Alguns vereadores até tentaram explicar, no início da tarde desta quinta-feira (18), a pressa em votar projetos que aumentam os próprios salários, do prefeito e secretários municipais de Campo Grande. Disseram que houve discussão da matéria e que o objetivo era evitar deixar para o fim do mandato.
No entanto, a aprovação ocorreu de um dia para o outro. Os projetos, que concedem em torno de 26% de aumento, entraram na Câmara na quarta-feira (17).
Segundo a vereadora Luiza Ribeiro (PPS), “não houve reunião específica para discutir estes projetos”. O que foi passado pela mesa diretora, conforme ela, é que as matérias seguem sequência dos parlamentares federais e estaduais – estes também aumentaram os próprios salários – prevista em lei, além de ter sido votado agora para evitar desgaste político no fim da legislatura.
“Como fazemos em todo projeto, este também foi discutido sim”, garantiu João Rocha (PSDB). No entanto, alguns parlamentares, além de confundirem-se sobre o trâmite da matéria, alegaram até desconhecer que o assunto estava em pauta.
Os aumentos salariais passam a valer a partir de janeiro de 2017, ou seja, após as próximas eleições municipais, em 2016. Da última vez que os vereadores tentaram aumentar seus próprios salários em ano eleitoral, como em dezembro de 2012, ficaram um ano sem o reajuste por força de disputa judicial questionando a medida.
Na prática, o salário bruto de um vereador vai saltar de atuais R$ 15 mil para quase R$ 19 mil. O prefeito passará a ganhar em torno de R$ 30,4 mil mensais, o correspondente a 90,25% dos vencimentos de um ministro do STF (Supremo Tribunal Federal), que chegará a R$ 33,7 mil a partir de janeiro próximo.