Política

Jurídico diz que provas apresentadas em pedido de cassação são inconsistentes

Departamento da Câmara entendeu  que as provas não são suficientes para que o prefeito Dilador Borges (PSDB) seja processado politicamente

Guilherme Leal - Hojemais Araçatuba
01/06/19 às 10h00
Prefeito estaria, segundo denúncia, influenciando na avaliação do servidor público (Foto: Jader Rodrigues/Hojemais Araçatuba)

O departamento jurídico da Câmara de Araçatuba apontou que a denúncia protocolada no começo da semana contra o prefeito Dilador Borges (PSDB) apresenta provas inconsistentes.  O parecer já foi distribuído a todos os vereadores.

O parecer traz ainda a informação de que o CD, anexado à denúncia e que deveria conter os áudios que foram transcritos, estava em branco. Desse modo, não foi possível 

Mesmo com o parecer do jurídico, a denúncia deverá ser lida em plenário na próxima segunda-feira (3). Os vereadores irão discutir a denúncia e em seguida irão votar se ela será aceita ou não.

Denúncia

O servidor público Rodrigo Piernas Andolfato (PSL) protocolou, na segunda-feira (27), pedido de cassação do mandato do prefeito Dilador Borges (PSDB) pela prática de crime de responsabilidade.

De acordo com Andolfato, que é engenheiro civil concursado do município, ele estaria sendo vítima de perseguição política. No documento, o denunciante alega que vem sendo perseguido politicamente obtendo notas baixas nas avaliações de seu estágio probatório.

Estágio probatório é considerado um período de provas, onde o servidor nomeado vai ser avaliado quanto a sua capacidade e aptidão para o exercício do cargo público. O período de estágio probatório, conforme previsto na Constituição Federal, é de três anos.

O objeto de discussão na ação consiste na atribuição de nota excessivamente baixa no segundo estágio probatório (20 pontos) - no primeiro, ele atingiu 38 pontos (a nota máxima é 39 pontos). Segundo o denunciante, a brusca diminuição foi motivada por aspectos nitidamente políticos e pessoais.

Ainda segundo o servidor, no dia 30 de abril, ao ser informado que estava sendo realizada a terceira avaliação do estágio probatório, ele teria presenciado um ato ilegal no procedimento, e constatou a presença do que entende ser crime de responsabilidade cometido pelo prefeito.

Transcrição

No documento está transcrita uma conversa entre Andolfato e o servidor que seria responsável pela sua avaliação. Durante transcrição dos diálogos, o servidor avaliador afirma que teria recebido orientações para “dar um pau” no denunciante e ele teria se negado a fazer isso.

Andolfato afirma ainda que “a conversa demonstrou a perseguição política e funcional usada pelo Chefe do Executivo, que o mesmo estaria utilizando o poder da máquina pública para perseguir o denunciante e impedir que o mesmo venha ser efetivado. Essa conduta caracterizaria violação aos princípios da moralidade, legalidade e ferindo o decoro do cargo de prefeito.”

Ao Hojemais Araçatuba , Andolfato explicou que o pedido de cassação na Câmara se deve a terceira avaliação, porém também ingressou com uma ação funcional na Justiça, referente à segunda avaliação.

“O fato de eu pedir a cassação se deveu ao funcionário público que me avaliava ter confessado publicamente que teria recebido ordens diretas do prefeito, vice-prefeita e de alguns secretários, para me prejudicar efetivamente. Mostrou o papel previamente preenchido. A perseguição ficou comprovada por fatos! Assim sendo não poderia ter me furtado ao fato de me defender e defender as leis da república. A gravação comprova tudo!”, afirmou Andolfato à reportagem.

Outro lado

Por meio da assessoria de imprensa, Dilador afirmou que desconhece o teor da denúncia, pois ainda não foi notificado. Mas, de antemão, afirma que jamais se utilizou de práticas de perseguição política.

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