Produtores de soja da região sul de Mato Grosso do Sul enfrentam o cenário mais delicado do Estado em relação à qualidade das lavouras, aos preços pagos pela saca e à comercialização da safra 2025/2026.
Os dados constam em levantamento técnico divulgado pela Aprosoja (Associação dos Produtores de Soja e Milho de Mato Grosso do Sul), com base em monitoramento de campo e informações de mercado.
A região sul apresentou o pior desempenho entre as áreas acompanhadas. Apenas 51,2% das lavouras foram classificadas como boas, enquanto 42,9% estão em condição regular e 5,9% foram avaliadas como ruins. O quadro é mais crítico em municípios como Dourados, Caarapó, Deodápolis, Douradina e Ivinhema, onde técnicos apontam impactos causados por solos mais arenosos, irregularidade das chuvas, temperaturas elevadas e baixa população final de plantas.
Em contraste, o cenário estadual ainda indica predominância de áreas em bom estado, com 72,1% das lavouras classificadas como boas. No entanto, o desempenho inferior do sul chama atenção por se tratar de uma das principais regiões produtoras de soja de Mato Grosso do Sul, superando negativamente os índices registrados no norte, oeste e centro do Estado.
Além das dificuldades no campo, o mercado também pressionou a rentabilidade dos produtores. Entre os dias 19 e 26 de janeiro, o preço médio da saca de soja de 60 quilos caiu 2,9%, fechando cotado a R$ 113,00 em Mato Grosso do Sul. Campo Grande registrou a maior desvalorização no período, com queda de 4,31%, passando de R$ 116,00 para R$ 111,00 a saca.
Outros polos importantes, como Dourados, Maracaju, Ponta Porã e Sidrolândia, também encerraram a semana com preços em baixa. Apesar de uma valorização nominal de 2,24% em comparação com o mesmo período do ano passado, o recuo recente aumentou a cautela dos produtores nas negociações.
Esse cenário refletiu diretamente no ritmo de comercialização da safra. Até 26 de janeiro, apenas 27% da soja 2025/2026 havia sido vendida no Estado. O índice representa uma queda de 6,3 pontos percentuais em relação ao mesmo período da safra anterior, indicando maior retenção do produto à espera de melhores condições de mercado.
Com informações de Campo Grande News.
