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Nova regra libera doação de sangue após 70 anos

Regulamento do Ministério da Saúde elimina idade máxima para doadores regulares que estejam em boas condições de saúde

Thais Constantino  - Hojemais Três Lagoas
13/08/26 às 11h55
Nova regra libera doação de sangue após 70 anos (Foto: Reprodução | Ministério da Saúde)

Pessoas que já são doadoras regulares de sangue poderão continuar realizando doações mesmo depois de completar 70 anos. A mudança faz parte do novo regulamento técnico da hemoterapia no Brasil, que elimina a idade máxima para quem mantém o hábito de doar, desde que esteja em boas condições de saúde, seja considerado apto na avaliação clínica feita pelo serviço de hemoterapia e cumpra os intervalos e a frequência estabelecidos para essa faixa etária.

Até então, mesmo os doadores habituais precisavam interromper as doações ao atingir 70 anos. A alteração considera o aumento da expectativa de vida e o envelhecimento da população brasileira e reconhece que idosos saudáveis podem continuar contribuindo para o atendimento de pacientes que dependem de transfusões.

O secretário de Atenção Especializada à Saúde do Ministério da Saúde, Mozart Sales, destacou que as novas regras ampliam as possibilidades de doação e fortalecem a segurança tanto dos doadores quanto dos pacientes que recebem sangue.

“Incentivamos a população brasileira a procurar os serviços de hemoterapia, com a certeza de que será acolhida com todo o cuidado e a segurança necessários e de que cada doação será utilizada de forma responsável e cientificamente adequada para ajudar a salvar vidas em todo o país”, afirmou.

As alterações foram definidas pela Portaria GM/MS nº 11.685/2026 , publicada em 3 de julho. O texto entra em vigor em outubro, 90 dias depois da publicação.

O novo regulamento atualiza os critérios para a aptidão de doadores voluntários, amplia as medidas de segurança das transfusões e da rastreabilidade do sangue e orienta os serviços de hemoterapia conforme os avanços laboratoriais e o cenário epidemiológico atual. As medidas têm como objetivo garantir proteção tanto para quem realiza a doação quanto para os pacientes que recebem transfusões.

Prazos de espera para doação de sangue são reduzidos

A nova regulamentação também diminui o período necessário para que pessoas temporariamente impedidas possam voltar a doar sangue.

Em situações como realização de endoscopia ou uso de anabolizantes sem prescrição médica, o período de espera passa de seis para quatro meses.

Para quem fez tatuagem, maquiagem definitiva ou procedimentos estéticos, como aplicação de botox, preenchimento e microagulhamento, a doação poderá ocorrer depois de sete dias, desde que o procedimento tenha sido realizado em local que siga as normas de segurança. Quando não for possível fazer essa avaliação, será necessário aguardar quatro meses.

No caso de piercing colocado na boca ou na região genital, a doação poderá ser feita quatro meses após a retirada do acessório.

Novas medidas aumentam a segurança das transfusões

O Brasil passa a ser o primeiro país do mundo a realizar obrigatoriamente o teste de malária em 100% dos exames de triagem para doação de sangue.

O NAT Plus , desenvolvido por Bio-Manguinhos/Fiocruz, já é utilizado para detectar HIV e hepatites B e C. Com a atualização, o exame também passa a identificar o parasita responsável pela malária.

A inclusão do teste altera ainda o período de impedimento para pessoas que viajaram para municípios localizados em áreas endêmicas ou tiveram exposição em regiões de mata, bosque ou floresta. O prazo passa a ser de 30 dias. Anteriormente, a espera poderia chegar a 12 meses.

Outra mudança é a adoção do padrão internacional ISBT 128 para a identificação de bolsas de sangue e amostras. A padronização aumenta a rastreabilidade durante todo o processo, desde a coleta até a transfusão ou o encaminhamento do plasma para a fabricação de medicamentos, ajudando a diminuir a possibilidade de erros de identificação.

Validade das plaquetas pode chegar a sete dias

O novo regulamento também permite que o concentrado de plaquetas tenha validade ampliada de cinco para até sete dias, desde que sejam adotadas as medidas de controle de qualidade exigidas.

A alteração pode ajudar a diminuir perdas e ampliar a disponibilidade desse hemocomponente, utilizado principalmente no atendimento de pessoas com câncer, pacientes submetidos à quimioterapia, pessoas com doenças hematológicas e outros pacientes que necessitam de transfusões frequentes.

Doação regular mantém estoques de sangue

A doação frequente é importante não apenas para a formação dos estoques, mas também para manter o abastecimento da rede de saúde durante todo o ano.

Como os hemocomponentes possuem diferentes períodos de validade e a necessidade de transfusões é contínua, os serviços de saúde dependem de novas doações diariamente. Dessa forma, é possível evitar períodos de baixa nos estoques e garantir a disponibilidade de sangue quando houver necessidade.

Em 2025, o Sistema Único de Saúde (SUS) registrou 3.264.138 coletas de sangue , alcançando uma taxa de 15,29 doações por mil habitantes , o maior índice desde o período da pandemia. Os números indicam uma recuperação gradual das doações depois da queda registrada em 2020.

Quem pode doar sangue?

Para realizar a doação, é necessário estar em boas condições de saúde, pesar pelo menos 50 quilos, estar descansado e alimentado e apresentar um documento oficial com foto. O documento também pode ser apresentado em formato digital.

Adolescentes a partir dos 16 anos podem se candidatar à doação, desde que tenham autorização do responsável.

Quem deseja doar deve procurar o hemocentro mais próximo para verificar os horários de atendimento e passar pela triagem. Nessa etapa, a equipe avalia as condições de saúde e verifica se a pessoa está apta a realizar a doação de sangue.

A atualização das regras amplia as possibilidades para doadores regulares e estabelece novos critérios para tornar o processo de doação e transfusão cada vez mais seguro no Brasil.

As informações são do Ministério da Saúde

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