Em resposta ao agravamento das condições climáticas e ao aumento do risco de incêndios florestais, o Governo de Mato Grosso do Sul anunciou a suspensão da queima controlada em todo o território estadual. A medida, que será oficializada por meio de portaria nos próximos dias, valerá de 1º de agosto a 30 de novembro.
A decisão foi reforçada na terça-feira (22), durante a 20ª Reunião Ordinária do CICOE (Centro Integrado de Coordenação Estadual), realizada na sala de crise da Polícia Militar, no Parque dos Poderes, em Campo Grande.
A queima controlada é uma prática autorizada e acompanhada tecnicamente, usada principalmente em atividades agropastoris e florestais para evitar incêndios de maiores proporções. No entanto, diante da estiagem acentuada, sobretudo nas regiões norte e nordeste do Estado, e das previsões de um trimestre ainda mais seco e quente, a suspensão foi considerada necessária.
Coordenado pela Semadesc (Secretaria de Meio Ambiente, Desenvolvimento, Ciência, Tecnologia e Inovação), o CICOE é um centro interinstitucional que reúne órgãos como Corpo de Bombeiros Militar, Imasul, PMA, Ibama, Defesa Civil, ICMBio, Cemtec e entidades da sociedade civil, como a Famasul. Sua missão é integrar ações de prevenção, monitoramento e resposta a emergências ambientais.
Durante a reunião, a coordenadora do Cemtec (Centro de Monitoramento do Tempo e do Clima de MS), Valesca Fernandes, apresentou dados que sustentam a decisão. A previsão para o trimestre de agosto a outubro aponta chuvas abaixo da média histórica, elevando o nível de alerta para a maioria dos municípios, com destaque para as regiões norte, nordeste e leste do Estado.
O encontro também discutiu alterações no Decreto nº 11.766/2004, que trata da isenção de custos de licenciamento ambiental em áreas como Unidades de Conservação e assentamentos. A proposta foi apresentada pelo diretor-presidente do Imasul, André Borges.
Outro destaque foi a apresentação do Projeto FNMA 2025 de Prevenção e Combate aos Incêndios Florestais, que prevê a criação de Planos Operativos Municipais Simplificados (PPCIFs), fortalecendo a atuação local frente a emergências.
Apesar das preocupações climáticas, os dados revelam avanços significativos no combate às queimadas. Em 2025, o Pantanal registrou queda de 97,9% na área queimada, enquanto no Cerrado a redução foi de 50,6%. As ocorrências atendidas pelo Corpo de Bombeiros recuaram 54,2% em comparação ao mesmo período de 2024.
A suspensão da queima controlada é mais uma medida dentro da estratégia preventiva do Estado para preservar o meio ambiente e proteger a população diante das mudanças climáticas.
