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Estudo confirma eficácia da vacina contra HPV

Pesquisa mostra queda expressiva dos principais tipos de HPV após a vacinação e destaca proteção contra o câncer do colo do útero

Thais Constantino  - Hojemais Três Lagoas
24/07/26 às 11h36
vacina contra HPV (Reprodução)

A vacina contra o HPV voltou a demonstrar resultados expressivos no Brasil. O maior levantamento sobre a eficácia do imunizante realizado na América Latina revelou que a circulação dos quatro principais tipos do papilomavírus humano (HPV) contemplados pela vacina foi reduzida em quase 50% após a implementação da campanha nacional de imunização.

Os números da pesquisa mostram que, entre 2016 e 2017, 14,98% dos participantes apresentavam infecção por pelo menos um dos quatro subtipos protegidos pela vacina. Nas amostras coletadas entre 2020 e 2023 , esse percentual caiu para 7,95% .

O estudo faz parte da pesquisa Pop-Brasil , desenvolvida pelo Hospital Moinhos de Vento em parceria com o Ministério da Saúde . Na primeira etapa foram analisadas amostras de 6.388 pessoas não vacinadas , de ambos os sexos. Já na segunda fase, os pesquisadores avaliaram mais de 10 mil participantes , entre vacinados e não vacinados, com material coletado em unidades de saúde.

O público analisado foi formado por jovens de 16 a 25 anos , faixa etária considerada estratégica para avaliar a circulação do vírus.

Segundo a médica epidemiologista e coordenadora da pesquisa, Eliana Wendland , esse grupo foi escolhido por reunir as maiores taxas de infecção e por já estar incluído nas campanhas de vacinação.

"Essa faixa etária é a que tem a maior prevalência de HPV, porque é o início da atividade sexual. Essa faixa etária também foi escolhida porque todo mundo ali já deveria ter sido vacinado."

Apesar disso, os pesquisadores verificaram que a cobertura vacinal ainda está abaixo da meta. Entre meninas e mulheres participantes da pesquisa, 61,8% haviam recebido a vacina. Entre os homens, o índice foi ainda menor, chegando a 31,1% . O percentual considerado ideal pelas autoridades de saúde é de 90% .

Mesmo com essa cobertura inferior ao esperado, os resultados demonstraram forte proteção. Entre meninas e mulheres, a prevalência dos tipos de HPV cobertos pelo imunizante caiu de 15,6% , registrada na primeira fase do estudo, para apenas 3,1% entre as participantes vacinadas na segunda etapa.

Além da proteção individual, os pesquisadores identificaram sinais do chamado efeito rebanho , quando a redução da circulação do vírus beneficia inclusive pessoas que não receberam a vacina.

De acordo com Eliana Wendland:

"Nós também percebemos nas meninas um efeito populacional da vacinação. Mesmo entre aquelas que não foram vacinadas, nós tivemos uma diminuição da prevalência de HPV."

Esse comportamento ocorre porque altas coberturas vacinais reduzem a transmissão do vírus na população. Entre meninas e mulheres que não haviam sido imunizadas, a prevalência dos quatro tipos combatidos pela vacina caiu para 10,5% na segunda fase da pesquisa.

Entre os homens vacinados, a prevalência dos subtipos protegidos diminuiu de 13,8% para 4,6% . Já entre aqueles que não receberam a vacina, a pesquisa não encontrou redução estatisticamente significativa.

Segundo a pesquisadora, o resultado era esperado devido à baixa adesão da vacinação entre o público masculino. A própria prévia do artigo científico que será publicada na revista npj Vaccines destaca que muitos ainda associam o HPV apenas ao câncer do colo do útero , reduzindo o incentivo à vacinação dos meninos.

Outro resultado chamou a atenção dos pesquisadores. Enquanto a prevalência geral do HPV , considerando todos os subtipos existentes, aumentou de 46,7% para 56,6% entre as duas fases do estudo, os quatro tipos protegidos pela vacina apresentaram queda significativa, reforçando a eficácia do imunizante.

A pesquisa também encontrou evidências de que o atual esquema vacinal do Sistema Único de Saúde (SUS) , que desde 2024 passou a adotar dose única , oferece proteção semelhante aos esquemas anteriores. Não foram observadas diferenças relevantes na prevalência do vírus entre pessoas imunizadas com uma, duas ou três doses.

A vacinação contra o HPV começou a ser oferecida pelo SUS em 2014 , inicialmente apenas para meninas. A partir de 2017 , os meninos também passaram a integrar o público-alvo da campanha. Atualmente, a imunização é destinada a crianças e adolescentes de 9 a 14 anos , além de grupos adultos considerados vulneráveis, como pessoas imunossuprimidas, vítimas de violência sexual, usuários de profilaxia pré-exposição e pacientes que já apresentaram lesões precursoras do câncer do colo do útero .

O papilomavírus humano (HPV) é reconhecido como o principal causador do câncer do colo do útero , mas também pode provocar tumores no pênis, ânus e garganta. Embora nem todos os subtipos sejam cancerígenos, a vacina disponível gratuitamente pelo SUS protege contra os quatro principais tipos de maior risco.

 

Com informações: Agência Brasil / Ministério da Saúde.

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