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Branquinho: a história de um resgate que revela os desafios da proteção animal em Três Lagoas

Gatinho siamês foi encontrado no Vila Nova com moscas varejeiras e olhos infeccionados; ONG Protetoras TL mobilizou doações e encontrou lar temporário, mas os custos continuam

Patrícia Acunha - Hojemais - Três Lagoas 
17/09/26 às 15h31
Branquinho foi resgatado recentemente (Divulgação/Protetoras TL)

A cena cortava o coração. No início deste mês de setembro, no Bairro Vila Nova, em Três Lagoas, um gatinho de pelagem estilo siamês foi encontrado em situação extrema. O pequeno felino, que mais tarde seria batizado de Branquinho, já estava com os olhos severamente infeccionados e sofria com o ataque de moscas varejeiras.

 A mobilização para salvar a vida do animal começou rápido. Através da Associação Protetoras de Três Lagoas (Protetoras TL), doações garantiram a consulta e o início do tratamento veterinário. Ele fez exames, foi castrado e iniciou o tratamento de uma úlcera no olhinho. "Felizmente, a visão foi preservada", comemoraram as protetoras.

 Mas um novo obstáculo surgiu: encontrar um lar temporário para abrigá-lo. Branquinho é FeLV positivo, o que exige um lar sem outros gatos ou adequado para animais com o vírus. Após dias de mobilização, a ONG conseguiu uma acolhida. "Nosso muito obrigada a todos que compartilharam, ajudaram e se mobilizaram", publicaram.

 Agora, o desafio é financeiro. Entre internação, procedimentos, exames, castração, medicamentos e ração, os custos já somam aproximadamente R$ 1.900. E a conta continua crescendo.

A realidade da proteção animal

Branquinho está em um lar temporário e espera uma adoção responsável definitiva (Divulgação/Protetoras TL)

Em entrevista à reportagem, a voluntária Ana Samira explica que a história de Branquinho não é exceção, mas a regra. A Associação Protetoras de Três Lagoas atende, em média, entre 10 e 20 animais por mês. Se pudesse responder a todos os pedidos de ajuda, esse número ultrapassaria 100.

 "É difícil estabelecer uma média diária, porque a nossa capacidade de atendimento não representa a quantidade real de pedidos que recebemos", afirma Ana Samira. "Hoje, por limitações financeiras, falta de voluntários, tempo e, principalmente, de lares temporários, conseguimos atender diretamente entre 10 e 20 animais por mês."

 A maior dificuldade enfrentada pela ONG é justamente a falta de lar temporário. Sem sede ou abrigo, muitos resgates só acontecem quando há alguém disposto a acolher o animal. "Muitas vezes conseguimos atendimento e recursos, mas não conseguimos resgatar porque não temos onde deixar o animal", explica.

 A segunda barreira é a falta de voluntários. São poucas pessoas para uma demanda que não para de crescer. A terceira é a financeira, que depende de doações e ações de arrecadação.

Castração como prevenção

Gatinho estava em condições precárias antes do resgate (Reprodução/Protetoras TL)
Gatinho passou por tratamento veterinário (Reprodução/Protetoras TL)

O abandono, segundo Ana Samira, acontece durante todo o ano, sem sazonalidade definida. Para reduzir o número de animais nas ruas, a ONG defende a castração como principal ferramenta de controle populacional.

 "Consideramos o Castramóvel uma iniciativa muito importante, porém a demanda ainda é muito maior do que a oferta. As vagas costumam se esgotar já na primeira semana", relata. A sugestão da entidade é a criação de um ponto fixo e central de castração, funcionando durante todo o ano, além de campanhas de castração em massa em regiões de maior vulnerabilidade.

  Como ajudar

 Quem deseja contribuir com a causa pode oferecer lar temporário, atuar como voluntário, doar ração, medicamentos ou recursos financeiros. A chave PIX oficial da Associação Protetoras de Três Lagoas é o CNPJ 29.022.433/0001-20.

 "A proteção animal funciona muito melhor quando existe essa rede de apoio e todos participam. Quanto mais pessoas se unem à causa, conseguimos dividir as responsabilidades e alcançar muito mais animais", conclui Ana Samira.

 Para quem pensa em adotar, o alerta é claro: um animal é um compromisso para toda a vida. "É preciso ter tempo, espaço e disposição para cuidar dele em todas as fases, inclusive na velhice ou quando adoecer. Adotar é trazer um novo membro para a família", finaliza a voluntária.

 A história de Branquinho é um lembrete de que a proteção animal não é feita apenas de resgates, mas de uma rede de solidariedade que precisa ser alimentada todos os dias. E cada gesto, por menor que pareça, pode transformar a vida de um animal que só precisa de uma chance.

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