De forma improvisada, pois os membros ainda não tinham uniformes de gala, a Fama (Fanfarra Municipal de Araçatuba) se apresentou pela primeira vez no município, no dia 7 de setembro de 1994, com moletons doados pela empresa Colaferro.
Com 25 anos completados nesta última sexta-feira (30), os improvisos ficaram no passado e deram lugar a prêmios conquistados, centenas de apresentações em várias partes do País e milhares de alunos formados e músicos atuantes.
Sob o comando do presidente, Pedro Andrade Wanderley, e do maestro e coordenador do grupo, Mizael Levi Caetano, a Fama conta com 86 integrantes, entre alunos atendidos na Escola de Iniciação Musical, equipe técnica, corpo musical e coreográfico, balizas, mor, pavilhão nacional e grupo de apoio (formado por pais dos integrantes).
De acordo com o maestro, que tem formação superior em música, a Fama tem duas formações técnicas: fanfarra simples e banda marcial. Nesses anos de trajetória, Caetano destaca que já passaram pelo grupo mais de 2.500 pessoas.
Início
À frente do grupo desde 1996, Caetano também participou da estruturação da Fama em 1994. Já o presidente integra a equipe desde 2001 e hoje seus filhos fazem parte do corpo docente, composto por oito profissionais.
O maestro e o presidente explicam que a Fama foi criada de acordo com a lei municipal 4.208/94, com decreto regulamentado em 30 de agosto de 1994. No início, quando atendia de 70 a 80 crianças, o objetivo era fazer desfiles cívicos e comemorativos, mas o projeto cresceu e começou a render outros frutos para a corporação araçatubense.
Em 1995, os músicos começaram a participar de campeonatos e concursos fora da cidade. Caetano e Wanderley lembram que tinham uma parceria com a Reunidas Paulista, que perdurou por aproximadamente 10 anos. Com esse apoio, viajaram bastante e ganharam títulos em Brasília, Rio de Janeiro e Mato Grosso do Sul.
Neste ano, já foram mais de 15 apresentações realizadas, incluindo o estado de Minas Gerais. Eles ainda preparam apresentações para comemorar os 25 anos de fanfarra, como um concerto de Natal.
Reconhecimento
Por conta dessas participações, hoje a Fama tem mais 150 títulos. Na casa onde eles ocupam para ensaios e aulas, no bairro São Joaquim, os troféus ocupam praticamente dois cômodos do local, disputando espaço com figurinos, instrumentos e outros acessórios.
Alguns dos prêmios são de pentacampeã paulista e nacional, e de heptacampeã do Concurso Interestadual de Francisco Morato.
Para Wanderley e Caetano, isso prova que a fanfarra é um projeto raro, em se tratando de tempo de atuação sem pausa e respeito conquistado. No entanto, eles ainda lutam para serem reconhecidos dentro do próprio município. Há cerca de dois anos, num evento que tocaram em Araçatuba, Caetano e Wanderley lembram que uma moradora da cidade ficou encantada com a apresentação e perguntou de qual local o grupo era.
“Aí nós vimos que tínhamos uma supercorporação, conhecida no Brasil inteiro, mas não aqui. Era famosa, aparecíamos em reportagens na TV. Mas parecia que era um negócio tão alto, que a população achava que não poderia ter acesso”, destaca Caetano.
Escolas
Por isso, em 2014, decidiram começar um trabalho nas escolas estaduais Joubert de Carvalho e Jorge Corrêa. As aulas foram ministradas, gratuitamente, por três anos nos locais. Neste ano, o grupo passou a frequentar escolas municipais, levando informações da Fama para as crianças.
O resultado de todo esse trabalho culminou em uma fanfarra cujos integrantes possuem de 6 a 41 anos, que atende pessoas de vários bairros e residenciais.
Sala de ensaio
Quem olha a quantidade de prêmios da fanfarra talvez não consegue imaginar algumas dificuldades financeiras que o grupo enfrenta para se manter na ativa. Wanderley explica que a última campanha que fizeram para conseguir uma verba extra (pois eles recebem uma quantia da Prefeitura) foi a venda de pizzas. O recurso arrecadado está sendo utilizado para fazer uniformes e comprar kits de GRD (Ginástica Rítmica Desportiva) para as nove balizas da fanfarra.
A casa, que foi cedida pela Prefeitura (antes, a fanfarra tinha um espaço na Secretaria Municipal da Cultura), precisa de uma sala grande para absorver a equipe para ensaios. Hoje, crianças, jovens e adultos improvisam um espaço no quintal de terra, sem cobertura, além de usarem o lado externo da casa, na lateral do Centro Cultural Ferroviário.
O ideal, para o maestro e o presidente, é construir uma sala ou um local com cobertura, para que eles possam se reunir mesmo em dias de chuva ou frio.
Atualmente, a fanfarra segue aberta para quem deseja ter aulas. Os ensaios acontecem numa casa na rua Rosa Cury, 151, às quintas e sextas, das 17h às 19h, e sábados, das 16h às 19h30.