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Há 19 anos, Mato Grosso do Sul se despedia de Ramez Tebet, uma das maiores figuras políticas do estado

Mais do que um político experiente, Ramez era um apaixonado pela vida e por Três Lagoas, cidade onde deu início à sua trajetória pública.

Da Redação - Hojemais Três Lagoas
17/11/25 às 07h33
Simone com o pai Ramez Tebet (Arquivo Pessoal)

O dia 17 de novembro marca uma data de grande significado para a política brasileira, especialmente em Mato Grosso do Sul. Há 19 anos, em 2006, falecia o senador Ramez Tebet, ex-prefeito de Três Lagoas e ex-presidente do Senado Federal. Após duas décadas enfrentando uma batalha contra o câncer, Tebet deixou um vazio profundo em sua terra natal, onde era reconhecido pela integridade, simplicidade e proximidade com a população.

Mais do que um político experiente, Ramez era um apaixonado pela vida e por Três Lagoas, cidade onde deu início à sua trajetória pública. Era comum vê-lo caminhando pelas ruas, interrompendo por instantes as músicas que sempre o acompanhavam, apenas para conversar com as pessoas. Essa vocação para o diálogo se tornou uma de suas marcas pessoais.

 

Nascido em 7 de novembro de 1936, filho dos imigrantes libaneses Taufic e Angelina Tebet, Ramez formou-se em Direito pela Faculdade Nacional do Rio de Janeiro em 1957, mas encontrou na política sua verdadeira missão. Casado com Fairte Nassar Tebet, teve quatro filhos: Simone, Maria Eduarda e os gêmeos Rodrigo e Rames. Seu legado segue vivo na memória da população sul-mato-grossense e na história política do país.

Trajetória marcada por protagonismo nacional

A década de 1990 consolidou Ramez Tebet como um dos nomes de maior projeção no cenário político brasileiro. Eleito senador em 1994, assumiu a vice-liderança do governo e ganhou relevância ao presidir a Comissão de Ética em um dos momentos mais turbulentos da história recente do Senado, quando parlamentares renunciaram para evitar processos de cassação.

No ano 2000, Tebet presidiu a CPI do Judiciário, encarregada de investigar irregularidades e práticas controversas dentro do sistema de Justiça. Sua atuação firme reforçou sua imagem de defensor da transparência e da integridade nas instituições públicas.

Em 2001, durante o episódio da quebra do sigilo do painel eletrônico do Senado — que resultou nas renúncias de Antônio Carlos Magalhães, José Roberto Arruda e Jader Barbalho — Ramez foi nomeado ministro da Integração Nacional pelo então presidente Fernando Henrique Cardoso. Três meses depois, com a renúncia de Barbalho à presidência do Senado, ele retornou à Casa e assumiu o comando da instituição, conduzindo os trabalhos até janeiro de 2003. Coube a ele dar posse ao então presidente eleito Luiz Inácio Lula da Silva, em um dos momentos mais simbólicos da política nacional.

A consagração eleitoral veio em 2002, quando alcançou a maior votação já registrada por um político sul-mato-grossense: mais de 730 mil votos. Na nova legislatura, atuou como relator da nova Lei de Falências e participou diretamente da reforma tributária, integrando ainda as poderosas Comissões de Constituição e Justiça e de Assuntos Econômicos.

Sua carreira foi marcada por firmeza, equilíbrio e responsabilidade institucional — características que o tornaram uma das figuras mais respeitadas do Congresso Nacional.

Legado político e inspiração familiar

O legado de Ramez Tebet segue vivo, especialmente na trajetória de sua filha mais velha, Simone Tebet, que herdou do pai a vocação para a vida pública. Eleita deputada estadual em 2002, Simone renunciou ao mandato dois anos depois para assumir a prefeitura de Três Lagoas, cargo que o pai havia ocupado nos anos 1970. Desde então, sua carreira tem sido marcada por pioneirismo.

Em 2010, ao lado de André Puccinelli — afilhado político de Ramez — Simone assumiu a vice-governadoria de Mato Grosso do Sul. Em 2014, foi eleita senadora pelo PMDB, ocupando a mesma cadeira que o pai havia honrado.

Pioneirismo no Senado

No Senado, Simone Tebet abriu caminhos inéditos para mulheres na política brasileira:

  • primeira mulher a liderar a bancada feminina;

  • primeira mulher a liderar a bancada do MDB;

  • primeira mulher a presidir a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), a mais importante do Senado;

  • primeira mulher candidata à presidência da Casa, em 2021.

 

Atualmente ministra do Planejamento e Orçamento, Simone mantém viva a história da família. Em uma cerimônia emocionada no Salão Nobre do Senado, acompanhou a reinstalação do retrato do pai na galeria dos ex-presidentes, reforçando a memória e a importância de Ramez Tebet para a política brasileira.

Memória preservada

Ramez Tebet partiu em 2006, mas seu exemplo permanece vivo — na história do país, na gratidão da população de Três Lagoas e no trabalho de sua filha Simone, que segue construindo seu próprio legado sem deixar de honrar os princípios transmitidos pelo pai.

Uma história de dedicação pública, coragem, diálogo e amor pelo Brasil.

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