A divulgação do lançamento dos dois filmes sobre o caso Richthofen causou muita repercussão nas redes sociais. “A menina que matou os pais” e “O menino que matou meus pai” irão trazer a história de Suzane Von Richthofen e de um dos homicídios mais famosos do pais para as telonas dos cinemas.
O crime teve duas vítimas, Manfred e Marísia Von Richthofen, ele chocou todos pela sua perversidade, já que um dos condenados foi a filha do casal, Suzane Von Richthofen, junto com os irmãos cravinhos.
Comentários como: “manda matar e ainda faz filme para incentivar outros semelhantes”; “incentivo pra quem deseja matar”; “Tai um documentário para ensinar as crianças como matar seus pais”; “matar a família aqui no Brasil agora vai virar modinha”, se tornaram comuns nas publicações referentes aos filmes.
Já terminaram as gravações e o lançamento do Trailer foi feito no início desta semana. O longa tem estreia marcada para abril deste ano.
As pessoas estão enfurecidas, e como aparentemente a maior preocupação é o tipo de influência que as duas produções cinematografias terão na vida da população nacional, decidimos conversar com a psicóloga Caroline Souza Ferraz de 23 anos para esclarecer algumas questões.
Confira a entrevista abaixo:
1.O quão perigoso é romantizar o crime no cinema?
"É complicado usar a palavra romantização, sendo que o objetivo de filmes e séries é contar uma história, construir um enredo e, no caso de filmes baseados em fatos reais, trazer os acontecimentos para o público. A forma como esse filme será compreendido e as reflexões que poderá trazer vão depender mais de quem assiste do que da direção e roteiro. Cada pessoa terá sua interpretação com base nos seus conteúdos, emoções, história de vida, ou seja, é muito pessoal e subjetivo".
2.Um filme que mostra o assassinato de alguém, pode influenciar pessoas a fazerem o mesmo?
"Nós temos a tendência a achar que sim, porém um filme, jogo ou até mesmo as notícias do jornal não tem o poder de influenciar um crime, ou suicídio, etc. Os dados mostram que a busca pelo assunto geralmente aumenta, como no lançamento da série 13 Reasons Why que aumentou as buscas pelo tema suicídio, o filme Bohemian Rhapsody aumentou as vendas e downloads das músicas do Queen, o que indica uma curiosidade maior por parte das pessoas, mas não necessariamente aumenta a incidência".
3.O número de pessoas que cometeria um crime desses, pode aumentar depois do filme?
"É difícil afirmar, pois este tipo de comportamento depende da junção de diversos fatores, como desestrutura familiar, bullying, transtornos de personalidade, histórico do uso de drogas, as condições psíquicas daquela pessoa, entre outros. Quando existem fatores prévios de alerta, o filme pode ser visto como um gatilho, mas para a maioria das pessoas não apresenta riscos".
4.Acha que o filme será prejudicial para as pessoas de alguma forma?
"Dificilmente. O filme foi produzido por ótimos profissionais, inclusive com o roteiro escrito pela Ilana Casoy, uma das maiores referências nacionais em criminologia e assassinatos, com vários livros e coletâneas publicadas, por isso acredito que ambos os filmes foram feitos com muito cuidado na narrativa e direção. Além de que o caso da família Richthofen é de conhecimento geral da população, inclusive no nível internacional, e há muito tempo existem livros e documentários sobre".
5.Você sabe se tem algum tipo de registro acerca de filmes que foram lançados e aumentaram a média de assassinatos, por exemplo quando saiu as séries de serial killer como mindhunter/criminal minds ou então o filme / documentário do ted bundy?
"Não há dados concretos sobre isso, contudo quando falamos de crimes extremos como de Suzanne Von Richthofen, serial killers e massacres, estamos falando de saúde mental e condições psíquicas, e não de algo facilmente influenciável".
6.Dependendo da forma como o filme for narrado você acha que ele pode contribuir para que as pessoas identifiquem pessoas ao seu redor, e sinais que elas possam estar com algum tipo de sofrimento, que pode leva-la a fazer algo como a Suzane fez?
"Sim, acredito que os filmes tem potencial de levantar várias discussões sobre saúde mental, vinculo familiar, relacionamentos, que no longo prazo podem ser benéficas para a prevenção dos fatores de risco que citei acima".