Política

Felipe Barone promete construir sede própria da Câmara e fazer história

"Meu projeto aqui na Câmara é grande. Quero fazer história aqui, quero fazer o que ninguém fez", disse 

Aline Galcino - Hojemais Araçatuba
07/02/19 às 19h49
Felipe Barone é o mais novo presidente do Legislativo da história de Birigui (Foto: Aline Galcino)

Felipe Barone Brito (PPS), com 21 anos, o vereador mais jovem já eleito em Birigui (SP) e agora o mais novo presidente da Câmara, quer mais feitos importantes. “Estamos enxugando os gastos para fazer o que nenhum presidente (da Câmara) de Birigui fez, que é construir a sede, ter a TV Câmara, um painel eletrônico digital de votação. A gente quer melhorar e modernizar o serviço”, disse.

E os cortes já começaram. Nos bastidores políticos, não se fala em outra coisa senão o contrato de quatro décadas rompido com um grupo de comunicação e o enxugamento dos gastos que ele está propondo.

Felipe Barone garante que não quer nada além da Câmara. Se diz preparado para assumir a Prefeitura, caso haja necessidade, mas o Executivo não é seu foco. “Meu projeto aqui na Câmara é grande. Quero fazer história aqui, quero fazer o que ninguém fez”. Confira os principais trechos de entrevista concedida ao Hojemais Araçatuba :

Na primeira sessão ordinária, o senhor usou a tribuna e falou sobre corte de gastos. O que está sendo feito?

Apesar de não sermos uma Prefeitura ou um Estado, a Câmara tem um bom dinheiro; um duodécimo de R$ 11 milhões é muito dinheiro. A gente gasta grande parte desse dinheiro com folha de pagamento, contratos, viagens, etc., e tudo o que você gasta dá para economizar. Então estamos enxugando os gastos com cortes para fazer o que nenhum presidente da Câmara de Birigui fez, que é construir a sede, ter a TV Câmara e um painel eletrônico digital de votação. A gente quer melhorar e modernizar o serviço, dar dignidade para a Câmara e pagar tudo isso.

Essa atitude gerou embates?

Tudo na política é debatido. Somos 17 vereadores e 17 cabeças nunca vão pensar iguais, mas nunca passou de debate. Tem muita gente que confia no nosso trabalho. É um choque porque tem contratos muito antigos aqui, contratos grandes que a Câmara se acostumou a pagar e eu acho errado.

Dá para citar um exemplo?

Eu fiz um comunicado de rescisão de contrato com uma rádio do grupo Sabioni. Eu só consigo puxar dados dos últimos dez anos da Câmara, mas segundo o grupo, foram 45 anos de parceria. Então eu falei que não dava mais. Não é porque faz 45 anos que está errado que vai continuar errado.

Por que errado?

Pelo valor; era absurdo. R$ 4.126,18 por sessão ordinária e mais de R$ 900 por hora em extraordinária. Muita gente não tem noção de valor. Eu sou curioso. Eu viajo para outras cidades para trazer para a nossa o que está dando certo. Viajei para Lins e vi que a rádio lá, por sessão, recebia R$ 250. E a gente gastava mais de R$ 4 mil. São pelos menos três sessões por mês, então acho que é um custo elevadíssimo. Ficamos agora apenas com a transmissão pela TV Noroeste Digital e pelo canal da Câmara no YouTube.

Esses contratos também serão revistos?

Nunca foi minha ideia cortar o contrato. Eu não quero acabar com a TV, eu quero economizar esse dinheiro. A internet tem mais potencial do que a rádio e tevê e é muito mais barata. É também um meio mais sensato, mais moderno e tem a interação. No rádio e na tevê, a gente manda a informação. Eu não tenho medo de represália, de opinião e crítica, eu gosto disso. No Facebook e YouTube têm a reação das pessoas, curtidas, comentários, críticas e eu acho isso bem interessante, está mais perto da população. Vamos atualizar o Facebook e, se conseguirmos o resultado que a gente espera, vamos tomar uma decisão.

E a TV Câmara que o senhor citou?

Se fosse o único objetivo a TV Câmara a gente conseguiria, mas é muito dinheiro também. Primeiro eu quero priorizar a construção da Câmara, do prédio próprio. Tem dinheiro e Birigui merece. Com esses cortes que eu estou fazendo, vai sobrar bastante dinheiro.

Quanto o senhor espera economizar?

Não consigo dizer porque ainda não revi todos os contratos. No ano passado a gente devolveu R$ 2,7 milhões, só que teve compra de veículos, custeio de viagem. A economia agora vai ser maior. Pode ser que o valor devolvido seja menor, porque grande parte eu vou usar para fazer o prédio, mas vai ter devolução. O prédio a gente consegue fazer com o que já sobra e os cortes que estou fazendo serão revertidos para a população.

