O investimento feito no estádio Mané Garrincha, construído para receber os jogos da Copa do Mundo 2014 em Brasília, avaliado em R$ 1,2 bilhão, seria mais que suficiente para pagar terras indígenas demarcadas, incluíndo todas as benfeitorias, e sanar o conflito entre índios e fazendeiros em Mato Grosso do Sul, é o que garante o presidente da Acrissul (Associação dos Criadores de Mato Grosso do Sul), Francisco Maia.
“Claro que é apenas uma estimativa, mas somando 70 mil hectares acredito que seja cerca de R$ 1 bilhão para que o Governo Federal pague o valor justo pelas terras dos ruralistas do Estado. Depende de região para região, pode ser que seja até menos”, explicou ele ao Campo Grande News.
Somente a fazenda Buriti, local onde ocorreu o início do conflito, no início de maio, está avaliada em R$ 150 milhões, verba insignificante se comparada aos 153% de aumento no custo da reforma do estádio Beira Rio, no Rio Grande do Sul. Em 2010 a reestruturação do lugar previa gasto de R$ 130 milhões para R$ 330 milhões em balanço feito este ano.
Desta forma, diante dos R$ 7.131.800.00 investidos em reformas e construção de estádios, a única explicação plausível para o Governo Federal não resolver uma guerra que se estende há uma década é apenas um na opinião de Maia: “Falta de vontade política”.
Mesmo assim, por conta da repercussão mundial que o caso ganhou no último mês, Chico acredita que o poder público sairá da inércia para encontrar uma solução. “Agora há um interesse político em agir”. Outro fator agravante que a morosidade do governo pode gerar é a piora no relacionamento entre índios e fazendeiros.
“Isso está fácil de resolver. Na Buriti não tem mais como dialogar. A resposta tem que ser imediata. Tem que ser objetiva, caso contrário o conflito vai piorar e o prejuízo será bem maior que financeiro. Será prejuízo de preconceito entre os dois lados e isso é um verdadeiro crime”, opinou o presidente.