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Brasil pode enfrentar até 30 dias de racionamento de água por ano até 2050

A estimativa é do estudo “Demanda Futura por Água em 2050: Desafios da Eficiência e das Mudanças Climáticas”

Da Redação
28/10/25 às 08h43
(Foto: Reprodução/EBC)

O Brasil pode viver uma nova era de racionamentos de água até 2050, com uma média de 12 dias de interrupção no abastecimento por ano. Em regiões mais secas, como o Nordeste e o Centro-Oeste, o número pode ultrapassar 30 dias.

A estimativa é do estudo “Demanda Futura por Água em 2050: Desafios da Eficiência e das Mudanças Climáticas”, divulgado nesta terça-feira (28) pelo Instituto Trata Brasil, em parceria com a consultoria Ex Ante.

Segundo o levantamento, a demanda por água tratada deve crescer 59,3% nas próximas duas décadas, impulsionada pela elevação das temperaturas, expansão urbana e avanço econômico.

O impacto combinado do aquecimento global e das perdas na rede de distribuição — que ainda chegam a 40% da água tratada — pode transformar a gestão hídrica em um dos principais desafios nacionais nas próximas décadas.

“Os dados reforçam a urgência de agir agora. Se não reduzirmos as perdas e não planejarmos o uso sustentável, regiões já vulneráveis podem enfrentar escassez prolongada, com impactos severos na saúde e na qualidade de vida”, alerta Luana Pretto, presidente-executiva do Instituto Trata Brasil.

Calor maior e menos chuva

As projeções indicam que, até 2050, a temperatura máxima nas cidades brasileiras deve subir 1°C e a mínima, 0,47°C em relação a 2023. Além disso, haverá menos dias chuvosos e mais eventos de chuva intensa, dificultando a reposição dos mananciais e aumentando o risco de aridez e desertificação em novas áreas do país.

Cada 1°C adicional na temperatura pode elevar o consumo de água em 24,9%, e o impacto combinado das mudanças climáticas pode aumentar a demanda total em 12,4% acima do previsto apenas pelo crescimento populacional e econômico.

Perdas ainda comprometem quase metade da água tratada

Atualmente, 40,3% da água tratada no Brasil é desperdiçada antes de chegar às torneiras — devido a vazamentos, ligações clandestinas e falhas operacionais. São 7 bilhões de metros cúbicos perdidos por ano, o suficiente para cobrir toda a demanda adicional projetada até 2050.

Se o país conseguir reduzir as perdas para 25%, conforme prevê o Plano Nacional de Saneamento, a produção necessária de água tratada cairia em 2 bilhões de metros cúbicos, aliviando a pressão sobre rios e reservatórios.

Informações de G1

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