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Recomeço e esperança: a vida após a amputação

Júlia Rosa destaca a importância do Abril Laranja, um mês dedicado à conscientização sobre a prevenção de amputações.

Isabele Araujo - Hojemais Três Lagoas
04/04/25 às 09h35
Júlia Rosa (Foto: Arquivo Pessoal)

Aos 19 anos, Júlia Rosa enfrentou um desafio que mudaria sua vida para sempre. Diagnosticada com trombose arterial, teve as três artérias do pé direito ocluídas, levando à necessidade de uma amputação. O medo e a incerteza marcaram seus dias antes da cirurgia, mas ela encontrou na fé e na confiança em Deus a força necessária para aceitar sua nova realidade.

"Antes da cirurgia, pensar em amputar era algo pavoroso para mim. Lutei por dias para não assinar o papel autorizando a amputação, mas coloquei Deus como centro da minha vida e confiei nos planos Dele. Isso me confortou e mudou totalmente meu pensamento e minhas atitudes", relembra.

Júlia destaca a importância do Abril Laranja, um mês dedicado à conscientização sobre a prevenção de amputações e a inclusão de pessoas amputadas. "Este ano, estamos chamando uma atenção especial para a prudência e responsabilidade no trânsito, que é uma das maiores causas de amputação atualmente", afirma.

Segundo ela, a campanha reforça que a vida não acaba após a amputação e que é possível viver intensamente, sem limitações. Inspirada pela modelo Paola Antonini, que também passou por uma amputação e auxilia outras pessoas nessa jornada, Júlia decidiu seguir o mesmo caminho.

Júlia e a modelo Paola Antonini. (Foto: Arquivo Pessoal)

"Quando vi todo o trabalho com amputados que ela faz e o tanto de gente que ela ajuda a voltar a andar, eu me inspirei e falei para mim mesma: 'assim como alguém me ajudou a voltar a andar, quero ser luz e ajudar outras pessoas também'", conta.

Foi assim que começou a compartilhar sua rotina no Instagram, demonstrando sua alegria e superação.

Durante essa jornada, o suporte da família foi essencial, assim como o apoio de Vanderlei, seu protesista. "Ele passou muitos momentos comigo, viu cada choro, cada dor e também todos os momentos de felicidade e conquistas". Para Júlia, Vanderlei é muito mais do que um profissional, é um amigo. Além de ajudá-la a recuperar a autoestima, ele também a incentivou a ajudar outras pessoas.

Ao se engajar na luta dos amputados, Júlia conheceu muitas histórias inspiradoras, como a de Waldir Calado, o primeiro mixologista amputado do Brasil.

Waldir Calado. (Foto: Reprodução/Redes Sociais)

Em 2010, após um passeio no mar, Waldir caiu de uma lancha no Porto de Santo Antônio, em Fernando de Noronha, e perdeu a perna no acidente. Mesmo diante da situação, sua primeira reação foi de gratidão pela vida. "Eu estou vivo. Deus não dá carga além do que a gente possa carregar", disse ele na ocasião.

Hoje, Waldir atua em Fernando de Noronha e Recife como mixologista, treinando bartenders e ministrando cursos. Sua motivação para não desistir vem da vontade de ser uma pessoa melhor e se destacar em sua área.

Júlia deixa uma mensagem para quem enfrenta desafios semelhantes:

Júlia e família. (Foto: Arquivo Pessoal)

"Escolher viver bem após a amputação não significa que não teremos dias difíceis, mas sim que nesses dias encontraremos força para levantar e fazer cada segundo valer a pena. Se você é amputado ou conhece alguém que seja, saiba que a vida não acaba por perder um membro. Ela pode continuar ainda melhor do que era."

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