A atuação de homens como agentes escolares na rede municipal de ensino de Araçatuba (SP) gerou grande discussão na sessão da Câmara dos Vereadores desta segunda-feira (14), com a leitura de requerimento de Lucas Zanatta (PV) sobre o assunto.
O vereador do PV quer saber se há algum plano para adequar administrativamente as funções de dar banho e trocar fraldas e roupas de bebês e crianças, de modo a respeitar e garantir as preferências de pais e mães, os quais são os maiores interessados no assunto.
Zanatta disse que não iria discutir a legalidade da lei e fez meia culpa por ter participado da aprovação do projeto sem ter se questionado sobre as funções a serem desempenhadas por ambos os sexos. No entanto, lembrou que das 26 atribuições do cargo, apenas cinco estão relacionadas à polêmica.
Para o vereador é um erro tratar os pais que são contrários à medida como preconceituosos, pois “são os pais que têm direitos e obrigações legais sobre os filhos”, e ressaltou que a situação ainda vai gerar muitos conflitos. Como exemplo, citou a ameaça sofria por uma diretora de escola e que foi registrada na Polícia Civil.
Reunião
Cláudio Henrique da Silva, o professor Cláudio (PMN) foi o primeiro a falar sobre o tema para informar que uma reunião foi marcada para esta terça-feira (15) entre a Educação e a Comissão de Educação da Câmara, da qual ele faz parte. “Vou propor uma ideia para resolver o problema”, adiantou, lembrando que não se pode fazer concurso público exigindo apenas homens ou mulheres para alguma função.
Antônio Edwaldo Dunga Costa (DEM), Carlos Roberto Santana, o Carlinhos do Terceiro (SD) e Gilberto Carlos Mantovani (PL) disseram que jamais deixariam suas filhas ou netas serem cuidadas por homens.
“É inadmissível crianças menores sendo banhadas por homens”, disse Dunga falando em inversão de valores.
Prevenção
Carlinhos do Terceiro, que trabalha na Polícia Civil, lembrou que todos os dias o IML (Instituto Médico Legal) recebe crianças que foram abusadas. “Se temos uma situação que é de prevenir, para que não aconteça, por que não fazer? (...) Eu tenho seis netas e duas filhas e particularmente não gostaria de ver um homem dando banho ou trocando fraldas delas (...) tenho orgulho de dizer que sou avô e pai, mas eu nunca dei banho nas minhas filhas e nas minhas netas. E não faço e nem coloco no colo.”
A vereadora Beatriz Nogueira (Rede) ressaltou a falta de formação, já que o cargo exige apenas o ensino médio e afirma que, na época, alertou o Executivo para o problema que poderia surgir.
Iguais
Almir Fernandes Lima (PSBD) se ateve apenas à parte legal da medida, lembrando que homens e mulheres são iguais em direitos e obrigações e que o prefeito (Dilador Borges – PSDB) não poderia editar uma norma proibindo homens de exercerem tal função, ao mesmo tempo que mulheres que estão no mesmo cargo poderiam se recusar a ficar com essa tarefa apenas para elas.
A discussão foi acompanhada por um grupo de mães, que exibia cartaz pedindo providências sobre o assunto.