Em celebração ao Dia da Consciência Negra, nossa coluna destaca um nome que carrega não apenas história, mas também a força de uma vida inteira dedicada à educação, à inclusão e à justiça social: o professor José Bento de Arruda, atual presidente do CMDN – Conselho Municipal dos Direitos do Negro de Três Lagoas.
Nascido em 21 de março de 1961, Bento trilhou um caminho que não se explica somente pelo currículo — e ele tem um currículo robusto — mas pela coerência entre o que acredita, o que faz e o que inspira. São 44 anos de docência, iniciados em Corumbá/MS, na Escola Estadual Maria Leite. Desde então, sua presença se tornou familiar e marcante nas instituições pelas quais passou: APAE, Escola Estadual Pe. João Tomes, Escola Estadual Bom Jesus, onde dirigiu por uma década, e atualmente a Escola Estadual Afonso Pena, onde atua como assessor escolar.
Sua trajetória extrapolou a sala de aula: presidiu o SINTED, foi Secretário Municipal de Educação entre 1997 e 2000, assumiu a UNDIME/MS, e inscreveu seu nome também na cultura popular ao fundar e presidir o tradicional bloco carnavalesco Pagodeiros Somos Nós. Hoje, lidera o CMDN e, simultaneamente, o diretório municipal do PSB.
Mas o que mais impressiona é que, por trás de tantos cargos, há um fio condutor claro: uma vida inteira comprometida com a educação pública, com a dignidade humana e com a construção de uma sociedade mais igualitária.
Bento cresceu numa família que entendia a inclusão não como discurso, mas como prática cotidiana. Da família Arruda veio a inspiração para a docência, quase como um legado ancestral: o avô paterno, as tias-professoras, e hoje, seis primos e primas que mantêm viva a vocação pela educação. Para ele, ensinar não é apenas profissão — é visão de mundo, é espelho, é missão silenciosa que se espalha por gerações.
Sua militância no movimento negro surgiu cedo, ainda no movimento estudantil. E amadureceu com a vida adulta, com a vivência sindical e com a compreensão profunda de que o combate ao racismo no Brasil exige coragem, persistência e a capacidade de ocupar espaços coletivos — aqueles onde se articula mudança real. À frente do CMDN, Bento carrega a responsabilidade de ampliar direitos, promover debates e fortalecer a consciência racial em Três Lagoas. Mas, sobretudo, carrega a convicção de que ninguém caminha sozinho.
Falar de Bento é falar de alguém que entende a educação pública como a trincheira principal da transformação. Ele cita Paulo Freire com a naturalidade de quem não apenas leu, mas vive o pensamento freireano:
“A educação sozinha não transforma a sociedade, mas sem ela tampouco a sociedade muda.”
E quando Bento repete essa frase, ela não soa como citação — soa como testemunho.
Mesmo com tantas funções exercidas, uma pergunta sempre retorna: o que ele seria se não fosse professor? A resposta é uma só: seria professor. Porque é assim que ele se enxerga, se encontra e se completa. A docência é seu sacerdócio — e, ao mesmo tempo, sua forma mais concreta de intervenção no mundo.
Nesta semana especial, Bento deixa uma mensagem aos leitores, que traduz bem a filosofia que guiou sua própria vida:
“Nunca desista dos seus sonhos. São eles que nos alimentam para persistir na busca constante dos nossos objetivos.”
E é por isso que, nesta homenagem ao Dia da Consciência Negra, destacamos não apenas o profissional, mas o homem — o cidadão que luta, que educa, que provoca mudanças, que inspira e que representa tão bem a resistência, a força e a esperança que honramos nesta data.
Professor José Bento de Arruda é mais que a nossa capa.
É um símbolo vivo de que a consciência, a coragem e a educação caminham juntas — e transformam.
