“O jogo está aberto com todos os partidos”. Foi o que o vereador Tonhão, presidente do PMDB, respondeu ao ser questionado pelo Hojemais sobre possível dobradinha com o PSDB com a finalidade de apoiar Ângelo Guerreiro para prefeitura de Três Lagoas. Mas não descartou que o PMDB pode encabeçar uma chapa majoritária. “Não nego a força de Guerreiro, mas o PMDB é muito forte e tem de ser respeitado”, pontua, citando que o partido tem dois senadores (Simone e Moka), um deputado estadual (Eduardo Rocha) e a maior bancada na Câmara – quatro vereadores - além da prefeitura de Três Lagoas. “Ainda tem muita água para rolar embaixo da ponte”, frisa, citando que vai depender muito do que for acertado “lá em cima”, referindo-se à cúpula federal do partido.
As estratégias para 2016 estarão na pauta de reunião do diretório local, que deverá acontecer esta semana. Também estará em pauta nesta reunião uma série de ações voltadas para o centenário de Três Lagoas, bem como a adesão de novos filiados. Ele afirma que não há a preocupação com a qualidade, mas com a quantidade de novos peemedebistas. Nesse sentido, diz que vai priorizar filiações pendentes - em torno de mil - levando-se em conta que o dia 5 de outubro é o prazo máximo para se filiar pretensos candidatos nas eleições do ano que vem.
BOATOS
Em relação a possíveis reuniões secretas com o Partido dos Trabalhadores, Tonhão disse desconhecer. “Nunca participei e nem fui convidado para reunião com nenhum outro partido”, garante. Revelou, porém, ter sido convidado por terceiros para compor com outras pessoas, como Guerreiro, por exemplo, mas que não deu prioridade para isso. Também diz que nunca conversou com o deputado Tucano, a não ser quando o parabenizou pela vitória nas eleições de 2014. Esta possível dobradinha chegou a ser conjecturada mediante o argumento de que Tonhão consegue aglutinar a classe A e B - a chamada elite - enquanto que Guerreiro, as classes C e D. Mas ele garante que tem acesso em todas as classes.
Apesar de reiterar o sonho de administrar Três Lagoas, diz que, por enquanto, é pré-candidato a vereador, afirmando, porém, ser um soldado para ser candidato a prefeito ou a vice. “Sempre estive ao lado do partido, nunca fiquei em cima do muro e nem fugi da raia, como alguns”, alfinetou, admitindo que tem a idade a seu favor – ele está com 32 anos, o que lhe permite esperar alguns anos até que chegue a sua vez.
Prevendo que as alianças só devam acontecer a partir de março do ano que vem, diz que o rumo a ser tomado pelo partido, segundo ele, será norteado por pesquisa quantitativa e qualitativa.
APRENDIZADO
Depois de admitir que 2014 tenha sido um ano marcado por alguns decepções, Tonhão diz que a votação que recebeu para deputado federal foi uma espécie de consolo e que espera um 2015 menos turbulento. “Foi um ano difícil, mas o que confortou foi a votação em outubro; quando diziam que eu não teria voto nenhum, tive quase 7 mil votos, sendo o mais votado em Três Lagoas, com grande diferença em relação aos demais”, desabafa.
A sua grande frustração foi não ter conseguido o consenso para chegar à presidência da Câmara. Por conta disto, preferiu ficar fora da Mesa e das Comissões Permanentes, pela primeira vez em dez anos de vereança. “Tudo isso foi muito bom como aprendizado e me considero um vitorioso”, pontua.
Sobre as eleições 2016, pondera que o partido é forte e conta com pessoas fortes. Em relação às várias conjunturas que surgem o tempo todo, ele alfineta: “Tem muitos ‘cientistas políticos’, que não têm voto, ou porque nunca saíram candidatos ou quando saíram não receberam, mais que 200 votos; que disputem as eleições e depois, sim, tenham o que falar”. Tonhão diz que só passou a vivenciar a realidade depois que saiu candidato, estando em seu terceiro mandato de vereador.
Por fim, disse esperar que a bancada do PMDB na Câmara fale a mesma língua este ano, o que não aconteceu no ano passado, com a ocorrência de alguns “desencontros”. Segundo ele, o próprio diretório está cobrando a unidade da bancada e deverá adotar posição mais enérgica com vereadores e com diretoristas.
Em relação à Câmara em geral, diz que há uma união relativa, já que percebe que muitos buscam a própria conveniência.