A pulverização de candidaturas, conforme antevê o quadro sucessório local, pode enfraquecer alguma candidatura de peso à Prefeitura de Dourados em 2016, cujo confronto deve envolver em torno de quatro fortes lideranças políticas, além daqueles sem chances reais de suceder o prefeito Murilo Zauith (PSB).
Reconduzido presidente municipal do PMDB durante convenção ocorrida no domingo, o deputado federal Geraldo Resende mede constantemente, por meio de pesquisa para consumo interno, sua densidade eleitoral e tem divulgado que os números hoje lhe são favoráveis.
No entanto, o candidato do ex-governador André Puccinelli não deve ter tanta facilidade assim como propaga nas eleições municipais do ano que vem, isso porque outros potenciais nomes surgem como fortes alternativas como a vereadora Délia Razuk, que deve trocar em breve o PMDB pelo PR.
Délia aguarda apenas a promulgação da chamada janela partidária para se abrigar no PR a convite da deputada estadual Grazielle Machado (PR). Os números também têm oscilado com o nome da vereadora na dianteira, conforme atesta diretor de importante instituto de pesquisa de Campo Grande, o que demonstra indefinição do quadro sucessório local.
Também estão dispostos e aguardam a avaliação de seus partidos o ex-deputado federal Marçal Filho (PSDB), os deputados estaduais Barbosinha (PSB) e Zé Teixeira (DEM) e o empresário Adão Parizoto (PDT).
Para analistas, o cenário político pode mudar caso Zé Teixeira encabece a chapa majoritária com apoio de Reinaldo Azambuja e Murilo, tendo como vice Marçal Filho.
PROBLEMAS
O problema maior no PMDB é que o partido elegeu no domingo o novo diretório regional pensando primeiro em conter nova debandada no grupo liderado por André Puccinelli, após a saída de Marçal Filho, que foi para o PSDB do governador Reinaldo Azambuja, e da desfiliação iminente de Délia Razuk.
O partido convive em turbulência depois que André Puccinelli perdeu o controle do Estado, com defecções no diretório regional, de onde saíram o ex-prefeito de Campo Grande, Nelsinho Trad, e o ex-deputado federal Fábio Trad, além do racha visível no diretório douradense.
A missão de conter a saída de outros correligionários ficou evidente no discurso do vice-prefeito de Dourados, Odilon Azambuja, durante a convenção do fim de semana.
Percebendo o desfalque, Odilon lembrou a importância de Délia Razuk ao dizer que ainda tem esperanças de que ela permaneça nos quadros peemedebistas, o que é pouco provável diante da falta de espaço que tem para disputar a Prefeitura.
Délia deve disputar pelo PR (Foto: Divulgação )COM OU SEM JANELA
Integrantes da cúpula regional do PR disseram nesta segunda-feira (17) que Délia irá assinar a ficha de filiação ao partido com ou sem janela política.
No encerramento da primeira parte da reforma política, a Câmara dos Deputados aprovou em 17 de junho uma emenda à Constituição que abre um período de 30 dias para que deputados federais e estaduais e vereadores possam trocar de partido sem perderem seus mandatos.
De acordo com a proposta, a janela será aberta após a promulgação da emenda. Isso, porém, só acontecerá se a Câmara aprovar novamente o texto em uma segunda votação e se ele for mantido pelo Senado.
Segundo a emenda, o partido que perder um integrante não será prejudicado em relação ao cálculo para a distribuição dos recursos do Fundo Partidário e nem para o acesso ao tempo de rádio e TV.
O texto determina que as regras valerão para quem for detentor de mandato eletivo. No entanto, na prática, senadores, prefeitos, governadores e presidente da República não precisarão utilizar as novas normas porque o STF (Supremo Tribunal Federal) decidiu no fim de maio que a regra da fidelidade partidária não se aplica ao grupo.
Os eleitos para este cargo podem trocar de partido sem terem seus mandatos cassados.