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Vereador põe em dúvida aplicação de repasses do SUS pelo Hospital Auxiliadora

Acusou ainda o diretor da Santa Casa de usar os médicos para pressionarem a prefeitura afim de conseguir mais dinheiro. 

Hojemais - João Maria Vicente
15/05/15 às 23h35
Vereador Jorge Martinho

Na sessão da última terça-feira (12) o vereador Jorge Martinho (PSD) criticou os altos investimentos do Hospital Auxiliadora na ala particular, em detrimento do setor destinado a pacientes do SUS (Sistema Único de Saúde), ao mesmo tempo em que solicitam aditivo de R$ 600 mil ao repasse mensal de R$ 3 milhões da contratualização - verba do município, Estado e União. O particular, segundo ele, é um hotel cinco estrelas, com Blindex e porcelanato, enquanto que nas enfermarias tudo é de segunda categoria.  “Espero que não estejam usando o dinheiro de convênios [do SUS] para o privado, porque isso é crime”, disse.

Em entrevista ao Hojemais, ele disse que para solicitar esses R$ 600 mil, Martinho diz que é necessário ser atestada pela Secretaria de Saúde esta defasagem. Nesse sentido, questiona se a titular da pasta estaria ciente disto. Acusou ainda o diretor da Santa Casa de usar os médicos para pressionarem a prefeitura afim de conseguir o dinheiro. 

De acordo com Martinho, atualmente o maior patrão do Auxiliadora é o SUS, que repassa R$ 32 milhões anuais para o atendimento de cerca de 200 mil pessoas de onze municípios da região. Só que 30% dos atendimentos destas cidades, que deveriam ser realizados em Três Lagoas, segundo ele, acabam ocorrendo em municípios paulistas – em Araçatuba, por exemplo -, devido à proximidade com estes, o que acaba aliviando a carga do Auxiliadora.

Também favorece o hospital, o fato de que a maior parte dos equipamentos, principalmente os mais caros, serem adquiridos com recursos do Estado e da União, os quais são usados também no atendimento particular. Isto, sem falar que os dez leitos da UTI são do SUS e servem também a particulares, além do fato de que, por ser filantrópico, paga apenas a metade da conta de energia elétrica.

O que ele quer dizer com isso, é que a situação do hospital não pode estar tão ruim o quanto pregam, sobretudo, porque, diferentemente de outros lugares, diz estar havendo altos investimentos no setor particular e de convênios, como a reforma e ampliação do pronto-socorro para atendimento de clientes de convênios, reforma de apartamentos e até da fachada, de frente para a Rua Paranaíba. Em contrapartida, diz que a fachada da Avenida Rosário Congro, acesso para os pacientes do SUS, continua a mesma há anos e que o setor não oferece a menor condição de um atendimento digno, devido à falta de espaço e de mobiliários adequados, entre outras deficiências. “As enfermarias tiveram poucas melhorias”, acusa, denunciando, por exemplo, a disponibilidade de apenas um banheiro para seis pessoas em leitos antigos.

Como presidente de uma comissão de vereadores criada para averiguar a situação do hospital, Martinho finaliza: “não quero chegar à conclusão de que o recurso do SUS esteja sendo aplicado no privado”.

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