Com 50 anos de existência e, aproximadamente, 33 anos de introdução no Brasil, a modalidade esportiva “Airsoft” é também uma realidade praticada por, pelo menos, 50 pessoas de Três Lagoas.
O Airsoft é um esporte que tem crescido cada vez mais no Brasil e consiste em simular situações diversas de combate e de militarismo. Nessas simulações, os jogadores, além das ações táticas, utilizam réplicas de armas que disparam bolinhas de plástico de, aproximadamente, seis mm de diâmetro tornando, assim, o esporte bastante real e dinâmico.
Como as bolinhas são rígidas - não possuindo nenhum tipo de tinta, ou sistema de marcação - o Airsoft ficou conhecido como um esporte que estimula a honra e a honestidade de seus participantes, que precisam se entregar sempre que forem atingidos.
Apesar de o esporte ter essa característica militar, é importante ressaltar que os perfis dos praticantes são variados - vão desde militares, a médicos, operários, dentistas, entre outros. As armas e as munições podem ser adquiridas através de várias lojas espalhadas pelo país e também pela internet.
A nossa reportagem conversou com um dos praticantes, o morador de Três Lagoas, um dos pioneiros do esporte local - João Riccardo Lembrancini Oliveira Bonfim - que nos contou como iniciou a equipe Black Sheep.
Conforme relata, tudo começou há quatro anos, com quatro amigos; depois, foram chegando outras pessoas com interesse de praticar o esporte e, hoje, a equipe tem, em torno de 50 integrantes. Contando com os visitantes, chega a alcançar o número de até 70 pessoas - que se reúnem aos domingos em uma área de Andradina e Ilha Solteira.
Para fazer parte da equipe, João Riccardo disse que todos os integrantes foram criteriosamente e rigorosamente analisados; tiveram de apresentar uma série de documentações, como antecedentes criminais, entre outras, além das recomendações quanto ao uso dos armamentos e sobre as regras do jogo.
“Sempre que entram novos integrantes, falamos sobre disciplina e respeito às regras” - disse.
Ele ainda explica que Três Lagoas tem dois locais apropriados para a prática do esporte; porém, para utilizá-los, os esportistas dependem de uma assinatura por parte da prefeitura - o que já foi pedido, pela equipe. Um seria sentido Brasilândia - em um antigo alojamento que abrigava trabalhadores que construíram a primeira fábrica da Fibria; o outro, na área de construção da barragem da Cesp, também chamada de fábrica de cimento. Para ele, os dois locais seriam ideais, pois possuem cenários propícios para a prática da modalidade.
“Estes locais são ideais, pois possuem os cenários que buscamos. São cenários de ruínas - como se fosse um cenário de guerra. É um local que tem mato e construções em ruínas” - destaca.
Para ele, muitos esportistas não têm condições de sair de Três Lagoas em pleno domingo para ir até Andradina - já que tem o custo com combustível - além de terem de acordar de madrugada - o que se torna inviável para muitos que trabalham durante a semana e querem descansar um pouco mais. Então, a alternativa seria continuar tendo o campo onde praticam - em uma pedreira na cidade de Andradina - e pelo menos um em Três Lagoas.
O pedido para liberação da área já foi solicitado; porém, João conta que agora espera uma resposta da prefeitura que, por sua vez, aguarda a manifestação do setor jurídico.
“Queremos utilizar os locais que hoje estão totalmente abandonados, servindo apenas como pontos de encontro para usuários de drogas. A equipe se compromete a zelar do local - além do que, aumentaria também o número de participantes. Se a prefeitura liberar estes dois locais para nossa equipe, garanto que teríamos pelo menos mais umas 25 ou 30 pessoas praticando o esporte” - reforça.
No intuito de demonstrar ainda mais a seriedade e o comprometimento do grupo, alguns membros foram até a Polícia Militar de Três Lagoas e conversaram com o comandante que deu total apoio para que eles pudessem praticar a atividade com segurança.
Na ocasião, João Riccardo revelou que a Instituição gostou do que foi falado sobre o esporte e que inclusive se interessou em também poder participar, tendo em vista as táticas militares que são postas em prática pela equipe.
“Mostramos ao comandante como funciona a atividade esportiva. Ele gostou muito e nos deu total apoio. Inclusive, nos disse até de incluir a Rotai nos nossos treinamentos” – ressalta o esportista, que finaliza dizendo que a equipe realizou, há cerca de dois meses, um treinamento chamando nivelamento.
“Na oportunidade, um profissional de São José do Rio Preto veio até Andradina e nos deu este tipo de treinamento sobre táticas militares de combate e de incursão em ambientes abertos e fechados. O esporte não é só uma diversão - é um treinamento. Quem participa sabe que nós ganhamos muita experiência de combate militar” - finaliza.
SOBRE O AIRSOFT
O Airsoft surgiu no Japão; mais precisamente, na década de 1970, sendo um esporte muito popular em todo mundo, e que a cada dia vem se popularizando no Brasil.
O Japão é um país muito rico, industrializado e com leis bem rígidas; uma delas é a proibição de porte de amas para civis. E este foi um dos grandes motivos da criação do esporte Airsoft - onde um grupo de pessoas que eram amantes de armas - resolveu criar o jogo.
O tempo foi passando e o esporte começou a se popularizar no mundo todo; um dos grandes responsáveis por esse sucesso do esporte foram os videogames.
Com lançamento de vários jogos de guerras o estímulo ao jogo de Airsoft cresceu cada vez mais, não apenas no meio dos jovens, mas também entre os mais velhos. E, hoje em dia, é importante dizer que muitas mulheres praticam o esporte. Inclusive, aqui no blog da E-Militar, nós já falamos sobre o assunto neste artigo.
Aqui no Brasil o jogo começou a se popularizar bem mais tarde, quando o Airsoft já tinha uns 33 anos de existência.
Em 2003, com a fundação do fórum Airsoft Brasil, o jogo - assim como as regras e os tipos de armas - começaram a ficar mais conhecidos pela Diretoria de Fiscalização de Produtos Controlados - órgão ligado ao governo nacional, que regula os produtos controlados do país.
UM ESPORTE DE HONRA
Um dos principais pilares do esporte, se não o principal, é a questão da honra, como mencionamos anteriormente neste artigo.
Diferente de outros jogos similares - como é o caso do paintball, que tem a tinta como comprovação de que o adversário foi atingido - no Airsoft as munições são bolinhas de plástico. Por isso, um jogador honrado sabe reconhecer e se entregar quando for atingido.
ARMAS PARA AIRSOFT
Muito provavelmente, você já deve ter visto diversas armas de Airsoft, e talvez tenha pensando que todas seguem o mesmo padrão; mas a verdade é que existem três tipos de armas que podem ser utilizadas no jogo: elétrica, de gás e de mola.