Política

DIA DAS MÃES: “Maternar é uma pauta política”

Frase é frequentemente utilizada por Cristina Machado, do perfil “Plantão Materno” no Facebook e no Instagram

Daniela Galli - Hojemais Três Lagoas
07/05/21 às 13h09
Cristina, Henrique e Júlia (arquivo pessoal)

Mais do que falar de amor e carinho no Dia das Mães, algumas influenciadoras digitais debatem assuntos como as políticas públicas voltadas para as mães, principalmente aquelas que seguem “carreira solo”. 

Cristina Machado é consultora de amamentação, mora em Porto Alegre-RS, é mãe de Henrique de 12 anos e de Júlia de sete. Quem entra em seu perfil (@plantãomaterno) dá de cara com postagens que vão muito além da maternidade como sexualidade, ciência, os desafios de ser mãe de dois e política. 

De acordo com dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), divulgados pelo Governo Federal no início deste ano, a participação feminina em cargos públicos aumentou. Até 2016, somente 13% das cadeiras do poder legislativo eram ocupadas por mulheres. Ano passado elas somaram 16%. 

O número de prefeitas eleitas também aumentou: cerca de 4,5%, comparando 2016e 2020. No Mato Grosso do sul elas já estão à frente de 40% a mais de cidades, também em comparação às duas eleições. 

Cristina acredita que, cada vez mais é preciso se envolver com política. “O país é o campeão em cesáreas eletivas. O que isso tem a ver com política? Este tipo de operação dificulta a amamentação, que é a principal forma de prevenir a mortalidade por doenças evitáveis como a diarreia, por exemplo. É preciso que haja uma estratégia de política pública para mudar a forma de nascer e amamentar no Brasil”.

A consultora lembra ainda que a maioria das mulheres que são mães ficou desempregada na pandemia porque as creches e escolas são redes de apoio social importantes. “Eleger governos que não discutem a pauta infantil de acesso às escolas desde o berçário é deixar uma enorme parte da população à margem do desemprego”.

Giovanna, Maju e Martin (arquivo pessoal)

A professora Giovanna Paula Coelho Dos Santos, mãe da Maju de cinco anos e do Martin de 2, concorda. “Ninguém pensa que uma mulher em um avião precisa de ajuda com uma criança chorando. Só sentimos ‘na pele’ quando entramos nesse mundo. Um dos problemas de deixar a maternidade exclusivamente para a mulher é esse. As responsabilidades recaem sobre nós enquanto a sociedade cresce e se desenvolve. O importante de participarmos desses movimentos é fazer por nós o que ninguém se importa em fazer”.

Melina DVilla Silva Lima (arquivo pessoal)

“RESPIRAR É UM ATO POLÍTICO”

A PHD em Química, Melina D’Villa Silva Lima, mãe da Maria Luíza de cinco anos endossa o que disseram as outras mães. “Nós precisamos de representatividade porque o feminismo é um ato político”.

Na opinião dela é preciso lutar por igualdade dos nos direitos, nos salários, por melhoria nas escolas dos filhos, além de saúde e emprego. 

Thalita Nakasse (arquivo pessoal)

A estudante de medicina Thalita Nakasse, mãe de Kenji de 17 anos e Yuri, de 14, diz que pensar em política e falar sobre ela é tão vital quanto o simples ato de respirar. “É preciso falar sobre a escolha de maternar ou não, vacinação, métodos contraceptivos, pré-natal, licença maternidade, tudo isso é político”.

Para ela, os direitos das mulheres são transitórios, ainda que conquistados, diferente dos homens, cujos direitos são permanentes. “Basta uma crise para que nossas garantias sejam questionadas. São os homens que fazem as leis porque eles ainda dominam os cargos de poder. E vai ser sempre assim a menos que a mulherada se interesse mais pela política”.

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