Um professor de spinning, cuja identidade será preservada, de 27 anos, afirma ter sofrido injúria racial de um médico de 57 anos. Ambos residem em Araçatbua (SP) e o caso ocorreu no dia 27 de dezembro, em um clube da cidade.
Dois boletins de ocorrência foram registrados na delegacia; um pelo professor, que acusa o médico de injúria racial e lesão corporal leve; e outro pelo médico, por ameaça.
A reportagem teve acesso aos dois documentos, conversou com a advogada do professor, Letícia Mendes, e tentou contato com o médico, que por sua vez estaria em uma viagem internacional e retornaria apenas em fevereiro.
Som
De acordo com o profissional de educação física, que conversou com a reportagem na presença da advogada, naquele dia ele estava ministrando aula de spinning nesse clube da cidade, onde o médico é sócio.
Segundo o professor, o médico teria invadido a aula, exaltado, pedindo que o som fosse abaixado. Ele teria explicado que a sessão estava acabando e que ele aguardasse. A vítima, nesse caso, ressalta que nas aulas dessa modalidade as músicas geralmente são executadas em um volume alto e a sala tinha proteção acústica.
Explicou
O instrutor ainda conta que depois que a aula terminou, procurou o sócio para explicar que não poderia abaixar o som, pois faz parte da atividade, e o orientou a conversar diretamente com a diretoria do clube.
Para a polícia e para a reportagem, o professor contou que o médico, mesmo na presença de outros associados, começou a empurrá-lo e dar chutes, xingando-o de “preto, palhaço, quem era ele, que era só um funcionário”. Teria dito ainda outras ofensas que constam no BO.
Versão do médico
A reportagem ligou para o local onde o médico atende em Araçatuba, mas foi informada que ele estava em viagem e não havia autorização para passar telefone e e-mail particulares. Portanto, a versão do médico foi baseada apenas no BO registrado no dia 27 por ele, que acusa o professor de ameaçá-lo.
Para a polícia, ele contou que estava na academia fazendo musculação e se sentiu incomodado com o ‘som ensurdecedor’ que vinha da sala de spinning. Que mesmo com o reforço acústico, o volume da música estava alto e tirando a concentração de todos que estavam no espaço.
O médico contou que foi até à sala duas vezes e disse ao instrutor que o som estava causando desconforto. Ele relata que na primeira vez foi ignorado e que na segunda, o instrutor disse que a aula estava terminando.
O sócio disse no BO que voltou para a aula de musculação, mas teria sido interrompido pelo professor, que teria apontado o dedo para a face dele, dizendo que se tivesse alguma reclamação, que fosse feita para a diretoria, para não atrapalhar a aula dele.
O declarante disse que não esboçou reação, somente ouviu o que o professor estava dizendo e fez um gesto para que o professor retirasse o dedo apontado. Ele conta que acabou ocorrendo um desentendimento entre eles e o instrutor falou: “isso não vai ficar assim, você vai ver o que vai lhe acontecer”.
Trabalho
O professor conta que além da injúria e lesão, sofreu com danos trabalhistas provocados pela situação. Para a reportagem, ele e a advogada disseram que o instrutor pediu um posicionamento da empresa, pois ele estava com medo de voltar a frequentar o ambiente, e foi dito a ele para esperar até o dia 30 de dezembro.
No dia 29, o administrativo do clube entrou em contato por mensagem de aplicativo, perguntando quando o profissional voltaria. Ele respondeu no dia 30, pedindo uma posição e contou que havia ficado sabendo que o clube estava procurando outro professor.
