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"Vou matar um leão por dia para mostrar a verdade"

O vereador revelou que nunca se apropriou de vencimentos de assessor

Hojemais - Guta Rufino
12/05/15 às 09h32
Presidente da câmara, vereador Jorginho do Gás (PSDB) durante coletiva de imprensa (André Mitterer/Hojemais)

Em entrevista exclusiva ao Hojemais, o vereador e presidente da Câmara Municipal de Três Lagoas, Jorge Aparecido Queiroz, o Jorginho do Gás (PSDB), expôs o que a denúncia do ex-assessor, Antônio Nunes Siqueira, conhecido como Tonico, feita a uma emissora de TV de um grupo de comunicação local, na última semana, tem repercutido de forma negativa em sua vida pessoal e profissional. “A imprensa pode construir ou destruir. No meu caso, atacaram minha imagem. Vai demorar para eu me reconstruir, mas agora é isso: matar um leão por dia. Entrei em briga de peixe grande. Tenho que lutar”.

O caso refletiu diretamente na vida daqueles que convivem diretamente com Jorginho. “Minha família está arrasada. Eu vim almoçar hoje, não comia desde quando a matéria foi veiculada na imprensa. Também estou sem dormir, não tive coragem de ir à igreja ontem. Ele era meu braço direito, estava comigo em tudo, tanto para atividades profissionais, como pessoais. Estou muito surpreso. Ele sempre trabalhou muito bem, era meu funcionário mais próximo, não sei se eu sou carente, porque meu pai morreu quando eu tinha dois anos, então, sempre dizia que ele [Tonico] era o pai que não tive. Não esperava que ele fizesse isso comigo”, revelou.

Entretanto, apesar de tudo o que tem enfrentado, Jorginho alegou que tem recebido apoio de todos os lados. “Muitos tem me procurado para dizer que confiam e mim e que posso contar com eles. Eu sabia que eu tinha amigos, mas não tantos”.

Mas não é em todo local que a receptividade é a mesma, segundo o presidente. “É difícil. Sinto que, quando chego nos locais públicos, as pessoas não falam escancaradamente, mas elas comentam umas com as outras”.

ESCLARECIMENTOS

Uma coletiva de imprensa foi realizada na manhã de ontem na Câmara Municipal de Três Lagoas, nela, o vereador reafirmou que a denúncia de que ele se apropriava de parte do salário do servidor é falsa. 

As explicações de Jorginho se basearam nas diárias que não foram devolvidas em 2013, quando Tonico teria recebido o dinheiro para fazer uma viagem que não sucedeu. O assessor teria sido cobrado por diversas vezes, mas não devolveu o dinheiro aos sofres públicos, então, em março deste ano, o vereador fez um depósito nominal para restituir a quantia. Jorge também falou sobre a exoneração do assessor, que aconteceu na última sexta-feira, logo depois das denúncias. “Eu decidi tomar essa decisão porque ele declarou a todos por meio da imprensa, que eu não tinha condições de representar a mim mesmo ou a minha família, além disso, ele me chamou de criminoso, ofendeu minha honra e imagem”.

A VIAGEM QUE NÃO FOI E O DINHEIRO QUE NÃO VOLTOU

O valor pego por Tonico em 2013 foi de R$ 3,6 mil. “Ele não foi porque não havia espaço no carro, sendo assim, ele deveria devolver o dinheiro aos cofres públicos, mas isso não aconteceu”.

Segundo o vereador, foram várias as tentativas de resgatar o dinheiro, mas o assessor estaria “enrolando”. “Ele prometia, prometia, mas não devolvia. Falava que estava apertado e que era para eu ter paciência”.

O primeiro biênio concluiu e o dinheiro não foi devolvido. No dia 6 de janeiro, o diretor administrativo da câmara, André Ribeiro, comunicou ao gabinete do vereador Jorginho do Gás que fosse tomada providência sobre a irregularidade. Jorginho explicou durante a coletiva, que caso não houvesse a restituição do valor das diárias, Antônio Nunes Siqueira poderia responder por peculato, apropriação indébita e as diárias ao gabinete do presidente da câmara seriam cortadas.

Diante desta situação, o vereador decidiu quitar o débito de Tonico, para evitar maiores transtornos. “No dia 10 de março peguei o dinheiro emprestado com minha sogra e fiz um depósito nominal. Devolvi o valor já com correção”.

Sobre outras viagens que o assessor teria feito e pegado diárias, André Ribeiro esclareceu. “É feito um relatório de viagem. Das outras viagens que ele foi, ele fez. Se ele não foi, ele está cometendo um crime, porque ele assinou um documento”.

OS PORQUÊS

Durante a coletiva, o presidente da câmara levantou algumas hipóteses sobre o motivo que teria levado Tonico, o homem que ele disse ter considerado como pai e amigo, a fazer essa denúncia. “O que pode ter acontecido é que ele pode ter ficado chateado com a demissão de sua filha, que aconteceu em fevereiro deste ano, quando saíram 11 funcionários da câmara, por desvio de função. Além disso, o filho dele também foi demitido, no corte que houve na prefeitura e ele queria que eu segurasse a vaga dele, mas eu expliquei que não segurei nem meus filhos nos cargos que estavam”.

Outra suposição feita pelo vereador foram questões políticas. “Meu partido está forte no Estado, temos um governador, além disso, eu sou presidente da câmara de uma das maiores cidades de Mato Grosso do Sul e fui o deputado federal mais bem votado de Três Lagoas. Eu sei o que sou e onde estou, sei o que tenho que agüentar”, desabafou o vereador, sobre sua posição política privilegiada.

Jorginho concluiu afirmando: “Na hora que tudo estiver esclarecido a verdade vai aparecer. E eu vou estar de cabeça erguida e mostrar para toda Três Lagoas que essa denúncia não vai me derrubar. Peço que a sociedade confie em mim e que esperem, pois a justiça será feita e a verdade vai aparecer e provarei a minha inocência”, concluiu.

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