Na primeira semana de votação da reforma política, o Plenário da Câmara decidiu manter o atual sistema de eleição de deputados e vereadores; acabar com a reeleição para chefes do Executivo; cortar o Fundo Partidário de legendas sem congressistas; e permitir doações de empresas a partidos, e de pessoas físicas a partidos e candidatos. Tudo faz parte da PEC 182/07, que está sendo discutida por temas.
Até agora, a reforma ocupou mais de vinte horas de debates em Plenário, com dez votações nominais e momentos tensos. Houve bate-bocas entre parlamentares, e o presidente da Casa, Eduardo Cunha, suspendeu a sessão para reunião reservada entre os líderes em duas ocasiões – na votação do financiamento empresarial e na discussão do tempo de mandato.
As medidas não refletiram positivamente entre os políticos de Três Lagoas. “Acho que a coligação e importante; é a única maneira de pessoa sem poder financeiro ser eleita, mas é meio injusta, pois teria que ser respeitada a vontade do povo e ser eleitos os mais votados; tem dois lados da moeda”, ponderou o vereador Gil do Jupiá. Sobre a reeleição, ele diz “é o que o povo quer muito. Mas, e se a pessoa for um bom governante por que não continuar?”
Já o presidente do Pros, Fabrício Venturoli afirma que, do princípio republicano surge a alternância de poder. “Eu creio que com o fim da reeleição este princípio seria melhor efetivado, dando oportunidade de outras lideranças mostrarem o seu trabalho”
Edivaldo Cavalcante, o Bacurau, do Rede Sustentabilidade, afirma que as regras pelas quais todas as agremiações partidárias serão submetidas com o fim das coligações proporcionais servirão como uma espécie de “seleção natural” dos partidos políticos. Sobre a reeleição, deixou o exemplo de que dos 513 deputados que compõem a atual legislatura, 260 dizem ter como profissão a política. “Tornaram-se, como se vê, políticos profissionais”, finaliza.
O vereador Jorge Martinho (PSD), por sua vez, considera que as dificuldades serão as mesmas, já que as regras não mudaram. Para ele, não estão fazendo a reforma que o povo esperava e que ela não muda o que realmente deveria ser mudado.
“No Brasil só se fara uma reforma pra valer, caso tenhamos uma Assembleia Nacional Constituinte eleita somente para esse fim. Infelizmente os nossos deputados votam a atual reforma olhando para o seu umbigo; defendendo os seus interesses”, ponderou.