"Eu não vou defender ninguém

e não vou acusar ninguém sem provas,

eu vou acolher quem tiver certo

e quem tiver errado

felizmente vai ter que pagar na Justiça."

Mesa diretora eleita para o biênio 2019-2020 (Foto: Aline Galcino)

Onde será o prédio, já está definido?

Estamos analisando. Temos o terreno que é da Câmara, na avenida Youssef Mansour, no Alto do Silvares, mas estamos fazendo estudos ainda.

E o projeto que foi feito?

O projeto de certa forma é faraônico. Mais de R$ 8 milhões seriam gastos, isso naquela época. Estou pensando numa forma legal para denunciar o projeto. Denunciar no direito é não tomar ele como atual, poder fazer outro projeto para ser mais em conta, porque ao meu ver, o projeto é inexequível. A devolução do ano passado foi de R$ 2,7 milhões e a gente vai fazer algo de R$ 8 milhões? Não cabe.

E o antigo Centro de Formação do Professor que chegou a ser citado como ideal para a sede da Câmara?

A obra também seria muito cara e o prefeito Cristiano Salmeirão (PTB) se mostrou interessado em deixar aquilo para o município, para que futuramente se faça algo ali. Talvez a Prefeitura mude pra lá.

O senhor continua sendo situação?

Eu era situação porque eu estava vendo um desenvolvimento bom na cidade, estava vendo que coisas estavam sendo feitas, tinha uma proximidade, como ainda tenho, com o prefeito.

Por que usou o verbo no passado?

O presidente não pode ser nem situação nem oposição, ele tem que ser como um juiz, tem que ser neutro. Eu tenho que defender e me ater aos anseios da Câmara de Birigui e é isso que eu estou tentando fazer desde janeiro, quando tomei posse.

Restou rivalidade com a chapa adversária?

Do meu lado não. Não sei se teria alguma oposição à presidência vindo da outra chapa, espero que não, espero que todos possamos trabalhar juntos, pois isso só vai beneficiar a Câmara. Acho que a oposição é sadia, só que de uma forma correta, por meio de críticas, e eu sou uma pessoa que adora receber críticas.

E esse pedido de CP (Comissão Processante)?

Todo projeto que entra na Câmara, todo pedido, todo requerimento passa primeiro pela minha mão e eu encaminho para o jurídico para tomar o conhecimento legal. O jurídico é quem dá o parecer e as opções que a gente pode tomar. E como eu falei na sessão que eu fui eleito presidente, eu não vou defender ninguém e não vou acusar ninguém sem provas, eu vou acolher quem tiver certo e quem tiver errado felizmente vai ter que pagar na Justiça. Provavelmente vai ser colocada para votação (o pedido de CP), mas o plenário é soberano.

Como foi seu ingresso na política?

Eu sempre gostei de política, sempre gostei da articulação, de pensar que com uma assinatura eu poderia ajudar tanta gente de uma vez só. Aos 15 ou 16 anos, naquela fase do que você vai ser quando crescer foi quando decidi. Acho que envelheci uns 30 anos em dois na política. Comecei a fazer Direito pensando na política, pois vi que os políticos que mais dão certo são os que fazem Direito e Economia. Eu pretendo fazer mais cursos futuramente, mestrado, doutorado, acho que informação nunca é demais e educação é essencial. Está faltando isso no meio político.

(Foto: Aline Galcino)



"Hoje eu estou

preparado para assumir a

Prefeitura de Birigui

em alguma possibilidade

que venha a ter"

Felipe Barone é futuro candidato à Prefeitura de Birigui?

Não. Acho que a Prefeitura está sendo bem representada pelo doutor Cristiano. Como eu estou na linha sucessória, eu tenho que estar preparado. Então, hoje eu estou preparado para assumir a Prefeitura de Birigui em alguma possibilidade que venha a ter, mas eu não estou mirando de forma alguma. Meu projeto aqui na Câmara é grande, quero fazer história aqui, quero fazer o que ninguém fez, dar uma jovialidade pra Câmara, deixar ela moderna, construir o prédio próprio. Quero pagar menos para que sobre mais dinheiro para a população de forma indireta.

Então Felipe Barone projeta continuar na vereança?

Muita gente entra na política e acaba se desiludindo ou não gostando ou não conseguindo trabalhar. Eu acho que me dei bem na política, mas como eu falei pro meu próprio pai, que é meu conselheiro, se eu não conseguir trabalhar e realizar o que eu pretendo nesses quatro anos eu não me vejo mais candidato. Agora, se realmente eu fazer a diferença, eu vou tentar fazer mais ainda e ajudar a população.

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