O Ministério da Saúde realizou, nos dias 15 e 16 de julho, a etapa regional Centro-Oeste e Norte do Hackathon SUS – Desafio Tecnológico para o Sistema Único de Saúde (SUS) , iniciativa que busca identificar, selecionar e premiar startups brasileiras com soluções inovadoras voltadas ao enfrentamento do câncer . O encontro aconteceu no Hospital Universitário de Brasília (HUB) e reuniu empreendedores previamente selecionados das duas regiões.
Durante a programação, os participantes visitaram a unidade de oncologia do HUB, acompanharam palestras, participaram de treinamentos personalizados e receberam mentorias para aprimorar os projetos apresentados.
Na abertura do evento, o secretário-adjunto da Secretaria de Ciência, Tecnologia e Inovação em Saúde do Ministério da Saúde, Eduardo Jorge Valadares Oliveira , ressaltou que toda tecnologia destinada ao SUS deve atender requisitos de segurança, eficácia, custo-efetividade e conformidade com normas éticas e regulatórias.
Segundo ele, o Hackathon representa uma estratégia permanente de incentivo à pesquisa, ao desenvolvimento tecnológico e à aplicação prática de inovações na saúde pública brasileira.
A iniciativa é coordenada pelo Ministério da Saúde e conta com a parceria do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) , Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) , Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae) , HU Brasil e Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS) .
Especialistas avaliaram potencial das tecnologias
O processo de seleção reúne cerca de 60 especialistas de diferentes regiões do país, responsáveis pela curadoria e avaliação das propostas.
Na etapa Centro-Oeste e Norte, os jurados analisaram o grau de desenvolvimento das tecnologias e a viabilidade de sua incorporação ao Sistema Único de Saúde .
Para Davi Uemoto , integrante da comissão julgadora e representante da Associação Brasileira de Importadores e Distribuidores de Produtos para Saúde (Abraidi), o principal objetivo é ampliar o acesso da população aos tratamentos, melhorar os resultados clínicos e garantir mais qualidade de vida aos pacientes.
Também integrante da banca avaliadora, o médico oncologista Gustavo Duarte destacou a importância de fortalecer o desenvolvimento de tecnologias nacionais voltadas às necessidades do próprio país.
Segundo ele, as startups avaliadas apresentaram elevado nível técnico, tornando a disputa bastante equilibrada e demonstrando o crescente interesse do ecossistema de inovação em desenvolver soluções para os desafios da oncologia.
Soluções para diagnóstico, cirurgia e apoio clínico
As seis startups participantes — quatro da Região Centro-Oeste e duas da Região Norte — apresentaram projetos voltados tanto para a atenção básica quanto para a assistência especializada . Entre as propostas estavam dispositivos de diagnóstico, ferramentas de apoio à decisão clínica e tecnologias para procedimentos cirúrgicos.
A representante do Centro-Oeste na fase nacional será a Biotech Tecnologia Genômica Especializada , de Goiânia (GO) . A empresa desenvolveu uma plataforma portátil para diagnóstico molecular do HPV , capaz de identificar, em aproximadamente 30 minutos , os tipos do vírus associados ao câncer do colo do útero .
De acordo com Elisângela Lacerda , a tecnologia consiste em um equipamento portátil, no formato de maleta, voltado ao diagnóstico in vitro e alinhado às estratégias do SUS para prevenção desse tipo de câncer.
Pela Região Norte , duas startups conquistaram vaga na etapa nacional.
A BioSpin Nanotech , representada por Andrey Marcos Pinho da Silva e Thiago Martins , desenvolveu uma tecnologia baseada em nanofibras destinada à cicatrização e regeneração de tecidos moles após cirurgias oncológicas. Inicialmente, a solução será aplicada em procedimentos relacionados ao câncer de mama no SUS.
Já a Smart Saag Inova Simples (I.S.) apresentou um dispositivo portátil equipado com inteligência artificial , capaz de auxiliar na pré-avaliação de pacientes com câncer de pele e outras doenças oncológicas.
Segundo David Lopes Maciel David , a tecnologia utiliza imagens hiperespectrais e tomografias para fornecer um pré-diagnóstico em cerca de dois minutos , reduzindo significativamente o tempo atual de análise, que pode chegar a 30 dias .
Próximas fases da competição
Ao término de cada etapa regional serão classificadas até três startups , totalizando até 15 finalistas para a fase nacional, prevista para o início de dezembro.
As próximas seletivas ocorrerão nas seguintes datas:
- Região Sudeste: 6 e 7 de agosto, em São Paulo (SP) ;
- Região Nordeste: 10 e 11 de setembro, em Recife (PE) ;
- Região Sul: 6 e 7 de outubro, em Curitiba (PR) .
Com a iniciativa, o Ministério da Saúde busca fortalecer a inovação tecnológica, incentivar o desenvolvimento de soluções brasileiras e ampliar a oferta de tecnologias capazes de qualificar o atendimento aos pacientes com câncer no Sistema Único de Saúde (SUS) .
