Política

Câmara de Birigui cria CEI para apurar denúncia de compra de óleo lubrificante

Assinado por oito vereadores, pedido de instauração da Comissão Especial de Inquérito foi acatado automaticamente, sem votação em Plenário

Aline Galcino - Hojemais Araçatuba
09/08/22 às 23h20

*Texto atualizado

A Câmara de Birigui (SP) aprovou na sessão desta terça-feira (9) a criação de uma CEI (Comissão Especial de Inquérito) para apurar denúncia envolvendo a Secretaria de Serviços Públicos nas compras de óleo lubrificante.

Além da aquisição, que seria feita de uma única empresa, sem notas fiscais e sem controle de utilização, não estaria sendo realizada qualquer cotação para a compra dos produtos. O Executivo teria sido comunicado do fato, porém não teria tomado nenhuma providência até o momento.

O pedido de instauração da investigação é assinado por oito vereadores - Wesley Ricardo Coalhato, o Cabo Wesley (União Brasil), Cleverson José de Sousa, o Tody da Unidiesel (Cidadania), Fabiano Amadeu (Cidadania), José Luiz Buchalla (Patriota), Paulo Sergio de Oliveira, o Paulinho do Posto (Avante), Osterlaine Henriques Alves, a Dra. Osterlaine (União Brasil), Wagner Mastelaro (PT) e André Luis Moimas Grosso, o André Fermino (PSDB). Por ter assinatura da maioria, foi acatado automaticamente, sem votação em Plenário.

Presidente da Casa, Cesinha Pantarotto, sorteia integrantes da comissão (Foto: Reprodução de vídeo)

A denúncia

Conforme documento protocolado pelo “Grupo dos 8” na Casa, na manhã desta terça-feira, em julho, quando a Câmara estava em recesso parlamentar, chegou aos vereadores denúncia de supostas irregularidades na Secretaria de Serviços Públicos em relação à compra de óleo de motor e filtros, cujas aquisições seriam feitas com a utilização de cartões corporativos de uso exclusivo para a frota.

Na manhã de 8 de junho, os vereadores Paulinho do Posto, Wagner Mastelaro, Zé Luis Buchalla e Tody foram até o almoxarifado, na rua Fundadores, e teriam solicitado a presença do secretário-adjunto, Alexandre Boschini de Menezes, que os teria acompanhado na visita.

No depósito, questionaram sobre as notas fiscais dos produtos que estavam em estoque e sobre a maneira como eles eram adquiridos. A informação foi de que teria sido realizado um estudo da frota por uma empresa de Osvaldo Cruz e que as compras passaram a ser feitas exclusivamente com essa empresa.

“Questionado como era feita a compra, informou que era tão somente feito o pedido, sem orçamento e ou qualquer pesquisa em busca do melhor preço. Completando, questionado sobre controle de estoque comprado, informou o secretário adjunto que ninguém fazia o controle, e o material era retirado quando necessário sem qualquer controle. Segundo suas próprias palavras: ‘vou precisando e vou pegando’”, diz trecho do pedido de CEI.

Após as respostas, os vereadores acionaram a Guarda Municipal que elaborou um boletim de ocorrência.

Guarda

No pedido de CEI, o grupo também relata uma demora na comunicação do fato ao Poder Executivo da parte da Guarda Municipal. Após a fiscalização no almoxarifado, os vereadores teriam ido à corporação para retirar cópia da ocorrência e tomarem ciência do curso das investigações, porém teriam sido informados que não havia qualquer providência a respeito.

O comandante da Guarda Municipal foi oficiado para que esclarecesse as reais atribuições da corporação e qual o procedimento a ser seguido em caso de suspeita de ato ilícito. Apenas após esse ofício, em resposta, a GM reiterou que o dever da corporação é o de encaminhar o expediente para a Polícia Civil e para o chefe do Poder Executivo.

Mesmo com a comunicação, o grupo afirma que nenhuma providência foi tomada pela Prefeitura em relação aos fatos narrados, por isso o pedido de investigação.

Integrantes

Foram sorteados para compor a comissão os vereadores: Wagner Mastelaro, Everaldo Santelli (PV), Reginaldo Fernando Pereira, o Pastor Reginaldo (PTB), Dr. Osterlaine e Tody. O grupo irá se reunir para escolher o presidente e o relator, que terão os nomes comunicados à Presidência da Casa.

A comissão tem prazo de 90 dias e amplos poderes para apurar os fatos

Outro lado

A reportagem encaminhou e-mail à Prefeitura questionando um posicionamento acerca da CEI. Também perguntou sobre a veracidade das informações passadas pelo secretário-adjunto, a data de início das negociações com essa empresa de Osvaldo Cruz e o suposto estudo realizado por ela, a morosidade da Guarda Municipal na comunicação da ocorrência à Prefeitura e prazos para este tipo de procedimento.

A Prefeitura informou que recebe com tranquilidade o questionamento levantado, pois, por informações preliminarmente apuradas, todos os processos de compra informados pela Secretaria de Serviços Públicos seguem a regularidade dos termos da lei.

"A abertura da investigação instaurada pelos vereadores dá apenas a oportunidade de mais transparência na divulgação do trabalho executado pela atual gestão da pasta. Temos esperança de que a investigação revele o grande choque de gestão iniciado na atual condução da pasta em comparação com gestões publicamente questionadas no passado", informou em resposta enviada pela assessoria de imprensa.

Ainda segundo o Executivo, todas as questões feitas pela reportagem serão abordadas no âmbito da comissão. O município disse ainda que acredita que "muitas dúvidas erroneamente levantadas serão passadas a limpo. Nosso compromisso é com a transparência e com a correção de quaisquer irregularidades", finalizou.


*Texto editado às 15h55 de 10/08/2022 para acréscimo da resposta da Prefeitura e correção do nome da secretaria envolvida na denúncia, que é a de Serviços Públicos e não Secretaria de Obras e Serviços Públicos conforme consta no documento protocolado na Câmara e publicado erroneamente pelo Hojemais Araçatuba. Pedimos desculpas pelo erro.

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