O governador Reinaldo Azambuja (PSDB) enfrentou nesta terça-feira a primeira prova de fogo na Assembleia Legislativa, onde deputados do PMDB e PSDB se confrontaram em discussão pela paternidade de projetos e de ações malsucedidas envolvendo o governo anterior.
Em discurso na tribuna, o deputado Marquinhos Trad (PMDB) deu sinais de como será sua postura daqui para frente, cobrando algumas ações do Executivo mesmo antes do fim da ‘lua de mel’ de Reinaldo Azambuja, ou seja, de completar os 100 dias de governo.
O peemedebista, que também foi uma verdadeira pedra no sapato do então governador André Puccinelli (PMDB), questionou o fato de o tucano alegar falta de dinheiro em caixa para manter os investimentos em obras inacabadas e também criticou o congelamento no repasse do programa Vale Renda em R$ 170,00.
O debate, no entanto, não chegou a ser tão acirrado entre os integrantes da base aliada, mas deve sinalizar como será o clima no plenário da Assembleia toda vez que um tucano ou um peemedebista tocar no nome dos dois líderes políticos.
A provocação do peemedebista irritou alguns integrantes da base aliada, como os deputados Paulo Corrêa (PR), Professor Rinaldo (PSDB), líder do governo, e Zé Teixeira (DEM), que saíram em defesa de Reinaldo Azambuja.
Corrêa, por exemplo, criticou o fato de o governo do PMDB ter deixado de lado as obras do Aquário do Pantanal, lembrando que o projeto foi orçado em R$ 85 milhões e hoje já ultrapassa a casa dos R$ 240 milhões.
O líder do governo também pediu a palavra na tentativa de minimizar. Rinaldo falou do período de trégua dado aos governos em começo de mandato, lembrando quando foi vereador, à época das administrações de André Puccinelli e Nelsinho Trad (PMDB) à frente da prefeitura de Campo Grande.
“Nós não estamos aqui para jogar pedra no governo passado, falo embasado nas notícias. Essa questão dos R$ 54 milhões dos consignados em quero saber o detalhe. O Aquário do Pantanal vai ficar legal, mas vai passar os R$ 250 milhões no momento de crise que estamos vivendo. Isso é uma vergonha nacional”, reagiu o líder do governo, em crítica a André Puccinelli.
Rinaldo lembrou ainda obras deixadas por governos anteriores, como o de Pedro Pedrossian, que deixaram de ser concluídas, a exemplo do Terminal Rodoviário de Campo Grande, no bairro Cabreuva, e o Mercado do Produtor. “Esse não é o momento de caça às bruxas, é de saber como foram encontradas as finanças do Estado”, emendou o tucano.
Diante disso, Marquinhos voltou a cutucar os colegas aliados, ao reclamar que o atual governo não está cumprindo a lei que prevê parcelamento da dívida do IPVA (Imposto sobre Propriedade de Veículos Automotores), proposta de sua autoria que foi aprovada pela Assembleia na legislatura anterior.
Ele disse ter sido procurado pelos atuais governantes, ainda durante a campanha, que garantiram parcelar os débitos do IPVA, mas até agora, segundo o deputado, o Detran não cumpriu o que foi acordado.
“Eu até entendo as colocações dos deputados Paulo Corrêa e Rinaldo, mas o governo dizer que não tem dinheiro para as obras paralisadas é a mesma coisa que dizer o sol não esquenta. Eu acho até estranho, se nós estamos no nível de maturidade. É por isso que estamos desacreditando cada vez mais da classe política, a pessoa aparece como salvador da pátria e quando assume não cumpre”, disparou.
Ele foi socorrido pelo correligionário Eduardo Rocha (PMDB), que usou o microfone de apartes para defender André Puccinelli. “Tem dinheiro sim para o Aquário, o empréstimo foi aprovado pelo BNDES. Esta Casa aprovou com o meu voto, uma obra que foi tão polêmica, mas que no futuro todos vão ver que o governador André Puccinelli tinha razão. Ele foi o governador que mais investiu na saúde”, elogiou Rocha.
Apesar de ser o primeiro-secretário da Mesa Diretora da Casa, o deputado Zé Teixeira (DEM) fez questão de usar a tribuna para fazer algumas colocações.
O democrata disse que não está ali para defender Reinaldo, mas argumentou que o dinheiro deixado pelo antecessor não dá para concluir as obras do Aquário do Pantanal. Zé Teixeira também lembrou que André Puccinelli ficou um ano sem pagar o programa Vale Renda, deixando várias famílias sem o benefício.
“Estamos num pais de enganação, de mentiras (...), eu quero avaliar o governo Reinaldo depois que começar a caminhar, agora ninguém pode ser irresponsável como um governo que iniciou a obra e não tem dinheiro para concluir”, estocou Teixeira, que também fez duras críticas ao governo federal.
Ainda em sua fala, Marquinhos não poupou nem a presidente Dilma Roussef, mostrando em seu discurso, por meio de uma gravação em seu celular, a fala da petista durante sua campanha à reeleição.
Na gravação, Dilma promete reduzir a conta de energia dos brasileiros. “Olha porque desacreditam na gente, preste atenção nesse depoimento, a Dilma dizendo que a energia iria ficar 18% mais barata. Não vou ficar analisando aqui atitudes cada vez mais falaciosas e mentirosas, isso aqui é o último degrau da política. Eu poderia dizer que isso é o apocalipse da política, isso é um estelionato qualificado”, protestou.
Segundo Marquinhos, a Assembleia tem grande chance de mostrar que defende realmente o cidadão e não ficar ‘brincando de defender todos aqueles que apoiaram os deputados’.