Ruan Richard Cwsto Nisa, 26 anos, foi condenado a 19 anos e 20 dias de prisão por ter matado a travesti Ivan Carlos Rodrigues Costa, 34, moradora no bairro Água Branca, em Araçatuba (SP). A vítima teve o celular furtado e o corpo enterrado em uma mata no fundo de uma casa no Jardim Universo.
Os crimes aconteceram em setembro de 2015 e o réu foi julgado pelo Tribunal do Júri no Fórum de Araçatuba (SP) nesta quarta-feira (25).
Os jurados acataram na íntegra a denúncia do Ministério Público. O réu aguardava julgamento preso e não terá o direito de recorrer em liberdade.
Segundo a polícia, Ivan fazia ponto na rua Marcílio Dias e desapareceu após sair de casa no dia 6 de setembro de 2015.
A irmã da vítima registrou um boletim de ocorrência de desaparecimento no dia seguinte e o réu já foi apontado pela polícia como suspeito, pois havia feito programa sexual com a travesti anteriormente. Ele chegou a ser ouvido, mas negou o crime.
Enterrado
Durante o inquérito, a DIG (Delegacia de Investigações Gerais) recebeu a informação de que Ivan havia sido assassinado e o corpo tinha sido enterrado. Foram feitas escavações duas vezes nessa mata, mas nada foi encontrado.
Os restos mortais só foram localizados após uma testemunha identificada pela polícia indicar o local exato para a escavação, entre as ruas Arthur Ferreira da Costa e Conde Zepelin. O corpo tinha um pedaço de fio preso ao pescoço.
Após a localização do cadáver, a polícia pediu a prisão temporária de Ruan, que foi localizado em Andradina e confessou os crimes.
Ciúmes
Ele contou que levou Ivan de bicicleta até o imóvel no Jardim Universo, onde consumiram entorpecentes e mantiveram relação sexual. Na versão dele, a vítima teria ficado com ciúme por ele ter recebido uma ligação no celular de outra travesti, enquanto estavam juntos.
À polícia, o réu ainda alegou que bateu com uma pá na cabeça de Ivan duas vezes porque a vítima havia atirado um tijolo nele. Imaginando que a travesti estava morta, o réu cavou um buraco na mata para enterrar o corpo.
Ao voltar para pegá-lo (o corpo), percebeu que a vítima ainda estava viva, por isso, a enforcou com o pedaço de fio, enterrou o cadáver e ficou com o celular. O aparelho foi apreendido dias depois pelo GOE (Grupo de Operações Especiais) com um adolescente.
Ajuda
De acordo com a denúncia, no dia seguinte o réu contou o ocorrido a um grupo de amigos que o ajudaram a desenterrar o cadáver e colocá-lo em uma cova mais funda.
Cinco pessoas foram identificadas como participantes do crime de ocultação de cadáver. Duas delas já morreram.
As outras foram denunciadas, porém, o Ministério Público representou à Justiça pela não pronúncia delas, por isso, apenas Ruan foi a julgamento.
Negou
Apesar de ter confessado os crimes à polícia, segundo a denúncia, em plenário, durante o julgamento, o réu negou a autoria e a defesa dele, feita pelo advogado Vagner Eduardo Andrelini de Freitas, pediu a absolvição, mas não foi atendida.
Pelo homicídio qualificado por meio cruel, o réu foi condenado a 16 anos e 4 meses de prisão . Pelo furto, por ser reincidente, ele pegou mais 1 ano, 4 meses e 10 dias de prisão e pela ocultação de cadáver a pena foi de mais 1 ano, 4 meses e 10 dias de prisão .
A sentença foi proferida pelo juiz Henrique Castilho e o promotor de Justiça Adelmo Pinho já adiantou que não irá recorrer.