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Com 600 demissões, prefeitura deverá economizar R$ 2 milhões por mês

Se não efetuar as demissões, quando chegar agosto ela não terá dinheiro para pagar a folha

Com informações de Aurora Villalba - João Maria Vicente
10/02/15 às 18h09
Informações foram repassadas pelo vereador Jorginho do Gás (Arquivo)

Com as 600 demissões de servidores que a prefeita Márcia Moura (PMDB) fará nos próximos dias, a prefeitura irá economizar uma média de dois milhões de reais por mês. Foi o que informou o presidente da Câmara de Três Lagoas, vereador Jorginho do Gás (PSDB). Foi o que ele informou durante entrevista ao Hojemais, com base em dados da empresa de consultoria contratada pela prefeitura. Caso a prefeita não promovesse os cortes, segundo o vereador, tendo em vista a queda no valor do repasse do FPM (Fundo de Participação dos Municípios) a cada ano, quando chegasse agosto a prefeita não teria condições de efetuar o pagamento da folha.

Jorginho tomou conhecimento destas informações durante reunião entre os vereadores da base e a prefeita, a quem ela detalhou as medidas que pretende adotar visando resolver os problemas atuais enfrentados por ela, os quais têm gerado muitas cobranças por parte dos munícipes.

As cobranças, segundo ele, tem sido, por exemplo, por não conseguir realizar obras necessárias, não proporcionar um bom atendimento na saúde e a falta investimento em remédios.

Por conta disto, no ano passado a prefeita contratou uma empresa de gestão, de renome nacional, para que possa melhorar a qualidade de serviço e gestão.

Segundo Jorginho, a empresa determinou que o primeiro passo seja a diminuição da folha de pagamento, que é considerada muito elevada, ultrapassando o 50% do orçamento.

De acordo com a média nacional, o ideal é que a prefeitura contrate um funcionário para cada 50 habitantes. Atualmente em Três Lagoas, há um servidor para cada 23 moradores. Assim, mesmo com o corte dos 600 servidores, a prefeitura ainda fica longe do ideal, ou seja, um servidor para cada 37 munícipes.

Ainda segundo Jorginho do Gás, a empresa não sugeriu apenas as demissões. Será necessário também treinar os servidores já contratados, porque onde havia cinco, deverá ficar três. “Então não é somente demitir, tem que mudar a qualidade do serviço”, diz o vereador, observando que os que vão ficar, terão uma demanda maior, com muito mais ocupações.

“Nós não temos o direito de dizer não demita, porque ela nos mostra por números que precisa demitir, mas podemos cobrar dela o funcionamento de gestão”, diz, alertando que dará um prazo necessário para que as coisas aconteçam, “porque se não acontecer vamos cobrar duramente, pois ela [a prefeita] precisará fazer as obras necessárias, melhorar a qualidade de atendimento, suprir a demanda da saúde e tudo isso, com menos pessoas”, frisa.

“Serão 600 famílias desempregadas do dia para a noite, sem seguro desemprego e é complicado; mais 600 pessoas pedindo emprego em Três Lagoas”, observa. “Ficamos tristes, mas por outro lado a população cobra uma resposta da prefeita”.

NEPOTISMO

Em relação à demissão de trabalhadores ligados aos vereadores, ficou para final de março. “Acho que no acordo que ela fez com a promotoria, o Fernando Lanza [promotor de Justiça] deu prazo de 90 dias por meio de TAC [Termo de Ajustamento de Conduta], que vence dia 3 de abril; ela terá até aí pra fazer o levantamento e demiti-los”. O vereador diz que no seu entendimento cabe briga jurídica, com base em jurisprudência. “Mas a prefeita preferiu não tocar a ação e achou melhor fazer acordo; na Câmara nós não fazemos isso e não contratamos”, informa.

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