Polícia

Reconstituição de duplo homicídio no Primavera ajuda a polícia esclarecer dúvidas

Acusado de mandar matar a mãe e o padrasto, e o acusado de ter recebido R$ 700,00 para cometer os crimes, participaram dos trabalhos nesta quarta-feira

Lázaro Jr. - Hojemais Araçatuba
18/01/23 às 16h16

A Polícia Civil de Araçatuba (SP) realizou na manhã desta quarta-feira (18), a reconstituição do duplo assassinato ocorrido na noite da última sexta-feira (14) no bairro Primavera, tendo como vítimas Magali Cantarani Luz, 61 anos, e o companheiro dela, Lourival Aparecido Poletti, 56.

O caso foi esclarecido na manhã de sábado, com a prisão do filho de Magali, Daniel Cantarani Sorrentino, 36, que confessou ter planejado os assassinatos e contratado Renato Balbino de Souza, 37, para executar o plano.

O casal foi morto com golpes de cabo de machado. O próprio filho chamou a polícia alegando ter encontrado a mãe ferida na garagem após sair para comer paster. O corpo do padrasto dele estava no porta-malas de um carro que estava na garagem.

Os acusados disseram que pretendiam levar os corpos para o ribeirão Baguaçu e atear fogo. Um galão com gasolina foi encontrado na frente da casa, na calçada oposta. Como os investigados ainda não possuem advogado constituído, um profissional da área foi convidado pela polícia para acompanhar os trabalhos.

Segurança

Como os dois participaram da reconstituição, foi montado um grande esquema de segurança, composto por guardas municipais, policiais civis e militares. Por volta das 9h30, equipes do Instituto de Criminalística já estavam na residência, que fica na rua José Xavier Couto. Um buquê de flores foi deixado por alguém amarrado no portão do imóvel.

O carro onde o corpo de Poletti foi encontrado no porta-malas permanece na garagem e a Polícia Científica usou um boneco para simular o cadáver durante a reconstituição. Uma mulher que acompanhava a movimentação foi convidada a fazer o papel de Magali.

Trabalhos

O primeiro a apresentar a versão dos fatos foi Souza. Como havia declarado em depoimento, ele mostrou que chegou de bicicleta, carregando um galão com gasolina, parou na calçada oposta, debaixo de uma árvore, onde permaneceu aguardando as instruções do contratante.

Ao receber o “sinal verde” ele entrou na casa, ainda com a bicicleta, mas deixou o galão na rua. Não foi possível acompanhar os trabalhos dentro do imóvel. Após cerca de duas horas ele foi colocado de volta na viatura.

Depois foi a vez de Sorrentino mostrar a versão dele dos fatos, o que foi feito apenas no interior do imóvel. Em aproximadamente uma hora os trabalhos foram concluídos e o investigado também foi levado de volta para a cadeia de Penápolis, onde aguardará decisão da Justiça.

Esclarecimentos

Em entrevista coletiva ao término da reconstituição, o delegado da DIG/Deic (Delegacia de Investigações Gerais da Divisão Especializada de Investigações Criminais), José Abonízio, explicou que os trabalhos foram importantes para esclarecer pequenas divergências que existiam com relação ao que havia sido dito em depoimento pelos investigados.

“A gente consegue verificar que as dissonâncias sevem para álibi de um, tentativa de eximir das responsabilidades o outro", explicou. 

Força-tarefa

Segundo o delegado, uma força-tarefa no Secold (Setor Especializado de Combate aos Crimes de Corrupção, Crime Organizado e Lavagem de Dinheiro) está sendo realizada. A polícia já teve a autorização para acesso ao conteúdo dos celulares dos investigados e estão sendo elaborados os relatórios para conclusão do inquérito, que deve ser relatado em breve à Justiça.

O delegado informa que a polícia segue trabalhando com as versões de motivação dos crimes alegadas pelas partes em depoimento. Uma versão é do contratado, que disse que o filho alegava que o casal não aceitava a condição de homossexual dele e que não gostava que ele saía de casa para as noitadas.

A versão comum dos dois é de que padrasto brigava com a mãe de Sorrentino e por isso, ao vê-la adoecendo, ele teria resolvido matar os dois. Entretanto, segundo Abonízio, não é descartada outras possíveis motivações, inclusive de cunho financeiro. Porém, isso ainda está em investigação.

Presa

Com relação à mulher que foi presa acusada de fornecer os medicamentos controlados que vinham sendo oferecidos ao casal pelo filho, para tentar provocar um infarto, ela também segue presa. O delegado confirmou haver indícios de que ela também atuou como autora intelectual dos assassinatos.

Ela, que trabalhava no mesmo mercado onde Souza trabalhava, não participou da reconstituição por não ter estado no local do crime naquela noite. “Ela fez a parte de mentoria e prestou apoio material fornecendo medicamentos”, concluiu.

Os acusados de participação direta nos crimes foram indiciados por homicídio com cinco qualificadoras e a mulher com quatro. Eles devem ser enviados para julgamento pelo Tribunal do Júri.

Daniel Cantarani Sorrentino é acusado de ter encomendado a morte da mãe e do padrasto (Foto: Lázaro Jr./Hojemais Araçatuba)
Renato Balbino (sentado) confessou ter sido contratado para cometer os crimes (Foto: Lázaro Jr./Hojemais Araçatuba)
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