vítima e levou até um matagal, onde o deixou, junto com um fone de ouvido.
Chaves
Ele também contou que tirou as chaves do veículo e jogou junto com as do posto em um matagal do outro lado da rua. Assim que chegou na cena do crime, o acusado foi até esse matagal e pegou algumas as chaves, que ainda estavam lá.
O indiciado disse que deixou o local caminhando em direção à rodovia, mas como viu uma pessoa com uma bicicleta, decidiu voltar. Então, ele seguiu pela cidade mesmo até a sede da Guarda Municipal, na rua Nove de Julho, onde tomou banho e depois foi para casa.
A mochila dele com um par de calçados e as roupas que trocaria após o banho teriam ficado no carro e não foram encontradas.
Inquérito
O delegado informou que, em depoimento que prestou quando já estava preso, o acusado alegou que procurou a vítima para conversarem sobre atitudes para com a namorada dele no ambiente de trabalho, que estaria sendo maltratada.
Ele já estava armado, mas o gerente o surpreendeu com uma pistola, fez com que se desarmasse e entrasse no carro e fossem ao local do crime, que é a versão apresentada na reconstituição, última diligência policial.
Segundo a polícia, a suposta arma que estaria com a vítima não foi encontrada. O indiciado disse que a jogou no ribeirão Baixotes, versão que a polícia não acredita.
Apesar da confissão, a investigação encontrou diversas contradições no interrogatório do guarda municipal, ao confrontá-lo com as provas matériais que haviam sido reunidas.
O inquérito será relatado na próxima semana, quando termina o prazo da prisão temporária, que já foi prorrogada uma vez.
“Aguardamos um ou outro laudo, mas o que temos é conclusivo. Ele confessou o crime e vamos analisar o que foi demonstrado na reconstituição para ver o que convergiu ou divergiu do depoimento”, explicou.
Defesa
O advogado Elber Carvalho de Souza reforçou que em nenhum momento o cliente dele teve a intenção de matar a vítima.
Porém, como assumiu o caso recentemente, vai aguardar a conclusão do inquérito para analisar a tese da defesa. “A reconstituição é importante para apurar a dinâmica dos fatos. Vamos analisar o inquérito para entrar com os recursos cabíveis”, explicou Souza.
A advogada da esposa da vítima também foi ao local da reconstituição, porém, como o caso corre em segredo de Justiça, ela não pode acompanhar os trabalhos.
