A morte de Wandete Góis da Silva, de 58 anos , ocorrida em agosto em Ponta Porã, passou a ser investigada como feminicídio pela Polícia Civil de Mato Grosso do Sul . A mudança na tipificação aumenta a preocupação com os casos de violência contra a mulher registrados no Estado em 2026.
Wandete morreu na noite de 2 de agosto , após ser atropelada por um caminhão no km 102 da BR-463, na região de Sanga Puitã, em Ponta Porã. O principal investigado é o marido da vítima, de 49 anos. Inicialmente, a ocorrência havia sido registrada como homicídio culposo na direção de veículo automotor.
Segundo informações divulgadas sobre a investigação, o casal havia participado de uma confraternização de caminhoneiros antes da ocorrência. O homem se apresentou à polícia no dia seguinte e foi preso. Na ocasião, afirmou que Wandete teria se lançado contra o veículo e que não percebeu o atropelamento, deixando o local sem prestar socorro.
Durante a perícia, um fragmento de plástico encontrado próximo ao corpo foi posteriormente relacionado ao caminhão conduzido pelo marido. O veículo foi localizado em frente à residência do casal com parte do para-lama quebrada.
Com o avanço das apurações, análise de imagens de câmeras de segurança e depoimentos de testemunhas levaram à mudança da tipificação do caso. A Polícia Civil informou que o inquérito continua em andamento e que detalhes não serão divulgados neste momento para não prejudicar as investigações.
Divergência nos números
Publicação desta quinta-feira (17) informa que a reclassificação faria Mato Grosso do Sul chegar a 28 feminicídios em 2026 . Entretanto, o Monitor da Violência Contra a Mulher , mantido com dados da Sejusp-MS e do Poder Judiciário, estava atualizado até 23h59 de quarta-feira (16) com 27 feminicídios , número que também corresponde à lista nominal disponível das vítimas.
O caso mais recente ocorreu na quarta-feira (16), em Campo Grande. Vera Lúcia Rossate da Cunha, de 59 anos , foi morta a tiros dentro de seu estabelecimento comercial no bairro Zé Pereira. O irmão dela, apontado como autor, morreu após atirar contra si mesmo.
Mulheres vítimas de feminicídio em MS em 2026
Até a atualização disponível, são estas as vítimas registradas no Estado:
- Josefa dos Santos , 44 anos — Bela Vista — 16 de janeiro;
- Rosana Candia Ohara , 62 anos — Corumbá — 24 de janeiro;
- Nilza de Almeida Lima , 50 anos — Coxim — 22 de fevereiro;
- Beatriz Benevides da Silva , 18 anos — Três Lagoas — 25 de fevereiro;
- Liliane de Souza Bonfim Duarte , 51 anos — Ponta Porã — março;
- Leise Aparecida Cruz , 40 anos — Anastácio — 6 de março;
- Ereni Benites , 44 anos — Paranhos — 8 de março;
- Fátima Aparecida da Silva , 58 anos — Selvíria — 23 de março;
- Marlene de Brito Rodrigues , 59 anos — Campo Grande — 6 de abril;
- Vera Lúcia da Silva , 42 anos — Eldorado — 12 de abril;
- Zelita Rodrigues de Souza , 74 anos — Mundo Novo — abril;
- Fabíola Marcotti , 51 anos — Campo Grande — 18 de maio;
- Maria do Carmo de Souza , 66 anos — Naviraí — 28 de junho;
- Paula de Souza Conceição , 29 anos — Fátima do Sul — 11 de julho;
- Rosenilda de Oliveira Candelário , 48 anos — Nioaque — 17 de julho;
- Terezinha Nantes de Arruda , 54 anos — Campo Grande — 27 de julho;
- Ana Carolina Goes , 45 anos — Água Clara — 30 de julho;
- Adrielle Encarnação Rodrigues , 26 anos — Corumbá — 31 de julho;
- Rose Batista Cabreira , 41 anos — Dourados — 2 de agosto;
- Wandete Góis da Silva , 58 anos — Ponta Porã — 2 de agosto;
- Adriana Barrios , 22 anos — Paranhos — 5 de agosto;
- Nathália Rodrigues Nogueira , 26 anos — Rio Verde de Mato Grosso — 6 de agosto;
- Joseane Oliveira Nunes , 33 anos — Campo Grande — 19 de agosto;
- Fátima Alves de Matos , 54 anos — Costa Rica — agosto;
- Marta Florentino Godoi , 40 anos — Aquidauana — agosto;
- Adriele dos Santos , 34 anos — Campo Grande — 29 de agosto;
- Vera Lúcia Rossate da Cunha , 59 anos — Campo Grande — 16 de setembro.
Agosto aparece como o período mais crítico do ano, com oito feminicídios registrados em Mato Grosso do Sul após a reclassificação da morte de Wandete.
Onde buscar ajuda
Mulheres vítimas de violência ou pessoas que tenham conhecimento de situações de agressão podem procurar ajuda pelo Ligue 180 , Central de Atendimento à Mulher, que funciona 24 horas. Em situações de emergência ou quando a violência estiver acontecendo, a orientação é acionar a Polícia Militar pelo 190 .
Mato Grosso do Sul também conta com Delegacias de Atendimento à Mulher e outros serviços da rede de proteção e enfrentamento à violência doméstica.
Com informações do monitor da violência*
