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SUS cria comitê para reduzir preço de medicamentos de alto custo

Ministério da Saúde quer negociar valores de medicamentos para ampliar o acesso da população, economizar recursos e incorporar novos tratamentos ao SUS

Thais Constantino  - Hojemais Três Lagoas 
23/07/26 às 11h45
SUS cria comitê para reduzir preço de medicamentos de alto custo Foto: Reprodução

O Ministério da Saúde oficializou, nesta quinta-feira (23), a criação de um comitê permanente voltado à negociação de preços de medicamentos que poderão ser incorporados ao Sistema Único de Saúde (SUS) . A iniciativa pretende ampliar o poder de compra do governo federal, permitindo a aquisição de remédios em grandes quantidades por valores mais competitivos.

Com a redução dos custos, a expectativa é liberar recursos do orçamento para ampliar os investimentos em novas tecnologias e possibilitar a inclusão de mais tratamentos na rede pública, especialmente medicamentos de alto custo destinados ao combate ao câncer , às doenças autoimunes e outras enfermidades.

Segundo a secretária de Ciência, Tecnologia e Inovação em Saúde do Ministério da Saúde, Fernanda De Negri , a medida moderniza o processo de negociação de preços, estabelecendo critérios mais claros e proporcionando maior segurança para que o governo obtenha valores considerados mais justos, preservando recursos para outras áreas da saúde.

O novo comitê será acionado pela Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no Sistema Único de Saúde (Conitec) , órgão responsável por analisar, recomendar e decidir sobre a inclusão de novos medicamentos, procedimentos e tecnologias no SUS.

Negociação em casos específicos

A atuação do grupo será especialmente importante quando um medicamento possuir apenas um fabricante no mercado, situação que impede a realização de licitações convencionais. Nesses casos, o comitê poderá negociar diretamente com o laboratório para reduzir os preços.

O mecanismo também poderá ser utilizado quando medicamentos já incorporados ao SUS apresentarem aumentos significativos de valor. Nessas situações, a secretaria responsável pela aquisição dentro do Ministério da Saúde poderá solicitar a abertura das negociações.

Atualmente, o SUS movimenta cerca de R$ 31,3 bilhões por ano na compra de vacinas, medicamentos e insumos, fator que fortalece o poder de negociação do governo junto à indústria farmacêutica.

O modelo adotado pelo Brasil já é utilizado em mais de 40 países , entre eles Canadá , Inglaterra , Austrália e França . Embora a proposta seja discutida há anos dentro do Ministério da Saúde, somente agora ela passa a integrar oficialmente a política da pasta.

 

De caráter técnico e permanente, o comitê tem como meta alcançar descontos superiores a 50% na negociação de medicamentos novos ou recentemente incorporados ao SUS , contribuindo para ampliar o acesso da população a tratamentos especializados e fortalecer a sustentabilidade financeira da saúde pública.

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