A Justiça de Araçatuba (SP) determinou que a ONG APDA (Associação de Proteção e Defesa dos Animais), fique com a tutela temporária dos cães que foram recolhidos pelo CCZ (Centro de Controle de Zoonoses), após serem resgatados de uma residência no bairro Nova Iorque, em junho deste ano.
A entidade é presidida pelo ex-vereador Rosaldo de Oliveira, que já está de posse dos 37 cães, que passariam por avaliação em uma clínica veterinária que atende a entidade. Enquanto não houver decisão da Justiça sobre o caso, eles devem permanecer com a associação.
Entretanto, ele adianta que caso seja mantida a decisão de conceder a tutela desses animais à ONG, o objetivo será encontrar um lar responsável para os cães. Há animais das raças Maltês, Yorkshire e dez Spitz Alemão, incluindo os conhecidos como Lulu da Pomerânia, cujo valor comercial de um filhote pode chegar a R$ 5 mil.
“Em nenhum momento a ONG e este presidente pretendem permanecer com esses cães para uso próprio. Se for decisão da Justiça, esses animais serão castrados e iremos procurar um lar responsável para que seja feita a adoção”, informa.
Preocupação
Rosaldo explica que desde que houve a apreensão desses animais, em 13 de junho, havia preocupação por parte da APDA, sobre em que condições eles seriam mantidos. Ele conta que naquela noite esteve na delegacia e chegou a falar com o delegado que presidiu a ocorrência, oferecendo a estrutura que a APDA dispõe para abrigar os cães.
Posteriormente essa decisão foi discutida e aprovada em reunião entre membros da diretoria e a partir de então, o Departamento Jurídico da entidade entrou no processo como terceira parte interessada. “A decisão saiu na quinta-feira e nós já fomos buscar os animais” , conta.
Os cães estavam no CCZ desde que foram recolhidos e, segundo Rosaldo, a ONG já vinha se preparando para recebê-los. Todos eles devem ter sangue coletado para exame, já que eram mantidos no CCZ, que também abriga animais doentes, de acordo com ele. “Será feito o hemograma de todos os animais, para ter certeza do estado de saúde de cada um”, argumenta. Os animais também devem receber banho, de acordo com ele.
Apreensão
Os animais foram recolhidos em uma residência que teve um incêndio na noite de 13 de junho, sob a justificativa de que estavam em situação de maus-tratos. A moradora no imóvel chegou a ser presa em flagrante, mas teve o direito à liberdade provisória durante audiência de custódia no dia seguinte.
Ela nega os maus-tratos, apesar de uma médica veterinária do CCZ ter emitido laudo apontando que havia animais machucados, alguns que não andavam e outros estariam em péssimo estado de cuidados. A profissional atestou ainda que os cães viviam sem infraestrutura mínima como água, alimentos e cuidados veterinários.
A tutora concedeu entrevista ao Hojemais Araçatuba dias depois da apreensão e alegou que os possíveis ferimentos em alguns dos animais teriam ocorrido durante o incêndio, devido ao barulho causado pelos bombeiros no combate às chamas, o que os teria assustado.
Dificuldades financeiras
Ela admitiu que devido à família dela estar passando por dificuldades financeiras temporárias, não tinha condições de mandar os cães ao pet shop para banho, por isso, alguns animais estavam com o pelo embolado.
A tutora negou que mantivesse um canil clandestino na casa dela, afirmando que a criação teve início em 2014 e muitos dos cães têm entre 7 e 4 anos de vida, mas por serem pequenos, aparentam ser filhotes.
Na ocasião ela questionou o fato de os cães serem mantidos em gaiolas no CCZ, o que não acontecia na casa dela, onde tinham um espaço próprio e adequado dentro do imóvel, de acordo com a mulher.
