O ‘Dezembro Laranja’ chega para chamar a atenção dos brasileiros acerca de uma doença que é a de maior incidência no país. Por conta das altas temperaturas no final do ano, é preciso que os cuidados com a pele sejam redobrados para evitar os efeitos nocivos dos raios solares - fator tido como uma das causas principais do aumento nos índices de tumores de pele entre a população brasileira. O câncer de pele é o tipo de câncer mais comum e representa mais da metade dos diagnósticos da doença - no Brasil, são mais de 180 mil casos novos por ano.
Existem três tipos: o carcinoma basocelular, o carcinoma espinocelular e o melanoma. Os dois primeiros representam 95% do total dos casos; porém, o melanoma é o mais perigoso e com maior risco de morte.
Pessoas de pele clara, cabelos claros e sardas são as mais propensas a desenvolverem o câncer de pele. A idade é um fator que também deve ser considerado, pois, quanto mais tempo de exposição da pele ao sol, mais envelhecida ela fica. Evitar a exposição excessiva e constante aos raios solares sem a proteção adequada é a melhor medida – e isso vale desde a infância. Vale lembrar que, mesmo áreas não expostas diretamente ao sol e menos visíveis – como o couro cabeludo - podem apresentar manchas suspeitas.
De acordo com a Dra. Daniela Pezzutti - oncologista do Centro Paulista de Oncologia – CPO - Grupo Oncoclínicas - em geral, as pessoas tendem a relacionar o câncer de pele exclusivamente ao melanoma. Contudo, 95% dos casos de tumores cutâneos identificados no Brasil são classificados como não melanoma - um índice que está diretamente relacionado à constante exposição à radiação ultravioleta – UV - do sol. Por isso, é preciso estar atento aos sinais de alerta.
"Geralmente, os principais sintomas de câncer não melanoma são lesões cutâneas com crescimento rápido, com sangramento, ulcerações que não se cicatrizam, seguidas de coceira e, algumas vezes, dor em áreas muito expostas ao sol como rosto, pescoço e braços" - explica.
O câncer de pele melanoma é, na maioria das vezes, agressivo. São geralmente casos que iniciam com pintas ou manchas escuras na pele - novas ou de nascença - que passam a apresentar modificações ao longo do tempo.
Entenda os diferentes tipos de câncer de pele
Segundo a Dra. Daniela Pezzutti, o câncer de pele não melanoma pode ser classificado em: carcinoma basocelular - que é o tipo mais frequente, em que o crescimento normalmente é mais lento. O diagnóstico se dá, usualmente, pelo aparecimento de uma lesão na pele exposta do rosto, pescoço e couro cabeludo. O carcinoma espinocelular - mais comuns em homens, formando um nódulo que cresce rapidamente e com ferida de difícil cicatrização.
O câncer de pele melanoma é o mais agressivo. São geralmente os casos que iniciam com o aparecimento de pintas escuras na pele, que apresentam modificações ao longo do tempo.
“É recomendável a ressecção cirúrgica destas lesões por especialista habilitado para a adequada abordagem das margens ao redor da mesma. Posteriormente, dependendo do estágio da doença, pode ser necessária a realização de tratamento complementar. Quimioterapia ou radioterapia são raramente necessárias visto que, se diagnosticado precocemente, a cirurgia pode resolver na maioria dos casos” - afirma.
Seja o detetive do seu corpo
É importante a avaliação frequente de um especialista – dermatologistas - para acompanhamento das lesões cutâneas. A análise da mudança nas características destas lesões é de extrema importância; no entanto, o autoexame também facilita o diagnóstico precoce. Uma pintinha na pele pode significar algo mais sério. Por isso, é importante sempre acompanhar essa pinta; ver se ela está crescendo; se mudou de cor.
O câncer de pele é silencioso; não tem dor; não tem sintoma e pode ser descoberto num olhar. Por isso, ser o detetive do próprio corpo é muito importante e pode prevenir a doença. O autoexame deve ser feito a cada seis meses. Procure por pintas, casquinhas, feridas que não se cicatrizam e lesões que sangram espontaneamente.
Mas vale lembrar que nem toda pinta é câncer. As sardas, por exemplo, nunca se transformarão em câncer. Mas, é preciso ficar atento em pintas que não existiam até os 25 anos; pintas escuras, irregulares, que crescem e coçam.
Fique atento às precauções que previnem o câncer de pele
Para pessoas que costumam ficar expostas ao sol é preciso reforçar o uso do protetor solar diariamente; principalmente, no rosto. Se a exposição aos raios solares for maior, como na praia ou piscina, por exemplo, é importante abusar do protetor no corpo todo, usar chapéus e evitar horários em que a incidência solar esteja mais forte.
O dermatologista tem o papel de orientar uma proteção adequada para descobrir os possíveis riscos que os raios solares de verão podem causar na pele.
Vontade de viver
Quando recebemos uma notícia grave como o câncer é normal pensarmos que a nossa vida ficará limitada e que todos os prazeres de se viver acabam ali mesmo. Não foi o que aconteceu com Ivênio Queiroz Arantes - de 46 anos. O motorista três-lagoense mantém o pensamento sempre positivo e nos conta sua história - sorrindo do início ao fim. Para pessoas como ele, o câncer de pele é personagem secundário em uma vida repleta de momentos felizes.
