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A paixão de três-lagoenses por discos de vinil

Na era dos downloads, streamers e inúmeros aplicativos de música, ouvir o som favorito é possível com apenas um toque.

Hojemais  de Três Lagoas - Bruna Taiski
04/12/17 às 08h20

Na era dos downloads, streamers e inúmeros aplicativos de música, ouvir o som favorito é possível com apenas um toque. Mas, a modernidade não tirou o prazer dos amantes de vinis. Em um mundo cada vez mais tecnológico, os discos de vinil ainda resistem à invasão digital.

Para os colecionadores, cada detalhe conta: capa, selo, cor do selo, a primeira prensagem, a segunda, o país e, é claro, o estado em que o disco se encontra.

O radialista Adilson Silva, há muitos anos tem um programa aos domingos dedicado às músicas do passado; todas as músicas tocadas na programação são da vasta coleção de vinil da rádio. Ele conta como é manter a paixão pelos ‘bolachões’ - como são chamados.

“Sou um amante do vinil e do flashback; tenho dificuldades em tratar de assuntos sobre músicas da atualidade; se me perguntarem alguma música recente eu não sei – mas, se for do passado tenho bastante conteúdo” - afirma.

O programa que comanda na rádio está no ar há mais de seis anos; no entanto, sua paixão pelas músicas que embalavam as discotecas já é tão antiga quanto o seu acervo. 

“As pessoas que tiveram convivência com esse material percebem que até a qualidade da música é diferente. Na minha casa tenho muitos vinis também; um grande material, com as capas bem conservadas” - diz.

Mesmo com a sua área modernizada, Silva trabalha com a maior discoteca e cdeteca de Três Lagoas - e uma das maiores da região. A Difusora tem a mais completa coleção de discos de vinil e recebe diversas ligações aos domingos para tocar músicas da época. Ele explica a importância do material para a produção fonográfica.

“Primeiro é a questão do saudosismo - de ter o contato com um material desse, desde a capa bem produzida até as músicas bem selecionadas. Naquela época, quando era lançado um disco havia toda uma preocupação - não só com a questão do repertório e do conteúdo que estava sendo gravado, mas com a fotografia, com a grafia correta dos títulos; com o nome de cada música, com os compositores, com os cronogramas e com as gravadoras envolvidas diretamente nisso. Eu me sinto riquíssimo mexendo com um material desse” - completa.

Paixão

A década de 80 foi perfeita para a indústria fonográfica: tardes de autógrafos lotadas, artistas populares, fãs enlouquecidos e fábricas de vinil a pleno vapor. Os LPs vendiam na casa dos milhões e os discos brilhavam a prata, ouro, diamante e platina.

O destino dos discos, porém, começava a ser traçado já naquela época, com o surgimento do CD. Dados da Associação Brasileira de Produtores de Disco mostram que, em 1997, não fazia mais sentido contar os discos vendidos. O vinil virou artigo de colecionador, mas ainda havia quem quisesse investir nele.

Para o tatuador Ricardo Miguel Moura Gonçalves - de 29 anos - os famosos ‘bolachões’ continuam no topo da preferência; ele mantém uma singela coleção de 100 Lps (Long Play) colecionados ao longo de treze anos. Seu primeiro disco foi o “Dark side of the Moon” - da banda britânica Pink Floyd - comprado aos 16 anos, no Ensino Médio, com o dinheiro que juntava do lanche.

“Preciso fazer uma recontagem para saber o total de discos que tenho, mas conheci um colecionador em Goiânia - hoje falecido - que era meu vizinho e amante da música com um acervo de mais de 7.000 Lps” - conta.

A paixão pelos discos de vinil iniciou na juventude, enquanto Ricardo passava por um sebo em Goiânia, cidade onde morava na época; ele observava alguns discos à venda e encontrou o LP da sua banda favorita - Pink Floyd - depois começou a juntar o dinheiro do lanche e qualquer moeda que ganhava para comprar mais discos. Hoje totalizam 12 LPs somente do Pink Floyd. “Para minha sorte, encontrei o LP; já gostava muito da banda - depois de comprar o disco fiquei ainda mais apaixonado pelo som psicodélico da banda” - afirma.

