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Ministério Público investiga impactos ambientais de plantações de eucalipto na região leste de MS

Inquérito civil apura possíveis danos a nascentes, fauna, flora e recursos hídricos em municípios como Três Lagoas e Selvíria.

Da Redação
13/07/26 às 13h42
(Foto: Divulgação/MPMS)

O Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS), por meio da 1ª Promotoria de Justiça de Três Lagoas, instaurou um inquérito civil para investigar possíveis impactos ambientais provocados pela expansão das plantações de eucalipto destinadas à produção de celulose na região leste do Estado.

Segundo o promotor de Justiça Antonio Carlos Garcia de Oliveira, a investigação teve origem em representações encaminhadas pela Ouvidoria do MPMS e pela Assembleia Legislativa de Mato Grosso do Sul (Alems), motivadas por relatórios técnicos socioambientais elaborados na Costa Leste.

Entre os principais pontos analisados está o possível comprometimento dos recursos hídricos da região. De acordo com os estudos apresentados ao Ministério Público, há indícios de que mais de 400 nascentes possam ter sido impactadas ou degradadas, principalmente em áreas de assentamentos rurais localizados nos municípios de Três Lagoas e Selvíria.

O MPMS também pretende apurar se a expansão da silvicultura em larga escala sobre áreas do Cerrado e regiões de transição tem provocado alterações no ciclo hidrológico local. Conforme apontam pesquisadores e moradores, o cultivo do eucalipto exige elevado consumo de água desde o plantio até o processamento industrial, o que pode contribuir para a redução da vazão de córregos e rios.

Além da questão hídrica, o inquérito investigará possíveis danos à fauna e à flora nativas decorrentes da substituição da vegetação natural por extensas áreas de monocultura.

Fiscalização e licenciamento

Com a abertura do procedimento, o Ministério Público determinou uma série de diligências para verificar os impactos ambientais efetivos e potenciais da atividade.

Entre as medidas estão a análise do cumprimento da legislação ambiental pelas empresas do setor de celulose instaladas na região, além da fiscalização da regularidade dos licenciamentos ambientais, das outorgas para captação e uso da água, dos planos de manejo florestal e da execução das compensações ambientais e medidas mitigadoras exigidas pelos órgãos competentes.

A apuração também envolverá a atuação de instituições responsáveis pelo licenciamento e fiscalização ambiental, como o Instituto de Meio Ambiente de Mato Grosso do Sul (Imasul) e a Secretaria de Meio Ambiente, Desenvolvimento, Ciência, Tecnologia e Inovação (Semadesc).

O inquérito civil busca reunir informações técnicas que permitam avaliar se a atividade florestal tem causado impactos ambientais e se todas as exigências legais vêm sendo cumpridas pelas empresas responsáveis pelo cultivo de eucalipto na região.

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