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Jorginho se defende e conta o que pode ter motivado Tonico a fazer a denúncia

Vereador considerava ex-assessor como pai e afirma não ter pegado dinheiro algum

Guta Rufino
11/05/15 às 13h51
Presidente da câmara Jorge Aparecido Queiroz, o Jorginho do Gás (PSDB) (André Mitterer)

Na coletiva de imprensa que aconteceu na manhã desta segunda-feira (11), na Câmara Municipal de Três Lagoas, o vereador e presidente, Jorge Aparecido Queiroz, o Jorginho do Gás (PSDB), desmentiu a denúncia apresentada pela imprensa na última quinta-feira (7), de que ele estaria se apropriando de parte do salário de um de seus assessores. “Uma certeza eu tenho. Eu não peguei um real dele e isso eu deixo bem claro. Quem me conhece sabe que eu não faço esse tipo de coisa”.

O presidente da câmara, iniciou a coletiva de imprensa informando que não prestou esclarecimentos antes, devido ter chegado na madrugada de sexta-feira (8), de sua viagem para a 3ª Mobilização Nacional de Vereadores, que aconteceu nos dias 5, 6 e 7, no Congresso Nacional, em Brasília (DF).

As explicações de Jorginho se basearam nas diárias que não foram devolvidas em 2013, quando Tonico teria recebido o dinheiro para fazer uma viagem que não sucedeu. O assessor teria sido cobrado por diversas vezes, mas não devolveu o dinheiro aos sofres públicos, então, em março deste ano, o vereador fez um depósito nominal para restituir a quantia.

(IN)GRATIDÃO

Jorginho deixou de lado os últimos acontecimentos e agradeceu ao tempo que o denunciante e ex-funcionário esteve com ele, elogiando o ótimo desempenho em seu trabalho. “A verdade tem que ser dita, ele trabalhava muito bem. Ele era meu funcionário mais próximo, não sei se eu sou carente, mas meu pai morreu eu tinha dois anos, sempre dizia que ele [Tonico] era o pai que não tive.

Em um breve relato, o vereador disse que conheceu seu assessor por meio de um amigo, em 2008 e desde então, trabalha com ele. “Ele foi voluntário na campanha e eu achei que ele merecia estar no quadro de assessores do meu gabinete. Ele sempre demonstrava boa vontade e estava comigo a todo momento”.

O assessor foi exonerado na sexta-feira (8). “Eu decidi tomar essa decisão porque ele declarou a todos por meio da imprensa, que eu não tinha condições de representar a mim mesmo ou a minha família, além disso ele me chamou de criminoso, ofendeu minha honra e imagem”.

A VIAGEM QUE NÃO FOI E O DINHEIRO QUE NÃO VOLTOU

O principal esclarecimento feito por Jorginho durante a coletiva foi sobre a viagem em 2013, que Tonico não teria feito e, mas teria pegado diárias no valor de R$ 3,6 mil.  “Ele não foi porque não havia espaço no carro, sendo assim, ele deveria devolver o dinheiro aos cofres públicos, mas isso não aconteceu”.

Segundo o vereador, foram várias as tentativas de resgatar o dinheiro, mas o assessor estaria “enrolando”. “Ele prometia, prometia, mas não devolvia. Falava que estava apertado e que era para eu ter paciência e dava um sorriso, que era característico dele”.

De acordo com documentação do administrativo da Câmara Municipal, em outubro de 2013 houve uma comunicação interna registrando que Antônio Nunes Siqueira não havia viajado.

O primeiro biênio concluiu e o dinheiro não foi devolvido. No dia 6 de janeiro, o diretor administrativo da câmara, André Ribeiro, comunicou ao gabinete do vereador Jorginho do Gás que fosse tomada providência sobre a irregularidade. Jorginho explicou durante a coletiva, que caso não houvesse a restituição do valor das diárias, Antônio Nunes Siqueira poderia responder por peculato, apropriação indébita e as diárias ao gabinete do presidente da câmara seriam cortadas.

Diante desta situação, o vereador decidiu quitar o débito de Tonico, para evitar maiores transtornos. “No dia 10 de março peguei o dinheiro emprestado com minha sogra e fiz um depósito nominal. Devolvi o valor já com correção”.

O vereador não deixou de demonstrar sua indignação quanto à denúncia. “Acho estranho ele ter feito isso em minha ausência. Em nenhum momento eu peguei dinheiro dele. Não sei o porquê dele ter feito isso”.

Sobre outras viagens que o assessor teria feito e pegado diárias, André Ribeiro esclareceu. “É feito um relatório de viagem. Das outras viagens que ele foi, ele fez. Se ele não foi, ele está cometendo um crime, porque ele assinou um documento”.

O PORQUÊ

Durante a coletiva, o presidente da câmara levantou algumas hipóteses sobre o motivo que teria levado Tonico, o homem que ele disse ter considerado como pai e amigo, a fazer essa denúncia. “O que pode ter acontecido é que ele pode ter ficado chateado com a demissão de sua filha, que aconteceu em fevereiro deste ano, quando saíram 11 funcionários da câmara, por desvio de função. Além disso, o filho dele também foi demitido, no corte que houve na prefeitura e ele queria que eu segurasse a vaga dele, mas eu expliquei que não segurei nem meus filhos nos cargos que estavam”.

Outra suposição feita pelo vereador foi questões políticas. “Meu partido está forte no Estado, temos um governador, além disso, eu sou presidente da câmara de uma das maiores cidades de mato Grosso do Sul e fui o deputado federal mais bem votado de Três Lagoas. “Eu sei o que sou e onde estou, sei o que tenho que agüentar”, desabafou o vereador, sobre sua posição política privilegiada.

Em suas considerações finais Jorginho declarou: “Na hora que tudo estiver esclarecido a verdade vai aparecer. E eu vou estar de cabeça erguida e mostrar para toda Três Lagoas que essa denúncia não vai me derrubar”, concluiu.

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