Investimento

Alguns exemplares de LPs se tornaram de tal forma raridades - muitas vezes como peças únicas, dentro de um mercado que envolve não só cifras milionárias como a própria paixão pessoal por certos artistas - que acabaram avaliados ou vendidos como pedras preciosas, a preços exorbitantes. Um exemplo a ser citado é a cópia numerada 0000001 do Álbum Branco - dos Beatles. O nono disco de estúdio da banda foi vendido em um leilão beneficente, no qual arrecadou a singela bagatela de 790 mil dólares - mais de 2,5 milhões de reais nos dias atuais - tornando-se, assim, o LP mais caro já vendido na história.

Na coleção do tatuador Ricardo a diferença de preços é notável; seu disco mais barato é do cantor de MPB Chico Buarque no qual pagou R$ 6,00 e o mais caro foi um disco da banda Led Zeppelin, avaliado em R$ 180,00. No total, foram R$4.000,00 gastos somente nos vinis.

“Tem discos de cinco reais, de 200 ou mais; vai muito da conservação! E do quando o disco está disponível para compra; quanto mais raro o disco - mais caro. Por exemplo, há certa desvalorização dos discos dos compositores nacionais, pela facilidade de aquisição e certa valorização de discos importados” - diz.

Em sua prateleira de raridades estão: At Live - da cantora Janis Joplin; Led Zeppelin I; Ummagumma, Relics - do Pink Floyd; Sabbath bloody sabbath e Paranoid - do Black Sabbath; High Voltage - do AC/DC. “Todos são, atualmente, considerados raros - e que me lembre, esses também foram os mais difíceis para comprar” - completa.

Entre os favoritos, ele mostra orgulhoso, o Dark side of the Moon e Ummagumma - do Pink Floyd; Led Zeppelin I e Houses of Holy - do Led Zeppelin; Almanaque - do Chico Buarque de Holanda; Alucinação - do Belchior; Texas Flood - do Stevie Ray Vaughan e Journey to the Centre of the - do Rick Wakema.

“Eu gosto do vinil porque é diferente das mídias atuais que forçam você a se concentrar no som; você tem de ir atrás dos discos - é uma dedicação; você tem de realmente gostar daquilo. O vinil é isso - você vai apreciar o que o compositor e a banda estão querendo passar com aquele som, que é gravado de uma forma diferente” - finaliza.

Feira de vinil

Discos de vinil obsoletos decoram a parede do ‘Bar do Velho Jeff’ - Jefferson Paulo de Oliveira Queiroz - conhecido como ‘Jeffão’. Ele traz um evento diferente e cheio de cultura nostálgica para Três Lagoas com a feira de vinil realizada em seu bar. Essa será a terceira edição do evento e contará com mais de três mil vinis de todos os estilos musicais, trazidos por parceiros de outras cidades.

A feira acontece nesse sábado a partir das 16 horas; a expectativa é lotar o bar com muita cerveja e música boa.

“Eu, particularmente, não tenho um aparelho para tocar os discos de vinil, mas gosto do som; é totalmente diferente do som digital. Para quem é apreciador de música é simplesmente uma delícia ouvir Vinil - sem contar que também é um charme” - conta Jeffão.

Entenda os tipos de disco de vinil

 • LP: abreviatura do inglês Long Play - Disco com 30 cm de diâmetro, que era tocado a 33 1/3 rotações por minuto. A sua capacidade normal era de cerca de 20 minutos por lado. O formato LP era utilizado, usualmente, para a comercialização de álbuns completos.

 • EP: abreviatura do inglês Extended Play. Disco com 25 cm de diâmetro, que era tocado a 45 RPM. A sua capacidade normal era de cerca de 8 minutos por lado. O EP normalmente continha em torno de quatro faixas.

 • 'Single ou Compacto Simples: Disco com 17 cm de diâmetro, tocado a 45 RPM (no Brasil, a 33 1/3 RPM). A sua capacidade normal rodava os 4 minutos por lado. O single era geralmente empregado para a difusão de músicas de trabalho de um álbum completo a ser lançado .

 • Máxi: abreviatura do inglês Maxi single. Disco com 31 cm de diâmetro e que era tocado a 45 RPM. A sua capacidade era de cerca de 12 minutos por lado.  Fonte: VladStock

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