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Câmara vai discutir canetas emagrecedoras do Paraguai

Audiência pública deve analisar restrições da Anvisa a produtos com tirzepatida vendidos no país vizinho

Thais Constantino  - Hojemais Três Lagoas
13/08/26 às 15h40
Câmara vai discutir canetas emagrecedoras do Paraguai (Foto: Arquivo | Hojemais Três Lagoas)

A Câmara dos Deputados aprovou a realização de uma audiência pública para discutir as restrições impostas pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) às chamadas canetas emagrecedoras produzidas no Paraguai . O tema tem impacto direto em Mato Grosso do Sul, que possui uma extensa fronteira com o país vizinho e está entre as principais rotas de entrada desses medicamentos no Brasil.

O requerimento para o debate foi aprovado nesta quarta-feira (12), por iniciativa dos deputados federais Fausto Pinato (União-SP) e Diego Garcia (União-PR) . A audiência será promovida conjuntamente pelas comissões de Saúde e de Ciência, Tecnologia e Inovação.

A data ainda não foi definida, mas a previsão é que a discussão aconteça nas próximas duas semanas.

Canetas de tirzepatida estão no centro da discussão

A controvérsia envolve produtos vendidos no Paraguai como versões de medicamentos à base de tirzepatida , substância utilizada no tratamento do diabetes e da obesidade.

Entre as marcas mencionadas estão Tirzedral, Tirzec, Lipoless, TG e Gluconex .

Esses produtos não possuem registro sanitário no Brasil. Por esse motivo, a comercialização em território nacional é proibida, assim como a importação em determinadas situações previstas pela Anvisa.

A procura pelas versões paraguaias cresceu com a popularização do Mounjaro , medicamento produzido pela farmacêutica Eli Lilly que também tem a tirzepatida como princípio ativo. O Mounjaro possui autorização para uso no Brasil, mas apresenta preço significativamente mais alto do que alternativas encontradas no Paraguai.

Fronteira de MS aumenta exposição ao comércio

A localização de Mato Grosso do Sul faz com que o Estado tenha uma relação direta com a circulação desses produtos. Municípios fronteiriços, como Ponta Porã , que é separada de Pedro Juan Caballero , no Paraguai, apenas por ruas e avenidas, recebem brasileiros que atravessam a fronteira para realizar compras.

Entre os itens procurados estão medicamentos comercializados a preços inferiores aos encontrados no Brasil.

O requerimento aprovado pela Câmara cita uma análise realizada por pesquisadores da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) , a pedido da Folha de S.Paulo . O levantamento encontrou tirzepatida nas cinco marcas paraguaias analisadas.

A identificação da substância, porém, não significa que os medicamentos apresentem eficácia e segurança equivalentes às de um produto registrado pela Anvisa .

O estudo confirmou a presença do princípio ativo, mas não avaliou outros requisitos essenciais para a aprovação de um medicamento, como esterilidade, estabilidade, condições de fabricação e segurança clínica.

Ainda assim, os parlamentares avaliam que o resultado é suficiente para ampliar o debate científico e regulatório sobre os produtos.

Deputados questionam documentos apresentados pela Anvisa

No pedido de realização da audiência, os deputados também levantam questionamentos sobre a documentação utilizada pela Anvisa para justificar as restrições.

Segundo o requerimento, respostas encaminhadas pela agência a pedidos de informação feitos pela Câmara não teriam incluído documentos técnicos solicitados pelos parlamentares, entre eles laudos laboratoriais, estudos científicos e pareceres .

Com isso, a audiência deverá tratar de questões que vão além da existência ou não de tirzepatida nas canetas vendidas no Paraguai.

O debate deverá abordar os critérios utilizados para comprovar qualidade, eficácia e segurança , os limites da atuação regulatória e o acesso dos pacientes aos tratamentos.

Quem deve participar da audiência?

Entre os convidados para o debate estão o diretor-presidente da Anvisa, Leandro Safatle , representantes do Centro de Informação e Assistência Toxicológica (CIATox) da Unicamp , especialistas nas áreas de obesidade e diabetes, representantes de pacientes e advogados que atuam em processos relacionados à tirzepatida.

A audiência ainda não tem data confirmada, mas deve ocorrer nas próximas duas semanas.

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