O Arquivo Nacional identificou, nos últimos três anos, pelo menos dez casos de venda ilegal de documentos históricos brasileiros em leilões. Responsável pela preservação desse acervo, o órgão federal alerta que esse tipo de comércio criminoso tem se tornado mais frequente no país e intensificou as ações para recuperar o patrimônio público.
Diante do aumento das ocorrências, o Arquivo Nacional está estruturando um setor específico para monitorar esse tipo de prática, localizar documentos colocados à venda de forma irregular e promover sua restituição ao acervo oficial.
Segundo o diretor de Processo Técnico, Preservação e Acesso Técnico ao Acervo do Arquivo Nacional, Thiago Vieira , o órgão tem ampliado a fiscalização de anúncios publicados em plataformas de leilões em diferentes regiões do Brasil.
“A gente está percebendo que há um comércio muito grande de documentação pública. O que o Arquivo Nacional tem feito é, cada vez mais, analisar essas ofertas que estão em sites de leilões espalhados pelo Brasil inteiro e indo atrás dessa documentação”, explicou.
Ainda de acordo com Vieira, o principal objetivo é devolver esses documentos ao local onde devem permanecer preservados.
“O objetivo é restituir o patrimônio público para o seu local, que é aqui no Arquivo Nacional”, afirmou.
Um exemplo desse trabalho ocorreu há três anos, quando o órgão, com apoio da Polícia Federal , conseguiu recuperar cinco documentos históricos que estavam sendo leiloados ilegalmente na internet. Entre eles estava um documento assinado por Duque de Caxias , que registra a implantação de uma linha terrestre de telégrafo destinada a conectar dois estados brasileiros.
Para a chefe do Serviço de Diplomática e Paleografia do Arquivo Nacional, Alícia Duhá Lose , esses registros possuem valor histórico inestimável.
“São documentos que são representativos de momentos emblemáticos da nossa história. Ajudam a contar nossa história, ajudam a preencher lacunas onde nossa historiografia ainda não chegou”, destacou.
Com informações da Agência Brasil.