No ano de 2015, Ivênio trabalhava como motorista da Prefeitura de Três Lagoas. A desconfiança deu início quando surgiu um caroço superficial em seu ombro esquerdo; segundo ele, o caroço era indolor, mas quando colocava o cinto de segurança do carro a ferida sangrava e manchava suas roupas - o que sempre o constrangia.
“Era um caroço que parecia não fazer parte do meu corpo; e ele crescia constantemente – então, comecei a buscar informações - em abril de 2015. Dei entrada na oncologia no mesmo mês e eles foram começar a dar importância pelo que falei só em outubro de 2015” - afirma.
Em janeiro de 2016 foi retirado o caroço e enviado para a biópsia; ele revela que a análise não era necessária, pois já sabia que se tratava de um câncer de pele.
“Sou técnico em enfermagem também; embora não atuante, tenho um conhecimento básico e, confirmando - a biópsia deu que realmente era câncer de pele. Não fiquei muito surpreso porque vi as características da ferida e já desconfiava que fosse um câncer. Quando deram o diagnóstico só pensei em correr o mais rápido possível para tratar. Tenho casos na família; minha irmã tem um câncer de mama e fez a mastectomia. Aquilo me deixou um pouco preocupado; ela teve o diagnóstico seis anos antes de mim” - relembra.
Nos exames foi constatado que o câncer era do tipo carcinoma - uma condição menos agressiva que o melanoma. Apesar disso, Ivênio fez três cirurgias por ter desenvolvido uma metástase. Quando o carcinoma não é tratado a tempo se transforma em metástase, que pode ocorrer quando as células cancerosas viajam através da corrente sanguínea ou dos vasos linfáticos para outras áreas do corpo.
“Demoraram a retirar o caroço que estava enraizado. Comecei o tratamento em abril e fui retirar só em janeiro de 2016; ele já tinha virado metástase e, por causa disso, tive de fazer o esvaziamento axilar no final de setembro de 2016 - fiquei com o braço travado e, em outubro de 2016 fiz outra cirurgia para soltar o nervo desse braço” - relembra.
Uma nova rotina
A Rede Feminina de Combate ao Câncer de Três Lagoas – RFCC - é a segunda casa de Ivênio. No instituto, não só o corpo do paciente é trabalhado, mas a mente também.
“Lá é uma casa que nos dá bastante apoio, informação; acolhe-nos e nos recebe com bastante carinho - é outra casa que nós temos. Nós aprendemos que tudo é muito rápido na vida; nós damos valor para tantas coisas e não damos para nossa própria vida” - conta.
No local ele faz Yoga, fisioterapia, trabalhos artesanais e diz que todos os profissionais da Rede são atenciosos e amorosos.
“Eu me sinto mais forte, porque vejo que a verdadeira doença está dentro da nossa mente. Com a mente desocupada, pensamos muitas bobeiras. Não fico pensando que estou doente e vou morrer. A primeira coisa que as pessoas fazem quando são diagnosticadas com câncer é lamentar pela morte; mas, não é bem assim” - diz.
Devido o câncer não estar em um patamar grave, não foi necessário fazer a radioterapia e quimioterapia - ele permanece em acompanhamento e com cuidados redobrados.
“O cuidado que nós temos de ter é estarmos bem conosco mesmos. Não fico pensando em doença não; sou um cara que penso sempre positivo - mesmo do jeito que estou, procuro ajudar as outras pessoas - e isso vai me fortalecendo e não me deixa pensar em doenças” - afirma.
“No hospital do câncer em Jales, nós vemos que tem pessoas iguais a nós, que estão piores; e pessoas que estavam ruins e hoje estão melhores - é o que nos dá uma expectativa de melhora de vida” - completa.
A importância da prevenção
Ivênio vem de uma família bastante humilde; quando ele era criança, seus pais não tinham condições financeiras de pagar por um protetor solar. A falta de cuidados resultou em um envelhecimento precoce no pescoço e nos braços. Hoje, o protetor faz parte da sua rotina e não sai da mochila que ele carrega.
“Hoje eu passo protetor, carrego dentro da bolsa - procuro me proteger melhor. Até os 30 anos eu não me protegia - não por falta de informação, mas por falta de recursos. Passo protetor todos os dias; uso boné, óculos escuros; uso luvas nos braços e tenho uma boa alimentação... O que também ajuda” - diz.
O recado de prevenção é claro: ‘antes prevenir do que remediar’ é o que ele aconselha a todos.
“Não só para o câncer de pele, mas para todos os tipos de câncer a prevenção é essencial; a própria palavra diz 'prevenir para não remediar'. Se tem desconfiança, tem de procurar por informação, um serviço de oncologia, um posto de saúde para direcionar ao local certo e se tratar” - informa.
O caso de Ivênio não é muito diferente dos de outras pessoas que lutam contra o câncer; o diferencial é que nessa batalha ele sempre mantém a cabeça erguida e escolhe ser feliz todos os dias.
“É como diz aquela música ‘A vida é trem-bala parceiro e a gente só é passageiro prestes a partir’ – então, nós só estamos aqui de passagem e temos de aproveitar a vida de forma prazerosa e fazer o que gostamos; estar perto da família - que é nosso bem maior; viver a vida com amor - porque não só nosso país, mas o mundo inteiro está precisando mais de amor ao próximo” - finaliza.