Política

Após polêmica em Penápolis, projeto que proíbe banheiros multigêneros é proposto em Araçatuba

Vereador Lucas Zanatta (PL) diz que protocolou projeto após ser procurado por eleitores preocupados com o assunto devido ao debate em Penápolis

Aline Galcino - Hojemais Araçatuba
26/04/22 às 18h07
Zanatta diz que defende o respeito à tradição moral, sem imposições de um grupo a qualquer custo (Foto: Angelo Cardoso/Câmara de Araçatuba)

Após a polêmica em Penápolis (SP) , projeto que proíbe a instalação de banheiros multigêneros (que podem ser usados tanto por homens quanto por mulheres), em espaços públicos e privados, foi protocolado em Araçatuba.  

De autoria do vereador Lucas Zanatta (PL), o texto considera espaços públicos ruas, avenidas, praças, parques, estações de trem, terminais de ônibus, bem como edifícios públicos, instituições de ensino municipais, hospitais, dentre outros; e centros comerciais, instituições financeiras, instituições de ensino particulares, shopping center(s), restaurantes, supermercados, dentre outros estabelecimentos, como espaços privados.

A propositura, no entanto, autoriza o uso de forma alternada e individual deste ambiente sanitário por homens e mulheres, respeitando sua privacidade, nos estabelecimentos em que não seja possível a instalação de banheiros específicos para cada gênero. Também assegura a pais e responsáveis por crianças, pessoas com necessidades especiais e idosos, o uso simultâneo dos banheiros, respeitando-se as leis que asseguram a proteção e assistência a essas pessoas.

A multa é de R$ 4 mil em caso de descumprimento, suspensão da atividade por cinco dias úteis, sem prejuízo da aplicação da multa, na segunda reincidência, e até cancelamento de alvará de funcionamento.

Justificativa

Na justificativa, Zanatta diz que o projeto tem o objetivo de preservar o direito constitucional à privacidade e a prevenção da ocorrência de crimes contra a dignidade sexual, a liberdade sexual e outros crimes sexuais contra vulneráveis.

“Banheiros, toaletes e vestiários são espaços em que se demanda o maior grau de segurança e de privacidade. Assim, a criação de banheiros “multigêneros” ou “unissex” configuram uma ameaça aos usuários, especialmente crianças, adolescentes e mulheres, pois não há como impedir que oportunistas frequentem esses locais”, explica.

No texto, o vereador afirma que o uso de banheiros e espaços assemelhados no Brasil, na modalidade unissex não diminuirá os casos de hostilização, humilhação e outros tipos de violência contra a população LGBTQIA+. “Precisamos de fato trabalhar o respeito e a diversidade de forma delicada e sensível, prioritariamente pelos pais e pela família, e não por uma imposição como de costume estão fazendo”, complementa.

Banheiro multigênero do McDonald’s, em Bauru, foi alvo de polêmica recente (Foto: Twitter/reprodução)

Preocupação

À reportagem, o vereador disse que propôs o projeto após ser procurado por eleitores preocupados com a implantação de banheiros multigêneros no município, pois há informações de projetos em andamento. O tema, segundo ele, passou a ser debatido após o projeto protocolado em Penápolis.

“É uma questão de segurança. O que um pai vai pensar ao ver a filha dele entrar num banheiro e depois ver um homem entrando atrás? Ou uma mulher ao se deparar com um homem no mesmo espaço? É um constrangimento. Banheiro é um local de intimidade, não estamos falando de uma sala de estar. É um assunto sério e o povo trata como se fosse brincadeira”, defendeu.

A preocupação maior, segundo Zanatta, é de uma situação dessas numa escola por exemplo. “É aquela questão da erotização precoce, de tirar da criança o pudor. Infelizmente temos muitos casos de crianças abusadas por adolescentes. Como se controla um negócio desses com um banheiro para todos?”

O parlamentar diz que defende o respeito à tradição moral, sem imposições de um grupo a qualquer custo. “Isso (banheiros multigêneros) é uma militância de um grupo. Por que não se propõe um terceiro banheiro? Porque a militância trabalha com pauta ideológica e quer afrontar”.

Até o fim

Diferente do vereador Altair Reis (Cidadania) que recuou e retirou o projeto em Penápolis, Zanatta afirma que defenderá seus ideais até o fim. “Encarei o Escola sem Partido, que era muito mais difícil, que envolvia educação. Esse (tema) é de fácil percepção o absurdo de que se trata”.

O projeto ainda vai passar pelas comissões e pelo Jurídico da Câmara, para depois ser levado ao plenário.

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